O encontro que reuniu mais de 50 pessoas e apresentou os resultados das residências criativas, promoveu também a discussão sobre as condições necessárias para transformar a experimentação em soluções com aplicação na arquitetura, no design e na construção sustentável.
A abertura contou com as intervenções de José Apolinário, presidente da CCDR Algarve, Lurdes Serpa Carvalho, diretora da unidade de Planeamento e Desenvolvimento Regional da CCDR Algarve, responsável pelo desenvolvimento do projeto, Vítor Neto, presidente do NERA, e João Costa, em representação do Município de Faro.
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O enquadramento do programa e das residências criativas coube a Graça Palma, da Proactivetur, que apresentou os objetivos, a metodologia de trabalho e as dificuldades encontradas no desenvolvimento das propostas.
Segundo avança a CCDR numa nota publicada, "os trabalhos resultaram de um processo de cocriação entre unidades produtivas, artesãos, designers, arquitetos e investigadores, que exploraram novas possibilidades de utilização da cana, da casca de ostra, do barro e da taipa".
Os resultados da residência dedicada à casca de ostra foram apresentados pela Graça Palma, da Proactivetur, que explorou a incorporação deste material em diferentes misturas, incluindo com taipa, cal e barro, procurando novas possibilidades de valorização deste recurso. Na área da cana, Susana Carmo e Cláudia Martins apresentaram três propostas de produto com foco no isolamento térmico, desenvolvidas através de etapas de pesquisa, experimentação, avaliação e aperfeiçoamento.
O trabalho com os Telheiros de Santa Catarina, apresentado por Fraukje Eline Vooijs e Alexandra Gonçalves, destacou o conhecimento associado à produção artesanal de barro e a sua aplicação em novas propostas. Entre os resultados apresentados estiveram ladrilhos vidrados e não vidrados, elementos de telha e tijolo que exploram soluções modulares para a separação de espaços e azulejos inspirados na esteva e na serra.
Na taipa, Pedro Pereira apresentou o banco modular instalado no Jardim da Alameda, em Faro, uma experiência que transporta esta técnica tradicional de construção para o mobiliário urbano e permite explorar novas utilizações da terra crua no espaço público.
A passagem dos produtos para o mercado esteve em destaque na mesa-redonda «Caminhos Práticos para os Materiais do Território», com a participação de Ana Lúcia Cruz, do CRIA da Universidade do Algarve, Paula Cayolla Trindade, da ESPAP, Teresa Correia, vice-presidente da CCDR Algarve para a área do Ambiente, e Fraukje Eline Vooijs, da Perto Arquitetura. Segundo a CCDR, a discussão incidiu sobre os desafios associados à certificação e à comercialização, à integração de materiais endógenos na contratação pública e à estruturação de cadeias de valor que permitam transformar resíduos em matérias-primas.
O «Programa de Desenvolvimento de Novos Produtos baseados em Materiais Endógenos Inspirados na Dieta Mediterrânica» desenvolve-se no âmbito do INOVA ALGARVE 3.0 — Promoção da Qualificação e Inovação na Região do Algarve, dinamizado pela Proactivetur e cofinanciado pelo Programa Regional Algarve 2030.