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Há pessoas que estão sempre insatisfeitas com tudo. Sabe porquê?
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A satisfação é algo difícil de medir, na medida em que é pessoal, mas de um modo geral, percebe-se quando uma pessoa está insatisfeita com tudo e reclama “por tudo e por nada”.
 
Basicamente define-se que uma pessoa é insatisfeita quando a mesma não consegue valorizar e apreciar as coisas positivas que tem e que conquista.
 
A causa dessa insatisfação permanente está relacionada com uma carência afetiva que parece não ter fim à vista. Na realidade, o ser humano tem sempre uma necessidade de ter mais, de construir mais, mas acaba por se sentir realizado com as pequenas conquistas que vai fazendo e dando lugar a novos sonhos e projetos, ficando satisfeita com o que já tem.
 
Esse é um processo natural que nos move para a procura, para o alimento da curiosidade, para a procura de mais conhecimento e daí por diante.
 
As pessoas satisfeitas conseguem valorizar e evidenciar aquilo que já conseguiram e preparam-se para procurar o passo seguinte. Sentem-se bem com muito menos do que se possa imaginar. Entendem a abundância como tendo o essencial e não perdem tempo à procura dos excessos.
 
As pessoas satisfeitas sabem que, a felicidade se encontra em várias dimensões da vida humana e não somente no dinheiro ou na realização profissional. É gratificante a realização profissional, como é ter um bom parceiro amoroso ao nosso lado, ter conforto condições de higiene, uma vida criativa e tempo para estar consigo mesmo.
 
Para estarmos satisfeitos precisamos de encontrar o bem-estar a esses níveis, sendo que o amor está no topo das prioridades. Quem encontra uma relação estável e feliz tem mais predisposição para estar satisfeito do que quem encontra só a realização profissional.
 
Pelo contrário, as pessoas insatisfeitas provavelmente não têm esse preenchimento emocional e acabam por procurar compensações desenfriadamente nunca encontrando o estado de satisfação; o bem-estar, a mente plena porque se perdem com aquilo que não têm em vez de se concentrarem no que podem ter e vir a conquistar.
 
Para a psicóloga Jaqueline Pitchon, o ser humano é um ser de faltas, pois é o desejo pelo que não tem que o move. O ser humano precisou usar a criatividade para alcançar algo melhor, mas é o exagero disso o problema.
 
Quando a pessoa sente uma falta, mesmo conquistando o que deseja, algo não está bem.
 
Num estudo da psique humana, analisa-se como as carências afetivas se deslocam para outros áreas do nosso cérebro, pelo que, as pessoas podem canalizar essa falta constante de algo, por exemplo, adquirindo hábitos ou vícios preocupantes. Há por exemplo quem transfira a carência emocional para o trabalho, para as compras, para rituais estranhos e daí por diante.
 
A mesma psicóloga esclarece que existe uma diferença entre a insatisfação específica e a generalizada.
“Quando a carência é específica, canalizada para um aspecto da vida, como o amor ou a profissão, representa a frustração sobre uma escolha errada”. Por exemplo, a insatisfação no trabalho. Quando a pessoa não se satisfaz com nada, é porque não está satisfeita com ela mesma, que é um dos sintomas da depressão.
 
De um modo geral, é comum encontrarmos crianças com estes sintomas devido essencialmente à carência parental e, ao facto de os pais lhes compensarem a falta de atenção com presentes.
 
As crianças que são educadas e que se desenvolvem num ambiente de insatisfação, tenderão a repetir o que observam em casa, pelo que, é mais uma razão para alterar a nossa forma de estar e de pensar.
 
Ao mesmo tempo, uma pessoa insatisfeita com tudo tem mais dificuldade em fazer amizades, em desfrutar da vida, em progredir e em ser uma boa companhia, o que lhe aumenta a carência, pois acaba por estar sempre afastada desses grupos.
 
O psicólogo Mário Vieira Serra, destacou algumas motivações para a insatisfação constante: problemas no presente;  dificuldades em se focar nas coisas boas do momento; aprendizagem com os pais ou com quem o educou para a ideia de que a vida deve ser vivida dessa forma; sonhar com o futuro ideal, sem condições para viver o presente real.
 
O mesmo psicólogo diz que, a pessoa insatisfeita pode estar a passar por dois processos na vida: a insatisfação com ela mesma ou a compulsão por reclamar.
 
Serra esclarece que, a mania de se queixar negativamente pode acarretar problemas para a saúde. O psicólogo explica que: "Tendo essa postura, a pessoa vai levar uma vida sempre negativa, com sentimentos de autodestruição e podendo cair em profunda depressão".
 
A mudança, para esses casos, “deve vir de dentro para fora”. A pessoa deve olhar para si mesma na procura de entender o que lhe causa um estado permanente de insatisfação e, a partir daí, pedir ajuda que, em muitos casos, será de um psicoterapeuta que a ajudará a conhecer-se e a compreender-se melhor para encarar a vida com mais alegria e bem-estar.
 
Ao sinalizarmos o que nos causa essa insatisfação, aprendemos a ultrapassá-la e a encontrar alternativas, o essencial é que não se considere normal viver neste estado de insatisfação permanente. Temos de encontrar o equilíbrio entre o que realmente nos faz falta e aquilo que julgamos que poderia preencher-nos essa carência e que nunca resulta em satisfação.
 
Fátima Fernandes
 
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