Segundo informa nota da CCDR Algarve, a iniciativa reuniu organizações representativas do setor agrícola, representantes da administração pública e agentes económicos para uma reflexão sobre os principais desafios que se colocam à agricultura algarvia e as condições necessárias para garantir a sua sustentabilidade, competitividade, renovação geracional e capacidade de investimento.
Na sessão de abertura, que contou também com a participação do presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Luís Encarnação, e do presidente da CCDR Algarve, José Apolinário, foi sublinhada a importância de uma visão estratégica para o futuro da agricultura regional, num contexto marcado por desafios como a disponibilidade e eficiência no uso da água, a necessidade de investimento, a renovação geracional e as transformações que se perspetivam ao nível europeu.
O presidente da CCDR Algarve defendeu a alocação de um capítulo regional no marco financeiro 2028-2034, a atribuição de competências no domínio da água aos serviços regionais de agricultura e destacou o crescente peso económico da agricultura algarvia.
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Na sua intervenção, José Manuel Fernandes destacou a importância da água como fator determinante para o futuro da agricultura e para a segurança alimentar, valorizando o esforço realizado pelo setor agrícola na adoção de soluções de eficiência hídrica. O Ministro salientou que a gestão da água deve ser encarada de forma integrada, tendo em conta as necessidades da agricultura, do abastecimento público, do turismo, da indústria, da proteção civil e da sustentabilidade ambiental.
Neste contexto, destacou o projeto «Água que Une», que classificou como estratégico e estruturante, considerando que o reforço das infraestruturas e da disponibilidade de água constitui uma condição essencial para dar maior previsibilidade aos investimentos e criar condições para a instalação de novas atividades económicas.
O Ministro salientou igualmente a dimensão do investimento público atualmente em curso no Algarve, abrangendo áreas como a agricultura, o ambiente e os recursos hídricos. Estes investimentos, defendeu, devem ser encarados enquanto instrumentos de desenvolvimento económico e territorial, tendo em conta o contributo da agricultura e da agroindústria para o emprego, a criação de riqueza, a valorização dos recursos endógenos e a coesão dos territórios.
Sobre o próximo período de programação europeu, José Manuel Fernandes salientou a importância de assegurar um quadro financeiro de sete anos, entre 2028 e 2034, que permita maior estabilidade e previsibilidade às políticas agrícolas e aos investimentos realizados pelos agricultores e pelas empresas do setor.
Neste âmbito, defendeu a manutenção de uma Política Agrícola Comum (PAC) forte e com uma dimensão europeia, alertando para os riscos de uma excessiva transferência da responsabilidade pelo financiamento para os orçamentos nacionais dos Estados-Membros, que poderia gerar diferentes níveis de apoio aos agricultores e distorções no funcionamento do mercado único.
O Ministro chamou também a atenção para a necessidade de definir metas ambiciosas, mas realistas e ajustadas à capacidade de execução, de forma a evitar que objetivos excessivamente exigentes possam colocar em risco o aproveitamento dos fundos europeus. Neste contexto, salientou a importância de acompanhar a execução e, quando necessário, proceder à adaptação dos indicadores e das metas dos programas.
A aposta na investigação e inovação orientadas para os problemas concretos da agricultura foi outra das prioridades apontadas, nomeadamente perante o surgimento de novas pragas, doenças e impactos associados às alterações climáticas. O Ministro defendeu uma maior articulação entre investigação e necessidades efetivas do setor, de modo a acelerar o desenvolvimento de soluções, tratamentos e mecanismos de proteção que possam chegar aos agricultores.
Ao longo da tarde, foram ainda abordadas questões para o futuro do setor, nomeadamente o próximo ciclo de financiamento europeu, os apoios ao investimento, os recursos hídricos e as grandes obras previstas para o Algarve, bem como a renovação geracional e a atração de jovens para a atividade agrícola.
A sessão contou com contributos de Susana Barradas, sub-diretora do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP), que abordou o horizonte financeiro pós-2027, de Luís Souto Barreiros, presidente do Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP), sobre a execução dos fundos e os apoios ao investimento regional, de Macário Correia, presidente da AdP Aqua, sobre o projeto «Água que Une» e as grandes obras no Algarve, e de Pedro Santos, diretor-geral da Consulai, que apresentou uma reflexão sobre renovação geracional e atração de investimento jovem.
O programa incluiu ainda uma mesa-redonda «Os Novos Desafios da Agricultura Algarvia e os seus Constrangimentos», moderada pelo jornalista Paulo Gomes, da Voz do Campo, que reuniu representantes da FEDAGRI, CONFAGRI, CAP, AJAP e AlgarOrange.
Entre os temas em destaque estiveram a água, o investimento, o acesso ao financiamento, a renovação geracional, a competitividade e a criação de condições para a continuidade da atividade agrícola. Foi igualmente reforçada a importância da agricultura e da agroindústria enquanto setores capazes de contribuir para a coesão territorial, a criação de emprego, a fixação de população e a valorização económica dos recursos endógenos do Algarve.
No encerramento, o vice-presidente da CCDR Algarve, Fernando Severino, reforçou a importância da articulação entre as entidades públicas, as organizações do setor e os agentes económicos na construção de respostas para os desafios que se colocam à agricultura algarvia, num contexto de grandes transformações e de novas exigências em matéria de sustentabilidade, competitividade e adaptação às alterações climáticas.