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Na adolescência, os filhos ainda precisam de mais tempo dos pais
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Muito se tem falado sobre a adolescência, mas certamente que é sempre pouco quando se tem instalado ainda mais confusão nas mentes dos pais.
 
Erradamente a adolescência é pouco falada entre os pais que rapidamente se refugiam num “está terrível, está naquela fase…” ou outros que dizem “estou desejando que isto passe” e, com este descarte, os jovens vão crescendo com a sensação de que os pais não gostam deles.
 
Note-se que, quando a mulher está grávida, quando nasce o bebé, todas as atenções estão direcionadas para aquele novo ser. Compram-se prendas, os familiares oferecem, visitam, dão atenção e fazem mimos. À medida em que aquela criança cresce, começa a ter a sensação de que ninguém gosta dela, pois para além das transformações profundas que está a sentir, repara que os pais estão sempre aborrecidos, zangados e desiludidos e que os demais familiares se afastam e olham com desconfiança.
 
Perante este cenário que, felizmente não é generalizado, instalou-se a ideia de que só os mais pequenos precisam de amor e carinho. Quando se cresce, passa-se a ser “uma coisa sem graça” e que pode estar sempre fechado no quarto, não tomar banho e não mudar de roupa, que isso apenas será alvo de críticas dos pais.
 
Os pais não se podem esquecer que, o adolescente é seu filho na mesma; é o prolongamento do bebé, da criança. É um jovem que ainda não é o adulto independente e que precisa de amor, diálogo, atenção e, sobretudo compreensão.
 
Os progenitores tendem a afastar-se porque pensam que estão a mais na vida dos filhos e, entre as famílias que vivem em permanente conflito com os jovens e aquelas que não lhes dão atenção, há felizmente muitos pais que compreendem esta fase difícil, mas não tão complexa como se tem feito parecer.
 
Acredito que, só compreendendo o que se passa é que pais e filhos podem melhorar o seu relacionamento e, Ceres Araújo, explica muito bem o que acontece nesta fase de vida.
 
Por um lado, os filhos sentem-se crescidos e têm vergonha de falar abertamente com os pais acerca dos seus medos e dúvidas, por outro, os pais investiram tudo no bebé e na criança e pensam que o filho já aprendeu tudo. Muitas vezes estão exaustos por já terem dito a mesma coisa muitas vezes e, nem param para pensar que é de uma nova fase de vida que se trata e que, tal como as anteriores, precisa desse investimento parental.
 
Aos mais pequenos, os pais explicam “os nãos” para se certificarem de que a criança entende a razão da recusa. Por que razão deixar de o fazer quando é de um jovem que se trata? Mudamos o discurso, adaptamos à idade, mas temos de continuar a explicar as razões pelas quais isto é permitido e aquilo não é, Ao mesmo tempo, temos de continuar a demonstrar amor e carinho, mas normalmente os abraços e apertões são substituídos por um sorriso, por um diálogo interessado de ambas as partes, por um abraço mais firme, pela empatia e a capacidade de compreensão.
 
Quando estamos disponíveis para os nossos filhos, eles sentem isso e devolvem, acabando por falar acerca do que os inquieta.
 
Outro aspeto importante que os pais têm de entender é que, aquilo que o jovem não tem em casa, vai procurar na rua, pelo que, quanto mais interesse e informação de qualidade lhe for transmitida, menos sujeito a riscos e perigos ele estará. É importante abordar o tema da sexualidade com maturidade, responsabilidade e segurança. Explicar o que o jovem quer saber, pesquisar em conjunto, abordar os mais variados temas, seja só com um dos progenitores, seja em família. É fundamental que o jovem perceba que os seus problemas são ouvidos e respeitados pelos seus pais e que, em conjunto, vão encontrar uma solução. O jovem não se pode sentir nem sozinho, nem sufocado, pelo que, o respeito é crucial para estabelecer este limite. Com inteligência e empatia, os pais sabem muito bem fazer este processo com a máxima naturalidade.
 
