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Mulheres só descobriram prazer sexual na década de 80
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Numa sociedade que se quer cada vez mais igual, verifica-se que, a mulher tem vindo a dar passos importantes para se sentir cada vez mais plena e realizada.
 
Neste sentido, a sexualidade assume um papel de elevada preponderância, no entanto, o “atraso” em relação ao conhecimento feminino devido a questões culturais, onde a religião assume um peso relevante, levou a que muitas mulheres só descobrissem que têm direito ao prazer sexual numa fase tardia. 
 
Para se compreender melhor esta dimensão, basta ter em conta que, o conhecimento do órgão genital feminino foi sendo adiado, pois era apenas descrito e entendido para fins procriativos, a ponto do Clítoris só ter sido descoberto como fonte de prazer em 1985. 
 
De acordo com os especialistas, o facto de não ser aceite culturalmente que a mulher pudesse ter prazer para além de gerar filhos e de aumentar a família, deu lugar à pouca divulgação da intimidade feminina e a escassos trabalhos científicos, uma vez que o tema era tabu. 
 
Pelo contrário, no plano masculino p conhecimento foi sendo acrescentado e a persuasão foi ganhando expressão ao ponto de se assistir a um amplo afastamento entre homens e mulheres ma intimidade. 
 
O homem desconhece ainda hoje grande parte do mundo feminino; as zonas de maior prazer e como gosta de ser estimulada e, o mais grave é que a própria parceira desconhece os seus pontos fortes. 
 
Em regra, a mulher só cuidava da sua aparência para agradar ao homem que trabalhava e que “merecia” ter essa recompensa quando chegasse a casa, mesmo que a mulher não estivesse predisposta, teria de colaborar no acto sexual para não desiludir o companheiro. 
 
Nesta sequência, são muitas as mulheres que ainda hoje se confrontam com a dificuldade em ter prazer na intimidade, pois naturalmente, muitos homens só se preocupam com a sua satisfação e, a pressa ou o desinteresse pelo prazer da mulher, dá lugar a um acto sexual solitário. 
 
Com o maior conhecimento acerca de si mesma, a mulher tem vindo a exigir e, provavelmente essa será uma das causas de tantas separações que têm ocorrido nas últimas décadas, pois a mulher passou de ser passivo a exigente e a querer participar no acto sexual. 
 
A mulher lê mais, é mais informada também em termos médicos, já que visita o ginecologista com regularidade e sabe que tem direito a gozar dessa fonte de prazer e de saúde. Como tal, procura essa compreensão no companheiro que, ainda assim, nem sempre está educado para ter de dar prazer à mulher. 
 
Um outro ponto que também está em desuso é o facto da mulher ter de procriar só para alimentar as expectativas sociais, A mulher toma a pílula ou outro método anticoncepcional e decide se quer ou não ter filhos. 
 
Todas estas mudanças têm alterado profundamente o conceito de família e a própria vivência conjugal, o que é um ponto a favor do público feminino. 
 
Refira-se que, numa sociedade que conheceu o machismo durante séculos, não tem sido fácil inclusivamente para os cientistas dar respostas aos interesses femininos, bem como aos seus desejos e aspirações enquanto mulheres. 
 
A novidade acarretou problemas também para as mulheres que, ao desconhecerem que o prazer lhes é permitido, também não têm sabido muito bem como “explorar” essa área de vida. 
 
No caso masculino, as novas gerações consideram fundamental ter relações sexuais com alguém que desfrute tal como eles de um conjunto de sensações e, se os homens aprovam essa necessidade, nem todas as mulheres têm conseguido acompanhar a nova tendência, pelo que, ainda é comum o desinteresse pelo sexo e, após o nascimento dos filhos, muitas mulheres mudam de cama e evitam o companheiro com a sensação de “dever cumprido”. 
 
Esta é uma ideia absolutamente errada uma vez que, para além dos filhos está a vida conjugal e, se esta não foi descoberta anteriormente, após a chegada dos filhos, é sempre uma oportunidade para o fazerem. 
 
A falta de tempo e o excesso de dedicação aos mais novos continua a ser uma justificação para as célebres “dores de cabeça” que evitam o sexo, no entanto, o erro pode sair caro à mulher que não se realiza em pleno e ao casamento, pois se a mulher está mais informada, o homem não deixa de o estar e mais facilmente acaba por procurar o prazer fora de casa. 
 
Efectivamente, muitas mulheres ainda não aceitaram a ideia de que, um casal sem sexualidade não perdura no tempo, pelo que, mesmo que o companheiro não seja propriamente um homem afectuoso, poderá passar a sê-lo mediante as instruções femininas. 
 
A mulher não se pode esquecer de que, na intimidade pode alterar toda a vida quotidiana e tornar a vida conjugal muito mais radiosa e interessante para todos, pois uma mulher frustrada com a sexualidade, acaba por transmitir essa negatividade para toda a família sem que se aperceba. 
 
Se o prazer não foi descoberto ou pelo menos aceite no passado, é essencial que o seja cada vez mais no presente e, de nada serve a mudança sucessiva de parceiros, mas sim enfrentar os problemas de frente e com a dignidade que merecem. 
 
Quando o casal não consegue resolver este problema de falta de sintonia entre si, pode sempre recorrer aos técnicos que possuem especialização para o efeito e, as terapias de casal têm melhorado a vida de muitos casais e é um exemplo de ensino e troca de saberes fundamental. 
 
Para valorizar o público feminino, importa referir que, nas terapias de casal, os parceiros falam abertamente dos seus desejos, anseios, necessidades e, progressivamente vão aproximando a sua intimidade da do companheiro e de si mesmos. 
 
Depois, cabe ao casal descobrir a intimidade sem pressas e dando espaço e tempo à sua realidade. Muitas vezes o processo pode ser mais demorado, mas é sempre possível inverter uma situação e melhorar a qualidade da intimidade de muitos casais que, provavelmente não sabiam que devem dar lugar a uma sexualidade participada e interessante. 
 
Os especialistas recomendam que se fale abertamente acerca do assunto, que se tente fazer algo novo e que se continue a namorar ao longo dos anos, já que a chama só é alimentada se tiver combustível. Tal como o homem, a mulher deve mostrar o seu desejo e interesse pelo parceiro e pelo sexo. 
 
Deve recorrer a roupas que a façam sentir bem e, acima de tudo, acreditar em si mesma, pois a sexualidade é uma área de vida fundamental para todo o equilíbrio físico, psicológico e emocional. 
 
Muitos casais hesitam em dar o primeiro passo por recearem a atitude do outro, mas isso não deve ser um pretexto para não fazer, mas sim um alerta para ser mais cauteloso e sensível na acção. A mulher descobriu o prazer demasiado tarde, pelo que não deve perder tempo com tabus, medos ou com impressões que os outros possam ter a seu respeito, pois na casa e na cama de cada um, o ser humano é livre para fazer o que bem entende! 
 
Uma mulher com auto-estima e que goste da intimidade é muito mais feliz, luminosa, bonita, simpática, trabalhadora, dinâmica e tem muitas mais pessoas que gostam dela sem sombra de dúvidas!
 
Fátima Fernandes
 
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