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“Há um dia em que a alma nos rebenta nas mãos”
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Esta frase amplamente conhecida pelos nossos leitores, resume muito bem aquilo que nos acontece quando vamos deixando acumular situações na nossa vida.
 
O nosso cérebro está equipado para ir resolvendo os problemas e para só dar lugar a novas situações quando as anteriores estão compreendidas. Muitas vezes, ultrapassamos “estes limites de velocidade” colocados pelo nosso sistema biológico e acabamos por ter de nos confrontar com um acumular de situações.
 
Em muitos casos, só conseguimos superar este desgaste e excesso com apoio psicoterapêutico, em situações mais leves, cada um de nós volta a organizar-se e, aos poucos, vai encontrando soluções para os seus problemas. É disso que se trata, sermos capazes de ir resolvendo os nossos problemas à medida em que estes nos vão surgindo, mas a necessidade de aceder sempre a algo novo e o excesso de confiança nas nossas capacidades, faz com que não respeitemos os limites naturais da nossa constituição enquanto humanos.
 
Temos limites, certamente que todos já passaram por momentos em que puderam comprovar isso, pelo que, deixar passar uma e outra situação sem uma resposta atempada e atenta a nós mesmos, não é de facto a melhor opção.
 
É verdade que todos caímos na esparrela de acharmos que conseguimos dar resposta a tudo ao mesmo tempo. Se assim não fosse, não teríamos números assustadores de depressão e de pessoas com as mais variadas queixas a nível do sono por exemplo. Isso revela bem que estamos a viver acima das nossas capacidades e, não estou a falar só do ponto de vista financeiro, refiro-me também às muitas situações que acumulamos no nosso quotidiano, como aqueles “não” que se evitam e que nos custam muito caro mais tarde.
 
Efetivamente, só quando aprendermos a dizer “não” aos outros e “sim” a nós mesmos, é que poderemos encontrar uma forma de vida mais equilibrada. Refiro-me por exemplo à sobrecarga que já tem no trabalho, mas que não é capaz de negar mais uma função para evitar problemas com o chefe, refiro-me à necessidade de descansar ao fim de semana, mas os compromissos com os sogros falam mais alto, refiro também a falta de tempo para ir à reunião da escola do filho porque se tem um café atrasado com uma amiga, enfim, refiro-me a esta necessidade de estabelecermos prioridades em prol dos nossos interesses para evitarmos descarregar sobre os outros a culpa da nossa má gestão do tempo e da realidade que vivemos.
 
Alguém que diz “sim” a tudo, é do tipo de pessoa que não olha para si mesma, para a sua felicidade e interesses, mais cedo ou mais tarde, vai acabar por entrar em conflito com toda a gente porque ela mesma não soube proteger-se. Sim, entendo perfeitamente que às vezes é mais fácil aceitar para evitar uma discussão que, aparentemente nos vai desgastar mais do que ir ou fazer, mas e depois, como é que gere a sua autoestima e a cobrança desses sacrifícios?
 
Aparentemente é simples aceder a tudo para evitar confrontos, o problema é quando percebemos que ninguém nos agradece esse esforço, muito menos nos retribui esse sacrifício com as suas ações ou simples gratidão.
 
Será preciso antecipar as consequências dos nossos silêncios forçados para os evitarmos? Naturalmente que este é o caminho a iniciar agora mesmo. Enquanto está a ler esta dica, ouviu o seu telemóvel dar um toque de mensagem… nem lê concentrado porque está já a pensar na pessoa que está a cobrar um café ou uma visita! Que fazer? Deixar o telemóvel e continuar a ler se isto lhe está a interessar.
 
Dei-lhe um exemplo prático do que nos acontece a todos ao longo do dia e, se fizermos um balanço sério, vamos perceber que, afinal não temos a realização de que gostaríamos mesmo acedendo ou respondendo prontamente ás mensagens, aos convites e a tudo o que nos preenche a mente para além do já desgastante trabalho e da vida familiar.
 
Claro que é importante manter a vida social, mas acima de tudo, é essencial ter uma atitude positiva perante si mesmo e perante as suas escolhas. Temos uma vida social gratificante quando estamos preenchidos em termos familiares e no trabalho. O tempo que nos resta, se é que nos resta muito, pode ser aproveitado para um encontro com amigos ou com os familiares mais distantes, mas a gestão é sempre da sua total e inteira responsabilidade.
 
Claro que, quando disser pela primeira vez que não vai almoçar esse fim de semana à casa da mãe ou da sogra, isso será mal encarado e, é natural que as pessoas fiquem magoadas pela falta de hábito, mas aí é que está, o hábito. Se isso passar a ser recorrente e deixar para o regime de exceção essa saída ao fim de semana, todos passarão a encarar com normalidade.
 
O mesmo se passa com os amigos que aguardam a sua resposta nas redes sociais ou nas mensagens. Como era habitual dar-lhes o retorno acima de qualquer outro compromisso, é natural que vão estranhar a sua ausência até que percebam que, afinal só passa pela rede de vez em quando e vê o que lhe apetece!
 
Poderia evidenciar mais exemplos, mas penso que ficou claro que, para termos umas coisas, não podemos ter outras, razão pela qual nos cabe a nós escolher e fazermo-nos entender. No fundo, se alguém fica magoado com a sua recusa ou distanciamento, qual é o real problema disso? As pessoas aborrecem-se e esquecem-se mais tarde até se habituarem, agora se cada um de nós não zelar pela sua tranquilidade e bem-estar, certamente que também será esquecido quando estiver doente ou a sofrer as consequências de não ter rejeitado tantos compromissos sem conseguir… é mesmo assim que deve lidar com “a culpa” de ter mudado de atitude a partir deste momento.
 
Se cada um de nós conseguir ser feliz dentro do seio da sua família e no seu emprego, já é um ganho importante para todos, pois quando estamos bem, não fazemos mal aos outros e sabemos recusar um convite de forma educada. Depois, não tem qualquer problema ter poucos amigos, o problema é iludir-se de que tem muitos e, quando se apercebe do erro, pode já ser tarde demais, pois pode já ter deixado passar muitas oportunidades de ser feliz com outras pessoas. Não deixe que “a alma lhe recente nas mãos” para perceber que viver é muito simples, mas requer muita inteligência e respeito para consigo mesmo.
 
Fátima Fernandes
 
 
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