Sobre a resposta à questão apresentada, o Movimento refere em comunicado que a mesma "demonstra uma aparente falta de compromisso deste executivo para a manutenção do edifício da Fábrica no erário público", numa eventual "demarcação de compromissos previamente estabelecidos, em 2020, por todos os partidos políticos com representação autárquica à data, aprovados por unanimidade e após ampla auscultação e participação associativa e cívica no seu desenvolvimento - caso do Plano Estratégico para a Cultura 2030 (PEC 2030) deste município".
O grupo considera que a venda da Fábrica representa uma perda "danosa e irreparável" para a cidade e a sua principal reclamação é que aquele património histórico e cultural não seja alienado a privados, contribuindo "para o esvaziamento da 'Vila Adentro', do seu valor, de munícipes e dos próprios turistas que o Município e grupos hoteleiros procuram", lê-se no documento.
As associações defendem igualmente a necessidade de criação de um equipamento público dedicado às áreas cultural, artística e associativa, uma reivindicação que, sublinham, tem sido partilhada por diferentes executivos municipais ao longo das últimas duas décadas.
A Fábrica da Cerveja, construída entre 1930 e 1940 sob estruturas do período romano (desconhecidas à data), constitui uma peça relevante de arquitetura industrial da cidade - tendo sido armazém, entre outros, de cervejas e militar - e, na última década, tem acolhido diversos eventos culturais de referência, que dinamizam o circuito artístico e cultural da cidade de Faro e da região do Algarve.
O Movimento Pela Fábrica garante que continuará a sensibilizar a população para aquilo que considera ser "uma potencial ameaça ao património coletivo", procurando reunir apoios de cidadãos e entidades locais, regionais e nacionais.