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Faça um teste à sua maturidade emocional
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A maturidade emocional resulta basicamente de um processo que decorre ao longo da vida.
 
Não ocorre só porque se envelhece, muito menos porque assim se deseja. É uma consequência natural da forma como se participa nas experiências, como se analisam as situações e se consolidam os ensinamentos que daí podem ser colhidos.
 
Enquanto que o corpo cresce de forma quase linear, com a passagem das etapas, a maturidade é uma construção interior própria de cada indivíduo e da sua predisposição para compreender aquilo que lhe acontece e que o rodeia. Trata-se de um domínio que ultrapassa esse crescimento físico e que resulta somente das vivências.
 
Com esta afirmação, pode assegurar-se que, o desenvolvimento da maturidade emocional não ocorre em simultâneo com o desenvolvimento físico. Não é por acaso que, podemos encontrar um jovem com 18 anos mais imaturo emocionalmente que um adolescente com menos quatro ou cinco anos.
 
O mesmo se passa com um idoso que, percorreu todas as etapas de crescimento físico e que se confronta com uma incapacidade em resolver conflitos básicos do seu quotidiano.
 
Os especialistas são unânimes ao afirmar que, “para atingir a maturidade emocional, é muito importante que aprendamos a cicatrizar as nossas feridas e não permitamos que elas nos impeçam de continuar a crescer”.
 
Ao mesmo tempo, é fundamental “deixarmos de nos queixar e passemos a ter atitudes que permitam mudar as coisas”.
 
Um dos primeiros sinais de maturidade emocional é “não precisar de julgar ou culpar algo ou alguém pelo que acontece comigo”.
 
Para Anthony de Mello, “a maturidade emocional não se aprende nos livros; mesmo que sejam excelentes manuais de orientação. Tudo porque a maturidade resulta das vivências e das experiências que daí podem ser retiradas”.
 
Neste sentido, “a única forma de aprender é mesmo através da tentativa e erro – a tal experiência que resulta do confronto com aquilo que somos e aquilo que acreditamos ser, até que percebamos que temos de fazer algo novo para prosseguir”.
 
De acordo com o mesmo autor, maturidade emocional quer dizer “viver muito e assumir a maior parte da aprendizagem que temos pendente”.
 
Anthony de Mello, garante que, “amadurecer significa que alguém chegou a uma determinada fase de vida com a certeza de que o amor mais poderoso, útil e insubstituível é o amor próprio”.
 
Isso quer dizer que, “o sujeito tem a cabeça tão ‘mobilada’ quanto o coração”.
 
Significa que “o indivíduo aprendeu a aceitar o que está para vir e a fluir com a vida. Quer dizer que, se consegue assumir sentimentos, pensamentos e aceitar uma mudança quando ela é necessária. Significa também que existe um controlo emocional”.
 
Para que possa avaliar a sua maturidade emocional, Anthony de Mello, propõe alguns pontos de reflexão:
 
1. As pessoas emocionalmente maduras, “deixam ir para permitir chegar”.
 
Dizer adeus é uma arte que envolve manter-se firme numa posição de não retorno; apesar de toda a angústia, somos confrontados com um horizonte de possibilidades que o adeus nos dá.
 
Dizer adeus dói, faz a alma estremecer, obriga a fechar a janela para não voltar a contemplar para sempre essa tristeza. No entanto, quando estamos diante de uma causa perdida, temos que ser hábeis e planear bem a nossa saída.
 
Respire profundamente e solte, feche a janela para a desilusão e o desencanto. Dizer “até logo” apenas contribui para que continuemos tendo a sensação desse ardor tão frio e tão sufocante que não nos dá tréguas.
 
Para Anthony de Mello, “as pessoas sabem que a vida é muito melhor quando vivida em liberdade, então deixam ir embora o que não lhes pertence, e permitem-se suportar o sofrimento para curar as feridas. Não são super-heróis, nem super-heroínas: são pessoas que não esperam novas portas se abrirem para fechar outras”.
 
2. As pessoas emocionalmente maduras, “não permitem que o seu passado emocional estrague o seu presente.
 
“É difícil não deixar que, as nossas feridas emocionais condicionem quem somos ou como nos comportamos no presente. Na verdade, grande parte da população está sujeita ao seu passado emocional”.
 
Para Anthony de Mello, “erradamente tendemos a acreditar que, olhar para o passado é uma perda de tempo, que o passado ficou noutra época e que não é necessário limpar o nosso interior. Desta forma, “os resíduos” vão-se acumulando e criando uma enorme dor emocional, cada vez maior”.
 
Na prática, é como se um alérgico ao pó, permanecesse em casa sem a limpar”.
Com toda essa acumulação de sofrimento, não há espaço para desfrutar do tempo presente, para ver as oportunidades e até para avançar em termos emocionais. É algo que fica preso e que não nos permite crescer.
 
“As pessoas que têm atingido um certo grau de maturidade emocional são capazes de encerrar etapas, embora saibam que é um processo duro, que exige um esforço que muitas vezes é difícil de realizar”.
 
3. As pessoas que atingiram um determinado grau de maturidade emocional, procuram alternativas ao que não lhes faz bem. “Se algo as incomoda, aceitam e mudam”. Para isso, “é preciso ter em conta que, só muda quem se aceita tal como é”.
 
Se é do tipo de pessoa que reage mais do que reclama, então considere-se emocionalmente maduro!
 
Um outro privilégio emocional que poucas pessoas sentem é “poder dar-se ao luxo de cometer erros sem se culpabilizar, isto porque há uma aceitação das limitações e uma consciência desperta para as trabalhar e melhorar.
 
As pessoas mais amadurecidas emocionalmente “encaram os erros e as insatisfações como oportunidades de crescimento, sempre e sem exceção”.
 
Neste ponto, Anthony de Mello, acrescenta: “as nossas loucuras não têm que envolver penitências ou sentenças desnecessárias, porque conseguir ver e entender o caminho de outra forma nos exime de toda a culpa”.
 
5. As pessoas emocionalmente maduras, sabem abrir o seu coração aos outros.
 
“As máscaras e os escudos que usamos atualmente pertencem ao passado. É uma forma como qualquer outra de continuar a carregar os conflitos passados e as feridas não cicatrizadas”.
 
A única maneira de amadurecer, “é afastar o medo da entrega e do compromisso, confiar em si mesmo, na sua relação com os outros e aproveitar o tempo sozinho ou acompanhado.
 
As pessoas emocionalmente maduras “aceitam a vida com os seus prós e contras. Não mascaram a realidade só porque têm medo de a encarar. Choram e riem quando sentem essa necessidade. Conhecem o valor de permitir que, os outros vivam de acordo com a sua evolução, as suas crenças e orientações pessoais”.
 
Assim, a maturidade emocional é uma valiosa recompensa que nos permite ter algum controlo sobre a nossa vida, desfrutar de momentos de prazer, aceitar novos desafios e oportunidades, bem como assumir que “sentir emoções é um prazer e não uma pesada tarefa”.
 
Fátima Fernandes
 
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