Segundo a ciência, construir a resiliência é desenvolver a capacidade de se adaptar e recuperar perante as adversidades, pressões e mudanças diárias.
De acordo com a cardiologista Tara Narula, no seu recente livro “O poder curativo da resiliência”, publicado pela Porto Editora, «a força mental protege o corpo contra o stress e as doenças».
A autora defende que cuidar da mente é cuidar do corpo, a forma como lidamos diariamente com o stress influencia a saúde do coração e o nosso bem-estar, por isso, é preciso prevenir e, nesse sentido, «a resiliência tem tanto valor prático como a medicação, a alimentação e o exercício físico».
A obra junta estas duas áreas para explicar a recuperação em momentos difíceis e oferece passos práticos para mudarmos a nossa reação aos problemas numa base científica suportada por casos reais, mas, acima de tudo, lança pistas para que nos tornemos mais resilientes.
No seu livro, Tara Narula estrutura as suas estratégias em torno da "Resposta de Resiliência", um plano prático com ferramentas essenciais para treinar a mente, atenuar o impacto físico do stress e ajudar o corpo a recuperar. As principais abordagens do livro dividem-se em pilares mentais, emocionais e relacionais para reeducar o sistema nervoso e promover o bem-estar.
Os cientistas na área do comportamento humano resumem estas estratégias práticas para desenvolver a resiliência, sendo importante realçar que as mesmas são acessíveis a todas as pessoas e, efetivamente, podem produzir resultados positivos no nosso dia a dia. Com este ponto de partida que pode ser aprofundado com outras leituras, siga os primeiros passos para ser mais resiliente:
• Cultive o autoconhecimento: tente conhecer-se e compreender-se melhor, identifique os seus limites e quando está a sair do seu eixo emocional;
• Foque-se no que consegue controlar: aceite que não pode controlar os acontecimentos ou as atitudes dos outros, mas pode escolher como quer reagir;
• Procure apoio social: estabeleça ligações fortes com amigos, familiares ou profissionais de saúde mental para partilhar o que sente e aliviar cargas emocionais;
• Encare os contratempos como temporários: veja as dificuldades e falhas como oportunidades de treino e de crescimento, e não como problemas intransponíveis;
• Pratique a autocompaixão: seja gentil consigo mesmo nos dias mais difíceis, reduzindo o autojulgamento excessivo;
• Adote pequenas ações específicas: em vez de se focar no problema global, divida os desafios em microações práticas que consiga realizar no dia a dia.
Um bom truque passa por escrever o que sente diariamente, quais são as principais dificuldades que encontra e expressar claramente nesse caderno tudo o que lhe passa pela mente, sem medo. Aos poucos, verá que consegue resumir cada vez mais e melhor o que lhe acontece e que se sente muito mais preparado para enfrentar novos desafios, aceitando que os obstáculos fazem parte da vida e que só controlamos o que depende de nós o que, para os cientistas, é sensivelmente setenta por cento das ações que realizamos ao longo do dia. O restante depende de terceiros, logo, temos de saber lidar com as adversidades e aceitar que nem sempre damos a melhor resposta porque somos humanos, frágeis e não sabemos tudo, mas podemos sempre aprender com as dificuldades e ganhar novas experiências.