O acesso à mina, atualmente sem extração de sal e apenas dedicada a atividades turísticas e científicas, é feito através de um pequeno elevador numa viagem de três minutos que transporta o visitante para uma atmosfera cénica.
Antes da entrada no elevador, o geólogo Renato Godinho distribui coletes refletores e capacetes, enquanto vai explicando que os almoços subterrâneos, que duram cerca de duas horas, pretendem recriar a antiga tradição mineira das marmitas.
“A ideia será receber 20 pessoas, que fazem a descida à mina e têm a oportunidade de conhecer também a coleção de Santa Bárbara, a padroeira dos mineiros, o que muitas das vezes é uma experiência que nem toda a gente consegue ter”, refere.
Numa profundidade equivalente a um prédio de 70 andares, foi sendo escavado um labirinto de galerias e câmaras com 45 quilómetros de extensão, a partir da década de 1960, mas desde 2019 começaram a desenvolver-se na mina atividades alternativas à extração de sal-gema, com uma forte componente turística.
Renato Godinho acrescenta que está previsto que os almoços subterrâneos aconteçam duas vezes por mês, para um grupo limitado de 20 pessoas, num menu que é servido em marmitas e recria a gastronomia da serra algarvia.
“O intuito é recuperar ou estar a experienciar as comidas do antigamente, da serra, as comidas do mineiro”, explica, sublinhando que o objetivo é atrair não só turistas como residentes, ou seja, ter uma ocupação regular.
O projeto nasceu de uma parceria entre a Associação das Terras e das Gentes da Dieta Mediterrânica, e a Tech Salt, promotora do espaço, que já ali organizou eventos culturais e gastronómicos, embora sem regularidade.
Mas, quem pensar que pode estar inseguro àquela profundidade, desengane-se: se houver um sismo, a probabilidade de ali ser sentir é quase inexistente. Isto porque as rochas de sal-gema têm propriedades que absorvem os possíveis impactos das ondas sísmicas, explica Alexandre Andrade, diretor operacional da TechSalt.
Mesmo junto à galeria onde é servido o almoço, está a exposição “Santa Bárbara, Padroeira de Mineiros e de Outras Artes”, inaugurada em 2022 e que dá a conhecer uma devoção associada à vida e aos riscos do trabalho subterrâneo.
A mostra, constituída por 160 peças desde o século XVI até à época contemporânea, pertence à coleção de Fernando de Mello Mendes, engenheiro de minas e professor do Instituto Superior Técnico que, sendo filho e neto de mineiros, reuniu, durante quase 50 anos, peças relacionadas com aquela divindade.
Após a sua morte, a preservação da coleção permitiu evitar a dispersão do acervo e instalar uma parte substancial, em permanência, na mina de Loulé.
A experiência do almoço mineiro, que inclui o acesso à exposição e uma visita guiada em português e inglês, custa 50 euros e pode ser reservada através do sítio na Internet da TechSalt.