Ambiente

Expansão de aterros no Algarve não é solução sustentável para tratar lixo

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O presidente da associação ambientalista Almargem afirmou hoje que a expansão dos aterros sanitários no Algarve não “é solução sustentável” para tratar os resíduos sólidos urbanos e constitui uma violação da legislação nacional e europeia.

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Em declarações à agência Lusa, Edgar Ribeiro sublinhou que a aposta no aumento da capacidade de deposição em aterro configura “uma clara violação da legislação em vigor e das próprias diretivas comunitárias”, alertando para a necessidade de cumprir as metas europeias, sobretudo no que diz respeito à fração biodegradável e orgânica.

O dirigente ambientalista alertou que os aterros existentes no Algarve, um no barlavento (oeste) e outro no sotavento (leste), deverão atingir a capacidade de saturação em 2028, considerando que a continuada deposição de resíduos indiferenciados agrava o problema e não é a criação de novas células que o resolve.

“Há um problema de base, e também de fundo legal, que se prende em como os resíduos orgânicos continuam a ser geridos no Algarve”, argumentou.

Edgar Ribeiro acrescentou que há um “claro incumprimento, com uma taxa de deposição em aterro bastante elevada, na ordem dos 80%, quando o indicado seria não ultrapassar os 10%”, referindo-se à fração biodegradável.

Além das falhas no tratamento, a associação aponta para dificuldades ao nível da separação na origem. “Há um problema grave na separação e níveis muito baixos de reciclagem a nível doméstico”, afirmou, acrescentando que a pressão turística intensifica a produção de resíduos e “cria uma pressão ainda maior sobre estas infraestruturas”.

Para a Almargem, a abertura de novas células de aterro constitui apenas “um penso rápido” que não resolve o problema estrutural.

“Se não resolvermos o problema a montante, nomeadamente a separação e o tratamento dos resíduos, essas novas células também vão atingir rapidamente a saturação”, alertou.

Como alternativa, a associação defende “o reforço urgente” da capacidade de tratamento mecânico e biológico, permitindo a criação de fluxos diferenciados.

“São unidades que fazem triagem mecânica de recicláveis e estabilização da fração orgânica, o que permite desviar cerca de 70% do volume dos resíduos dos aterros”, explicou.

Entre as soluções propostas estão também medidas já adotadas noutros países europeus, como a recolha porta-a-porta, a aplicação do princípio do “poluidor-pagador” e a criação de sistemas eficazes de triagem acessíveis à população.

Para Edgar Ribeiro, a expansão dos aterros deve ser “inviabilizada”, defendendo antes “a implementação de medidas de mitigação e um modelo integrado de gestão de resíduos”.

“Só assim será possível garantir uma política mais sustentável e alinhada com as boas práticas europeias”, concluiu.