Os cientistas afirmam que os hobbies criativos e desafiadores «são considerados “um remédio santo” para o cérebro, já que retardam o envelhecimento cerebral, fortalecem a saúde mental e ajudam a criar conexões neurais mais eficientes».
Os mais recentes estudos revelam que praticar atividades criativas pode fazer o cérebro funcionar como se fosse até 5 a 7 anos mais jovem e que existem atividades recomendadas para obter esses resultados. Confira estas sugestões da neurociência:
Dançar: Combina movimento físico, ritmo e memória, funcionando como um treino completo que pode reduzir a idade biológica do cérebro.
Tocar instrumentos musicais ou cantar: Aprender ou tocar música estimula o cérebro de forma positiva, melhorando a consistência cognitiva.
Pintura e desenho: Atividades que exigem concentração e criatividade induzem um estado de flow (foco intenso), que reduz o stress e liberta dopamina.
Jogos de estratégia e videojogos: Estes jogos desafiam a atividade cognitiva ao mesmo tempo que melhoram o desempenho cerebral.
Aprender um novo idioma: Estudos indicam que aprender línguas estrangeiras é um excelente exercício para manter a agilidade mental.
Culinária criativa: Experimentar novas receitas exige foco e atenção, transformando a cozinha num exercício de prazer e desafio.
Jardinagem ou tricô: Atividades manuais e relaxantes que ajudam a reduzir o cortisol (hormona do stress).
A neurociência explica que estes hobbies desempenham um papel essencial porque combinam desafio, criatividade e prazer, capazes de gerar “reserva cognitiva” enquanto mantêm o cérebro mais preparado e ativo.
Ao jornal O Globo, um dos autores do estudo destaca que «a criatividade surge como um poderoso determinante da saúde cerebral, comparável ao exercício físico ou à dieta».
O médico Agustin Ibanez, do Trinity College Dublin, autor sénior do estudo, completa que "os nossos resultados abrem novos caminhos para intervenções baseadas na criatividade, visando proteger o cérebro contra o envelhecimento e doenças".
O estudo também mostrou que os relógios cerebrais, uma ferramenta relativamente nova que está a ganhar força na neurociência, podem ser usados para monitorizar intervenções destinadas a melhorar a saúde cerebral. No entanto, os investigadores alertaram que os resultados são preliminares e ressaltam que a maioria dos participantes eram adultos saudáveis, muitos subgrupos eram pequenos e o estudo não acompanhou os participantes a longo prazo para verificar se os cérebros com aparência mais jovem realmente levam a um menor risco de demência ou a um melhor funcionamento diário.
Segundo os cientistas, as pessoas criativas geralmente têm outras vantagens, como maior escolaridade, vida social ativa e melhor acesso às artes e atividades, e o estudo não conseguiu separar completamente esses fatores dos efeitos da própria criatividade. Nos próximos passos, os investigadores vão realizar estudos mais abrangentes de modo a aferir a relação entre a idade cerebral, a memória e o risco de demências em grupos mais alargados para verificar até que ponto estes hobbies poderiam ajudar a prevenir patologias mentais e melhorar o desempenho cerebral de pessoas que tiveram menos acesso ao conhecimento.
No entanto, os investigadores acreditam que, mesmo que uma pessoa só comece aos 50 ou 60 anos com um hobby que envolva desafio, prazer e criatividade, «os resultados são promissores no que se refere ao melhor desempenho cerebral».
Para já, o leitor pode aproveitar o seu tempo livre para fazer algo de que gosta, libertar o stress, desafiar-se e descobrir novas potencialidades. Escolha o hobby que melhor se encaixa consigo e ganhe mais anos de saúde cerebral.