Sociedade

Gestão da água do Município de Lagoa é caso de estudo internacional

Fotos - CM Lagoa
Fotos - CM Lagoa  
O Município de Lagoa recebeu, no passado dia 5 de junho, uma delegação da Roménia composta por representantes do Banco Mundial, da Autoridade Nacional de Regulação dos Serviços Comunitários de Utilidade Pública (ANRSC), dos Ministérios do Investimento e Projetos Europeus e do Ambiente, Águas e Florestas da Roménia, bem como de entidades gestoras de abastecimento de água daquele país.

PUB

A visita realizou-se no âmbito do projeto "Reducing Water Losses for Sustainable Water Management in Romania", promovido pelo Banco Mundial, que tem como objetivo apoiar a redução das perdas de água e melhorar a eficiência dos sistemas de abastecimento, tendo Lagoa sido selecionada como um caso de estudo e exemplo de boas práticas, «em resultado do trabalho desenvolvido nos últimos anos na gestão eficiente dos recursos hídricos», lê-se em nota enviada ao Algarve Primeiro.

Durante a visita, os participantes conheceram as principais medidas implementadas pela autarquia para reduzir a água não faturada e as perdas reais de água, num contexto particularmente desafiante marcado pelos períodos de seca prolongada que têm afetado a região do Algarve.

O trabalho desenvolvido assenta numa estratégia iniciada com a elaboração, em 2021 e 2022, dos Planos de Gestão Patrimonial de Infraestruturas, que permitiram definir um conjunto de ações estruturantes para a melhoria do desempenho operacional da rede de abastecimento. A implementação destas medidas intensificou-se a partir de 2023, incluindo a criação de Zonas de Medição e Controlo (ZMC), Zonas de Pressão Controlada (ZPC), renovação de condutas, pesquisa de fugas, substituição de contadores e reforço da capacidade de monitorização e gestão da rede, explica a autarquia na mesma publicação.

Entre os investimentos realizados está a criação de 58 Zonas de Medição e Controlo e 11 Zonas de Pressão Controlada, a reabilitação de mais de 43 quilómetros de rede de abastecimento e a renovação de centenas de ramais domiciliários. Intervenções que incidem sobre uma rede municipal de abastecimento com cerca de 393,3 quilómetros de condutas, representando um investimento global superior a 10,4 milhões de euros, financiado em cerca de 8,9 milhões de euros pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e pelo Programa Regional Algarve 2030.

Entre 2022 e 2025, a percentagem de água não faturada reduziu-se de 41,5% para 29,7%, enquanto as perdas reais diminuíram de 370 para 158 litros por ramal por dia.

Para o presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Luís Encarnação, esta visita representou "o reconhecimento internacional do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelo Município na promoção da eficiência hídrica e da sustentabilidade dos serviços de abastecimento de água. A partilha de conhecimento e de experiências entre entidades de diferentes países é fundamental para enfrentar os desafios comuns associados à gestão dos recursos hídricos".

A visita incluiu apresentações técnicas, partilha de resultados e deslocações ao terreno para observação de algumas das intervenções realizadas, permitindo à delegação conhecer de perto as soluções adotadas pelo Município de Lagoa.