Periodicidade: Diária | siga-nos | seja fã
PUB
 

Férias: a dor de cabeça dos pais?

Férias: a dor de cabeça dos pais?
Imprimir Partilhar por email
26-03-2015 - 10:33
Com a interrupção letiva que se vive nesta quadra, vale a pena recordar as palavras de “uma mãe em apuros” e, quem sabe, reformular o conceito de férias e do tempo que se passa com os filhos.
 
É tempo de Páscoa, é uma época de renascimento para os católicos e de reflexão para todos.
 
As palavras desta mãe, podem ser as suas, as minhas, as nossas… quem sabe.
 
«Aquela tarde em que eu e os meus filhos ficámos de castigo foi prova de que fazer a vez das consolas, da televisão e dos computadores não é fácil. Tira-nos dos sofás para sermos pais.
 
Como as férias são longas e a paciência não, as relações entre pais e filhos azedam com frequência e facilidade durante esta quadra que se diz de paz, amor e de oportunidade para descobrir algo novo em nós.
 
Não é fácil. As crianças estão excitadas com os doces. São os chocolates, as amêndoas, os coelhos enfim… é tudo em excesso. É o açúcar, é a energia, é a família que aproveita para se reunir em torno desta quadra.  
 
Os pais estão falidos com os presentes do natal que só passou há três meses e cuja memória ainda está próxima. Estão desgastados com preparativos, arrumações da casa e a pensar no reencontro familiar.
 
Não é fácil controlar a paciência. E foi por isso que, no outro dia, os meus filhos ficaram todos de castigo. Um castigo à antiga, coisa séria, tradicional e conservadora: durante um dia não puderam sair de casa, ver televisão, jogar consola ou mexer nos telemóveis e computador. Eles estranharam: "Já fizemos muito pior e não ficámos de castigo", reclamou um deles. 
 
Não cedemos. Os primos não vieram nesse dia, a televisão manteve-se silenciosa e tudo o que precisa de electricidade adormeceu. Restava-lhes ler, falar uns com os outros, dormir, estudar ou recorrer aos jogos de tabuleiro que vão acumulando o pó de uma década. Fizeram de tudo um pouco, mas passaram a maior parte da tarde a conquistar o mundo no Risco. 
 
Claro que eu também. Claro que este castigo me saiu caro porque me arrastou do sofá e de uma sessão da tarde para uma mesa de jantar com o objetivo de entreter cinco crianças que estão tão habituadas aos jogos de tabuleiro como ao hóquei no gelo. Claro que ganhei e, por isso, tive de jogar mais um e perder.
 
No dia seguinte, as crianças acordaram novamente livres. As portas de casa voltaram a abrir-se e todos os aparelhos electrónicos ganharam novamente vida. 
 
Mas a criançada voltou a sentar-se à mesa para jogar ao Risco. Do Risco passaram ao Cluedo e agora não há bola que os tire de casa nem filme que os distraia do mistério. Porquê? "Porque assim a mãe brinca connosco", dizia um deles. Apanhada.
 
Nós, pais e adultos em geral, gostamos muito de dizer que as crianças de hoje não sabem brincar e que não lêem, que são viciadas em televisão, que não socializam, que não têm imaginação e que são adversas a um pensamento mais elaborado porque os jogos que jogam e os programas que vêem transformaram-nos em autómatos com o cérebro atrofiado. Mas ao mesmo tempo que achamos, convictamente, tudo isto, damos-lhes telemóveis, tablets, 200 canais à escolha e consolas. 
 
E quando lhes damos um livro, procuramos a versão em filme para lhes facilitar a compreensão da leitura. Também numa viagem de carro que dure mais de meia hora, levamos as consolas para elas se entreterem em silêncio em vez de cantarem ou de passarem o tempo a repetir as matrículas. 
 
E no fim agradecemos a todos os génios da informática pelas tardes que passámos em silêncio, pelas viagens calmas e serenas e pelos fins- -de-semana harmoniosos em que a criançada está toda agarrada às novas e silenciosas tecnologias em vez de estar aos gritos, a fazer perguntas, birras ou correrias.
 
Não ter nada disto dá trabalho. Aquela tarde em que eu e os meus filhos ficámos de castigo foi prova disso. Fazer a vez das consolas, da televisão e dos computadores não é fácil. 
 
Tira-nos dos sofás, dos nossos computadores e das nossas televisões para sermos pais. Para ouvirmos e brincarmos com os nossos filhos, para os ensinar a jogar em vez de ser ao contrário - porque, se das consolas percebem eles, do Risco ou do Monopólio sabemos nós. 
 
O novo mundo não está mal e as tecnologias não são o demo, o que está mal é a falta de opções que insistentemente damos aos nossos filhos: se eles soubessem que existe vida para além dos computadores e das consolas, de certeza que as listas de Natal seriam outras.
 
Se eles soubessem que têm um mundo real pela frente, teriam um direito maior: Ser felizes!
 
Já pensou nisto?
 
 
 
COMENTÁRIOS
 
MAIS NOTÍCIAS
-

Relações duradouras voltam a estar na moda



-

Pessoas “boas” gostam de se rodear de gente feliz



-

O que mudou na educação nos últimos anos?



-

Como lidar com “crianças- adultas”?



-

As redes sociais e a ansiedade



PUB
 
MAIS LIDA ONTEM
ASAE leva Segurança Alimentar à Biblioteca Municipal de Faro

ASAE leva Segurança Alimentar à Biblioteca Municipal de Faro

ver mais
 
 
  
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Liga NOS:Portimonense foi ao Bessa vencer por 2-0 (C/VÍDEO)

Liga NOS:Portimonense foi ao Bessa vencer por 2-0 (C/VÍDEO)

ver mais
 
Nadadora de Faro bate recorde europeu

Nadadora de Faro bate recorde europeu

ver mais
 
PCP denuncia possível encerramento da estação de correios de Aljezur

PCP denuncia possível encerramento da estação de correios de Aljezur

ver mais
 
 
 
 
Allô Pizza Escola de Condução C.C.S Loja das Taças Restaurante Os Arcos
» Sociedade» Fichas de Leitura» Desporto» Click Saúde
» Economia» Figuras da nossa Terra» Política» CX de Correio