“De tudo o que eu sei, eu sou na minha vida profissional engenheira muito desta área, neste caso - não é o caso do Alentejo em que não se justificava uma incineradora de modo nenhum -, mas neste caso, com a produção que o Algarve tem, que está a pôr em aterro 85% dos resíduos urbanos produzidos, parece-nos ser a solução mais indicada para resolver este problema”, sublinhou Maria da Graça Carvalho.
A associação ambientalista Zero considerou, esta manhã, que a construção de uma incineradora no Algarve constitui uma decisão de “gestão danosa” do interesse público, defendendo como prioridades a prevenção, a reutilização e a reciclagem.
“A construção de uma nova incineradora representa uma má decisão por múltiplas razões, entre elas o desvio de recursos financeiros fundamentais para um setor que necessita de muito investimento para promover, de facto, a circularidade”, referiu a associação em comunicado.
A posição surgiu após a ministra do Ambiente ter anunciado no sábado, em Faro, que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) vai avançar com um projeto para a instalação de uma unidade de valorização energética de resíduos na região.
Questionada ao início da tarde em Montemor-o-Velho sobre a oposição de organizações ambientalistas à eventual instalação de uma unidade de valorização energética no Algarve, a governante afirmou que privilegia “sempre o diálogo” e assegurou que irá reunir-se com os representantes do setor.
“Eu dou sempre privilégio ao diálogo e ouvirei com certeza os ambientalistas”, afirmou, acrescentando que o primeiro passo previsto consiste no lançamento, até 15 de outubro, de um concurso promovido pela APA para estudos de soluções e de localização.
A governante aludiu à necessidade de se encontrar uma resposta na própria região do Algarve para fazer face aos elevados níveis de produção de resíduos registados, onde cada habitante produz, em média, 2,4 quilogramas de resíduos por dia, face a uma média do continente de 1,4 quilogramas.
“É quase o dobro”, frisou, apontando ainda estudos que indicam que os residentes permanentes do Algarve produzem cerca de 1,7 quilogramas de resíduos por dia, valor mais próximo da média nacional, enquanto cada turista gera aproximadamente 3,6 quilogramas por noite de estadia.
“Sabemos que grande parte desta diferença está associada ao turismo”, afirmou, acrescentando que a atividade turística é uma importante fonte de riqueza para a região, mas também exige soluções ambientais adequadas.
“O turismo quer-se um turismo limpo, um turismo verde e um turismo sem resíduos”, defendeu.
Aos jornalistas deixou ainda a garantia que o Governo, a APA e a Autoridade Nacional dos Resíduos continuarão a trabalhar com os 16 municípios da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL) na procura da melhor solução para a região.
“Os 16 presidentes de Câmara da AMAL querem resolver da melhor maneira esta questão e tanto a APA como o Governo estão para os ajudar a encontrar a melhor solução”, concluiu.