Sociedade

Habitação: Cerca de 200 pessoas manifestaram-se em Faro contra preços elevados das casas

Foto - Rita França - Lusa
Foto - Rita França - Lusa  
Cerca de 200 pessoas manifestaram-se hoje em Faro pelo direito à habitação, denunciando os elevados preços das casas no Algarve e exigindo soluções que permitam aos trabalhadores viver na região.

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Os manifestantes concentraram-se junto à entrada da cidade de Faro, empunhando cartazes com mensagens como "Morar nesta cidade é um luxo", "O Algarve não é para vender, é para viver", "Casas para morar, não para especular" e "Não é egoísmo querer uma casa para viver".

Em declarações à agência Lusa, um dos promotores do protesto cívico, Afonso Horta, considerou que a adesão “ultrapassou as expectativas”, com uma participação muito superior à esperada, tendo em conta que a concentração foi convocada com menos de 48 horas de antecedência.

Segundo o promotor, a dificuldade no acesso à habitação é um problema transversal a todo o país, afetando particularmente quem pretende trabalhar e fixar-se no Algarve, onde os preços praticados no mercado de arrendamento estão fora do alcance da generalidade dos trabalhadores.

Afonso Horta adiantou que, perante a adesão registada na concentração de hoje, o objetivo dos organizadores passa agora por alargar a mobilização, tendo em vista a realização de uma grande parada no próximo dia 14 de novembro.

Entre os participantes encontrava-se Cátia Figueiredo, de 26 anos, que continua a viver em casa dos pais por não conseguir alcançar a autonomia habitacional.

À Lusa, a jovem defendeu que as respostas dos governantes para a crise da habitação “não podem limitar-se” aos jovens até aos 35 anos, devendo “abranger todas as pessoas que enfrentam dificuldades” para suportar os encargos com a casa.

Cátia Figueiredo alertou para a situação de quem se vê obrigado a deixar de comer para conseguir pagar a renda, considerando que o problema exige medidas que tenham em conta a realidade de todas as faixas etárias.

Também Telma Assunção, outra das participantes na concentração, manifestou apreensão quanto ao futuro, relatando as dificuldades que enfrenta para sustentar uma casa arrendada onde vive com os dois filhos menores.

Segundo contou à Lusa, o salário que aufere não é suficiente para assegurar as despesas da habitação e as necessidades do agregado familiar, dependendo da ajuda financeira dos pais para conseguir manter um teto.

A manifestante admitiu que, sem esse apoio familiar, “ficaria numa situação de extrema vulnerabilidade”, podendo mesmo acabar a viver na rua.

A concentração juntou, assim, diferentes gerações em torno da reivindicação de condições de acesso à habitação compatíveis com os rendimentos de quem vive e trabalha no Algarve, numa mobilização que os promotores pretendem reforçar no próximo mês.