Pais que procuram saber, estar mais esclarecidos, também são mais valorizados pelos filhos que sentem que, mesmo com menos recursos, os pais estão interessados em ajudá-los. O mesmo se passa com os valores e as regras. Se os filhos percebem verdade e honestidade, seguem esse exemplo, se não sentem, procuram os mesmos valores noutras pessoas. Há pais que dizem uma coisa e fazem outra, o que gera muita instabilidade e desconfiança. É importante ser coerente, assumir os erros, procurar corrigi-los e explicar a verdade aos filhos, pois só assim eles vão valorizar, reconhecer e confiar nos pais.
 
Mesmo que esse hábito não esteja instituído, nunca é tarde para o começar. Os pais têm de se aproximar dos filhos, mostrar-lhes as regras, a educação, os valores e que são a autoridade, pois eles deixaram de ser as crianças dependentes, mas não são os adultos autónomos. Há coisas que já devem fazer sozinhos, há outras que não. Com um diálogo aberto, é possível manter esta boa relação entre pais e filhos e provar que se tem exagerado quando se fala na adolescência. É uma fase de muitas transformações, é como que um recipiente que está sempre a transbordar de água, em que esta precisa de ser direcionada para algum lado para que não se perca. Nada melhor que os pais para darem esses conselhos, pois já têm a sua experiência, já lidaram com essa situação e já possuem muitas dicas para dar escoamento e uma correta orientação aos excessos. Se os pais não fazem, alguém terá de o fazer, pois o jovem não irá suportar tanta mudança sozinho. É importante que saiba aquilo que procura nos amigos, nos professores e nos grupos de pertença e aquilo que sabe que pode contar dos pais. No seu todo, a adolescência decorre com normalidade.
 
Ajudar os filhos a crescer implica tempo, dedicação, amor e carinho e, os filhos são para toda a vida. Podemos passar por fases de maior desgaste, mas temos de encontrar forças para os ajudar a encontrarem o seu caminho. Os pais são uma base fundamental nesse processo e os filhos reconhecem-no. Naturalmente que se eles estão confusos e tendem a isolar-se, cabe aos pais a iniciativa de os chamar, de conversar, de tentar compreender o que se passa. É fundamental aceitar que é uma fase de muitas transformações a todos os níveis, mas temos de olhar aquele rapaz ou rapariga como o nosso filho crescido, que precisa de amor e de autoridade ao mesmo tempo. Precisa que lhe sejam colocados os limites, que lhe sejam recordadas as regras, as normas de bom funcionamento em casa e em sociedade. Basicamente, temos de olhar para a adolescência como uma fase normal que se situa após a infância e que requer um amadurecimento de muitos conceitos apreendidos nessa fase e, ao mesmo tempo, será uma preparação para a idade adulta. O sucesso da adolescência vai determinar a qualidade da relação entre pais e filhos na idade adulta, bem como abrir novas portas a oportunidades, pois o jovem que superou bem a etapa anterior, que se encontrou, que cresceu, que amadureceu alguns conceitos, que contou com os conselhos e amor dos pais, certamente que será muito melhor sucedido na idade adulta porque recorreu menos aos ensinamentos dos colegas da sua idade e deu mais atenção ás regras dos pais.
 
Ainda assim, é fundamental permitir que o jovem faça as suas amizades, tenha os seus namoricos, aprenda a conhecer-se numa idade destinada a isso mesmo, mas que saiba proteger-se, que saiba afastar-se de más companhias, do sexo desprotegido e de consumos indevidos. Para isso, os pais têm de estar muito presentes, têm de limitar o uso e abuso dos ecrãs que afastam o diálogo e a boa convivência familiar, têm de colocar limites e regras para que tenham tempo para estarem juntos e desfrutarem de bons momentos.
 
Fátima Fernandes
 
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