Política

Encontro promovido pelo Bloco de Esquerda traçou cenário real da seca no Algarve

No passado dia 7 de dezembro o Bloco de Esquerda/Algarve promoveu na Biblioteca Municipal de Tavira um Encontro subordinado ao tema “Sustentabilidade Hídrica no Algarve”.

 
Intervieram como oradores os especialistas sobre a temática da água, Afonso do Ó, Doutorado em Ambiente e Riscos Naturais e Pós-Doutorado em Gestão de Bacias Hidrográficas e Manuel Costa, Doutorado em Agro-Ambiente, com especialização em águas residuais, assim como Luis Fernandes, membro da Concelhia de Tavira e da Comissão Coordenadora Distrital do Bloco/Algarve e João Vasconcelos, deputado do Bloco eleito pelo Algarve.
 
O Encontro teve como objetivo debater os problemas da seca e a sustentabilidade dos recursos hídricos no Algarve e que medidas a tomar pelas entidades públicas e outros responsáveis, como forma a prevenir e evitar consequências «desastrosas» com a falta de água.
 
Segundo o Bloco, apesar de estarmos no mês de dezembro, a sul do Tejo, incluindo o Algarve, a situação é de seca moderada a severa, sendo de destacar o Sotavento algarvio que se mantém em seca extrema. «Também por força das alterações climáticas os fenómenos extremos, como secas, inundações, aumento da temperatura, incêndios, têm tendência a agravar-se».
 
Em comunicado, o Bloco cita o próprio IPMA nas previsões que faz até ao final do século XXI, referindo que o território continental irá ter um decréscimo de precipitação entre 25 a 30% e um aquecimento superior a 4/5 graus centígrados em toda a região mediterrânica, «o que será catastrófico se não começarem a ser tomadas medidas preventivas».
 
No entender dos bloquistas o próprio Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas, elaborado pela Amal, prevê que os recursos de águas superficiais e subterrâneas no Algarve irão ficar sujeitos a grandes pressões devido aos consumos agrícolas domésticos e industriais. 
 
Com base nesta circunstância, o Bloco lembra que «é preciso ter em conta que no Algarve os consumos de água aumentaram 10 vezes nos últimos 50 anos, com particular incidência na agricultura e no turismo».
 
Para impedir ou pelo menos atenuar estes problemas, o BE refere que o governo «deve, com outras entidades públicas, fazer uma gestão preventiva da água, considerá-la como um recurso estratégico e mantendo-a sob a esfera pública, recusando os chamados “negócios da água” e cumprindo os princípios da Diretiva-Quadro da Água».
 
Para tal será necessário reduzir a procura da água através do aumento da eficiência da sua utilização nos diferentes setores, como nas regas. Não devem ser licenciados novos projetos agrícolas na região que utilizem culturas intensivas, «pois além de gastarem mais água, provocam graves danos ambientais». Os agricultores devem optar assim por culturas melhor adaptadas e mais resilientes. É preciso avançar com processos para a reutilização da água a partir das ETAR – para regas de jardins e campos de golfe, lavagens de ruas e fins industriais a agrícolas, são outras conclusões deste Encontro.
 
Por outro lado, as próprias empresas da região não se podem alhear do problema, devendo mesmo participar em projetos de pagamento de serviços dos ecossistemas, sendo necessário que haja «investimentos sérios», nomeadamente públicos, em projetos de futuro, como já acontece em alguns países que vivem com problemas de seca e escassez de água. Por exemplo, com o recurso aos hidropainéis nos edifícios públicos e à construção e centrais de dessalinização, utilizando as novas tecnologias e as energias renováveis. A Universidade do Algarve poderá ter uma importante função a desempenhar nesta vertente, aconselha o mesmo documento.
 
Uma outra conclusão a retirar do Encontro é que o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda irá apresentar algumas iniciativas, considerando os problemas existentes em torno da seca, a escassez de água e a sustentabilidade dos recursos hídricos no Algarve.