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Mulher algarvia que resistiu ao Estado Novo fala sobre o 25 de Abril em Albufeira

Mulher algarvia que resistiu ao Estado Novo fala sobre o 25 de Abril em Albufeira
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08-04-2019 - 12:20
“Que ditadura foi essa que a revolução 25 de abril derrubou?”, é o mote para a conversa que a Profª. Margarida Tengarrinha vai ter com todos aqueles que se deslocarem às 14h30 de 26 de abril ao Arquivo Histórico de Albufeira.
 
Trata-se de mais um encontro no âmbito do ciclo de Tertúlias que este espaço tem vindo a organizar. Segundo a autarquia de Albufeira a tertúlia de Abril pretende assinalar os 45 anos da Revolução de Abril, "dando a conhecer a luta que muitos portugueses empreenderam contra o regime de Salazar e homenagear uma mulher anti-fascista e uma combatente pela liberdade".
 
Em nota enviada à imprensa o mesmo documento explica que Margarida Tengarrinha, nasceu em Portimão em 1928, estudou na Escola Superior de Belas Artes em Lisboa, onde conheceu aquele que haveria de ser o seu companheiro e pai das duas filhas, o pintor José Dias Coelho, membro destacado do Partido Comunista Português. José Dias Coelho, já comunista de gema, ela membro do MUD (Movimento de Unidade Democrática) Juvenil, protestavam contra a guerra e deixavam mensagens de protesto nos murais a dizer “Queremos paz!”. Foi com ele que acabou por trocar uma vida confortável de filha da classe média alta do Algarve pela vida difícil da clandestinidade e da luta contra a Ditadura de Salazar. Entre as décadas de 50 e 60, tempos conturbados para os opositores ao regime, teve duas filhas, Teresa e Guidinha.
 
Margarida, que era Teresa, falsificava identidades com José Dias Coelho, que também tinha outro nome, Fausto, para apoiar os que lutavam contra a ditadura, montaram uma oficina onde se dedicavam à falsificação de bilhetes de identidade e de passaportes. Durante a década de 1950, as casas de Margarida e José foram dos mais importantes núcleos de resistência ao Estado Novo. 
 
A vida com o Pintor José Dias Coelho, no entanto, acabaria cedo de mais. A 19 de dezembro de 1961, com apenas 38 anos de idade, seria assassinado pela PIDE. Zeca Afonso tornou a sua morte imortal na canção ”A morte saiu a rua”.
 
Revoltada e angustiada pela morte do companheiro foi para Moscovo trabalhar com Álvaro Cunhal. Foi com o apoio de Cunhal que viu garantida a segurança das suas filhas. Depois do 25 de Abril foi membro do Comité Central do PCP e deputada do PCP pelo Algarve.
 
Em 2014, pelo seu percurso na área cultural e na defesa dos direitos das mulheres, Margarida Tengarrinha foi a primeira distinguida com o Prémio Maria Veleda. Continua a ser Professora de História de Arte na Universidade Sénior de Portimão.
 
 
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