Entre 24 e 26 de julho, a Feira acolhe 17 espaços temáticos, cinco palcos, mais de uma centena de artesãos e produtores, espaços gastronómicos e animação de rua. Quanto ao cartaz, no dia 24 o programa apresenta Remember e Luís Trigacheiro, no dia 25, Raya Real, Super Pop Music Band e A Kind of Queen e no último dia (26), será a vez da banda de covers Sniffy e a Festa Rua 80 com o DJ Nuno Silva.
Com um investimento de 120 mil euros, 1/5 do orçamento habitual (600 mil euros), a autarquia pretende manter o maior evento do concelho com forte impacto na economia local, ao mesmo tempo que procura canalizar parte significativa do orçamento da Feira para recuperar a principal via de acesso ao interior, a Estrada Municipal 1202, que foi fortemente afetada pelas intempéries do último inverno.
A ideia é que, depois da obra concluída, a Feira da Serra regresse, em 2027, ao seu espaço habitual no recinto da Escola EB 2,3 Poeta Bernardo de Passos.
À margem da apresentação do evento, a presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel sublinhou aos jornalistas que o Município tem recursos próprios "diminutos", que recebe do Estado "muito menos do que aquilo que devia receber" e que "as finanças locais são muito injustas com municípios como o nosso e não temos grandes recursos próprios como outras autarquias". Nesse sentido, explicou que além do investimento que considera prioritário na reabilitação da Estrada Municipal 1202, estão também a decorrer obras importantes no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e do programa Algarve 2030, "e por isso não podíamos pôr essas obras em suspenso".
Relativamente à intervenção na Estrada Municipal 1202, Marlene Guerreiro avançou que o projeto está concluído e em vias de ser lançado o concurso, num investimento a rondar 1 milhão de euros. Com esta despesa avultada para o orçamento municipal, foi decidido manter a Feira da Serra mas com um formato diferente, "porque deixar de fazer o evento era algo que os são-brasenses não mereciam, porque sabemos que é um motor muito importante para o ano inteiro e também temos um lugar no calendário que não queremos perder. Este lugar é nosso há 30 anos, o último fim de semana de julho", enfatizou.
Questionada pelo Algarve Primeiro sobre a possibilidade de a autarquia não obter a verba total para avançar com as obras na EM 1202, a autarca disse que, caso seja necessário, o Município deverá recorrer a um empréstimo bancário, admitindo que o Governo também devia apoiar a empreitada: "porque se um dos pilares do PTPRR (Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência) é a recuperação, estamos aqui numa recuperação após tempestade, e portanto, fazemos o apelo para que recebamos parte desse investimento, mas ainda não tenho essa garantia e, por isso, prefiro jogar pelo seguro e teremos de recorrer ao crédito, algo que considero que não é justo", notou.
Marlene Guerreiro lembrou ainda que a Estrada Municipal 1202 "é uma vítima" da Estrada Nacional 2, que são paralelas e ambas carecem de intervenção nos pavimentos e taludes. A autarca defende que a melhor solução seria compatibilizar a execução das duas obras, uma da responsabilidade do município e outra da Infraestruturas de Portugal, que já anunciou a consignação da empreitada.