Este aumento acontece num contexto de forte tensão geopolítica no Médio Oriente, com os preços do petróleo pressionados pelo encerramento do estreito de Ormuz e pela volatilidade dos mercados internacionais.
Com base nos valores atuais da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e nos aumentos divulgados à Lusa pela Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis ANAREC tendo em conta os valores da abertura do mercado, a partir de segunda-feira, o preço médio da gasolina simples 95 deverá situar-se nos 1,883 euros por litro, enquanto o gasóleo simples poderá atingir os 1,937 euros por litro.
A média final só ficará fechada ao final do dia, podendo ainda registar alterações em função da evolução das cotações internacionais do petróleo, e o custo final na bomba poderá variar conforme o posto de abastecimento, a marca e a localização.
O aumento ocorre após o fecho do petróleo de quinta-feira em Londres, com o barril de Brent para entrega em maio a subir mais de 9% para 100,46 dólares, o valor mais alto desde 2022, impulsionado pelas declarações do Irão sobre o encerramento do estreito de Ormuz. O preço fechou 9,22% acima do do dia anterior, quando o Brent registou 91,98 dólares.
O novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, anunciou que o bloqueio de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do comércio marítimo de hidrocarbonetos, deverá ser prolongado.
Em resposta, os 32 países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) decidiram libertar 400 milhões de barris das reservas estratégicas para compensar a perda de abastecimento devido ao encerramento do estreito. Esta é a sexta vez que a AIE coordena a liberação de reservas estratégicas, sendo a quantidade libertada mais do dobro da intervenção recorde durante o início da guerra na Ucrânia.
No plano interno, o Governo anunciou que manterá o mecanismo de descontos nos combustíveis caso os aumentos na próxima semana ultrapassem os 10 cêntimos por litro. O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, afirmou no final do Conselho de Ministros que o regime definido permanece em aplicação e garante que “o Estado não fica a ganhar à conta dos consumidores”.
Na sexta-feira passada, o executivo avançou com a implementação de uma “redução temporária e extraordinária” de 3,55 cêntimos por litro no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) aplicável ao gasóleo rodoviário no continente, medida anunciada pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, para compensar eventuais aumentos superiores a 10 cêntimos.
O ministro Leitão Amaro sublinhou ainda que a continuidade do mecanismo visa dar previsibilidade aos consumidores e evitar medidas que apenas beneficiem operadores, reforçando que “existe um mecanismo de devolução para garantir que o Estado não fique a ganhar à conta dos contribuintes porque os preços aumentam”.
“Portanto devolvemos os impostos a mais através de um desconto no imposto sobre os combustíveis, a partir do momento em que o aumento ultrapassou ou ultrapassar os 10 cêntimos no preço por litro”, precisou.
A guerra foi desencadeada pela ofensiva de grande escala lançada contra o Irão pelos Estados Unidos e por Israel em 28 de fevereiro.
O Irão respondeu com ataques contra os países vizinhos e contra petroleiros no estreito de Ormuz.