Sociedade

Exames nacionais: FRAP Algarve diz que alunos não podem pagar pelas falhas do sistema

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A Federação Regional de Associações de Pais do Algarve - FRAP refere que tem estado a acompanhar "com profunda preocupação" o processo de classificação dos exames nacionais e a divulgação das respetivas notas.

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Lamenta as falhas técnicas, as dificuldades sentidas na correção das provas, as alterações de calendário e a informação "que nem sempre chegou às escolas, aos alunos e às famílias de forma clara e atempada criando uma ansiedade que não pode ser ignorada".

Numa nota divulgada, a FRAP Algarve fala de jovens que aguardavam o resultado de anos de trabalho e de famílias que, durante vários dias, não sabiam quando seriam conhecidas as classificações nem quais poderiam ser as consequências dos problemas verificados. "Para quem vive este momento, não se trata apenas de um atraso ou de um constrangimento técnico. Trata-se de decisões, de expectativas e, muitas vezes, do futuro imediato de cada aluno".

A Federação entende que o atraso na afixação das pautas, não "pode ser reduzido a uma falha informática", salientando que "houve problemas de preparação, de organização e de capacidade de resposta que devem ser esclarecidos e que exigem responsabilidade política" e fundamenta que quando se altera um processo com esta dimensão "com impacto direto na vida de milhares de alunos, é obrigação de quem decide garantir antecipadamente as condições técnicas, humanas e organizacionais necessárias", sendo "indispensável testar, prever dificuldades e dispor de soluções de contingência que evitem que sejam os alunos e as famílias a suportar as fragilidades do sistema".

A FRAP Algarve exige uma garantia "clara" de que nenhum aluno será prejudicado por atrasos, falhas de processamento ou dificuldades na divulgação das classificações. Também não aceita que as responsabilidades sejam transferidas para os professores classificadores, para as direções ou para os trabalhadores das escolas, explicando que foram estes profissionais que, "mais uma vez, tiveram de gerir a pressão, esclarecer as famílias e tranquilizar os alunos, muitas vezes sem terem recebido toda a informação necessária. Reconhecer o que falhou implica igualmente reconhecer o esforço de quem procurou assegurar o funcionamento do processo nas condições que lhe foram dadas".

Exige ainda que se perceba o que falhou, por que razão falhou, que mecanismos de acompanhamento existiam e que medidas serão adotadas para impedir que se repita: "Não se trata de procurar culpados para alimentar uma discussão partidária. Trata-se de apurar responsabilidades, corrigir procedimentos e recuperar a confiança das comunidades educativas", enfatiza a nota. 

A FRAP Algarve defende três respostas que considera essenciais: garantir que nenhum aluno sofre qualquer prejuízo; realizar uma avaliação transparente e independente de todo o processo; e preparar, antes da próxima época de exames, um verdadeiro plano de contingência, em que as organizações representativas dos pais, dos alunos, dos professores e das direções escolares devem ser ouvidas nesta avaliação e na construção das soluções.

Refere que a educação não pode continuar a viver da gestão de crises, mas de planeamento, estabilidade e confiança, "mas sobretudo de decisões preparadas com rigor e com respeito por quem vive
diariamente a escola".