Economia

Frusoal investe 515 mil euros em laboratório para estudar praga que ameaça citrinos no Algarve

Fotos - Frusoal
Fotos - Frusoal  
A Frusoal, organização de produtores de citrinos, com sede em Vila Nova de Cacela, apresentou, na sexta-feira, o Laboratório Frusoal InovCitrus, num investimento de 515 mil euros.

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O espaço inovador, dedicado à investigação e vocacionado para as culturas dos sócios produtores de citrinos da organização, vai debruçar-se sobre a determinação da fenologia e ciclo de vida dos tripes em pomares de citrinos do Algarve, dando resposta à escassez de conhecimento científico sobre este inseto tripes oriundo da África do Sul (Scirtothrips aurantii), que já é uma ameaça fitossanitária emergente para a citricultura algarvia. 

Classificado como praga de quarentena na União Europeia, o Scirtothrips aurantii foi detetado pela primeira vez em Portugal em dezembro de 2022, no concelho de Tavira. Desde então, as zonas demarcadas multiplicaram-se: em janeiro de 2026, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária - DGAV contabilizava no Algarve 106 zonas demarcadas para esta espécie, cinco para Scirtothrips dorsalis e duas com a presença de ambas.

O inseto alimenta-se de tecidos jovens, como rebentos, folhas e frutos em desenvolvimento, e provoca cicatrizes na epiderme do fruto, junto ao pedúnculo. Os danos são essencialmente estéticos, mas podem tornar o fruto não conforme para comercialização em fresco, com prejuízos económicos relevantes para os produtores acima dos 50% (quando normalmente andam na ordem dos 20%, particularmente nos frutos da lima e limão). Com ovos de menos de 0,2 mm e adultos de cerca de 1 mm, a sua identificação exige lupas e microscópios de elevada ampliação, sendo que o conhecimento científico sobre a espécie no contexto europeu continua escasso.

Em comunicado, a Frusoal avança que, ao longo dos próximos três anos, o projeto vai avaliar a dinâmica populacional da praga em pomares do Algarve, em laranja, tangerina, limão e lima, cujos dados recolhidos servirão de base para o desenvolvimento de estratégias de proteção mais eficazes e sustentáveis.

A iniciativa é desenvolvida em colaboração com o InnovPlantProtect, entidade especializada em entomologia agrícola, com o apoio do Centro de Experimentação Agrária de Tavira (CCDR Algarve), contando com a coordenação da equipa técnica da Frusoal.

As atividades decorrerão em pomares da Frusoal e dos seus associados e em campos do Centro de Experimentação Agrária de Tavira.

“Há três anos que a citricultura algarvia convive com uma praga sobre a qual sabemos ainda muito pouco. O InovCitrus nasce para transformar essa falta de conhecimento em decisões práticas e eficazes para os nossos produtores”, refere Tomás Magalhães, técnico responsável pelo primeiro projeto da  Frusoal InovCitrus.

Este projeto é apenas o primeiro passo do Frusoal InovCitrus que, além do combate a pragas e doenças, tem como objetivo encontrar novos aproveitamentos para subprodutos e estudar métodos e práticas de cultivo que contribuam para uma agricultura mais sustentável.

“Queremos um laboratório com os pés nos pomares: que trabalhe de perto com o sistema científico regional e nacional, mas sempre com uma visão prática, orientada para quem produz. A nossa ambição é afirmar o Frusoal InovCitrus como referência de conhecimento para a agricultura algarvia e a citricultura nacional”, conclui João Duarte, diretor financeiro da Frusoal.