Ambiente

IV Jornadas do Arade concluem que desassoreamento do rio Arade é urgente

 
O Museu de Portimão recebeu as IV Jornadas do Arade que terminaram com a promessa de uma reunião entre os municípios das Terras do Arade. Um dos temas a debater é o desassoreamento do rio Arade.

Nas IV Jornadas do Arade, organizadas pela Associação Teia D'Impulsos, foi feita uma análise à sub-região, debateram-se os desafios ao seu património fluvial e industrial, foram dados a conhecer projetos entre municípios e procedeu-se ao mapeamento do património cultural imaterial. O evento culminou numa tertúlia Teia D'Ideias Especial, no sábado à noite, com a palavra dos municípios das Terras do Arade sobre a valorização deste património comum.
 
O desassoreamento do rio Arade foi um dos temas quentes da tertúlia, levantado pelo Município de Silves, representado pelo Vereador Tiago Raposo: "Chegamos a um momento em que temos os quatro (territórios) de olhar, e com alguma urgência, para isto enquanto projeto conjunto nosso e de todo o Algarve". O vereador comentou que este desassoreamento e o alargamento do canal do Porto de Portimão estão "interligados" na medida em que "não queremos só que o rio seja navegável até Silves, precisamos que em Portimão também haja condições para receber cruzeiros e pessoas com o menor impacto ambiental possível". Para Tiago Raposo, "falta interesse conjunto, vontade política e financiamento" para um projeto desta dimensão, tanto a nível de toda a região como no panorama nacional. 
 
O presidente do Município de Lagoa, Luís Encarnação, assinalou o apoio incondicional da autarquia a este projeto adiantando que "não é um tema novo". Remonta a 2002-03 e a ideia era "permitir que as embarcações saíssem de Portimão, do cais junto aos restaurantes da sardinha, para evitar a primeira travessia da ponte rodoviária, e irem até Silves". Já na altura, Luís Encarnação "acreditava que teríamos todos a ganhar com isso" mas avançou que "não conseguimos sair da primeira reunião pois não nos entendemos sobre onde iríamos colocar as areias do desassoreamento". O autarca disse que:"Quando passamos da teoria à prática, é preciso estarmos de espírito aberto e percebermos que temos de encontrar soluções que sejam boas para todos."
 
O vice-presidente do Município de Monchique, Humberto Sério, recordou que apesar de Monchique "não partilhar uma margem do rio Arade" contribui em peso para o seu caudal, nomeadamente, através da Ribeira de Boina e da Barragem de Odelouca. O Município assume ser "importante distanciarmo-nos daquilo que é a interioridade, aproximando-nos cada vez mais destes concelhos do litoral". Já sobre a questão do desassoreamento, embora Monchique não beneficie diretamente com isso, Humberto Sério defendeu que "um dos grandes projetos que temos são passadiços e o Centro Interpretativo no Cerro do Castelo do Alferce", antigo posto de vigia para o Castelo de Silves, e que poderia ter mais visitantes dessa forma. "Têm de existir condições para nos sentarmos e fazermos uma análise SWOT, percebendo quais as mais e menos valias para cada município", sugeriu.
 
O Vereador com o pelouro do Urbanismo do Município de Portimão, João Gambôa, avançou que a autarquia tem um "masterplan para finalmente desenvolver a sua Zona Ribeirinha", visto ter agora essa jurisdição. O objetivo é "virarmos a cidade para o rio" e um dos investimentos será a criação de uma plataforma intermodal "para que as marítimo-turísticas possam operar até Silves e Grutas de Benagil". Mas não tem dúvidas de que "o que temos de fazer é desassorear o rio Arade porque esse é o nosso canal de comunicação".
 
Para João Gambôa existe uma "série de restrições de instrumentos de ordenamento do território e, até, uma cultura que se instalou em Portugal que não nos deixa fazer nada" e, a seu ver, "não é isto que desenvolve o património". A intervenção no património é que "faz com que se evolua e se não houver investimento não conseguimos valorizá-lo. Temos esta grande dificuldade de encontrar soluções sustentáveis e coordenáveis", defendeu.
 
O vereador acrescentou que "não podemos ser inocentes quando falamos todos num só Algarve" visto que temos "uma balança demasiado pendente para o Sotavento" para o chamado Triângulo Dourado, considerada a zona de maior prestígio da região, integrando a Quinta do Lago, Vale do Lobo e Vilamoura. Defende que o Algarve tem assim "dois pesos e duas medidas" e que "o Arade pode ser a charneira para atrair outro tipo de investimentos para que possamos caminhar no sentido de um todo equilibrado, desde Vila Real de Sto. António até Vila do Bispo".
 
O presidente de Lagoa deixou como nota final que "uma das grandes mais valias que nós temos no Arade, e que temos de saber explorar, é a complementaridade entre estes quatro municípios que partilham entre si o rio". Cada um destes territórios tem a sua identidade e agenda própria, mas deverá ter "a consciência de que há coisas que podemos fazer que são comuns a todos e que, das sinergias a criar, haja o sentimento de que todos vão ganhar".
 
Durante o discurso de encerramento do evento, o coordenador das Jornadas do Arade, Nuno Vieira, explicou que "tentamos ser esta voz da sociedade civil a apelar aos quatro concelhos para que cresçam em conjunto e para que nos valorizemos enquanto sub-região, pois ganharemos muito mais com isso". Já o presidente da Teia D'Impulsos, Luís Gonçalves, afirmou que "o Arade é um bom pretexto para nos juntarmos" e que a mensagem a transmitir é a de "valorizar o que nos une". Luís Gonçalves notou, ainda, que "estas Jornadas do Arade vão ter efetivamente uma consequência, que passará por uma reunião entre os quatro municípios, para que consigamos dar um passo sustentável de crescimento ao nível do Arade".
 
As IV Jornadas do Arade tiveram o apoio dos Municípios de Lagoa, Monchique, Portimão e Silves e das Juntas de Freguesia de Portimão, Alvor, Ferragudo e Monchique, Museu de Portimão e Amigos do Museu de Portimão, entre outras entidades.