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Não aceite “declarações de amor” agressivas
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Longe vão os tempos em que ser agressivo era uma prova de amor, bater era gostar de alguém e chamar nomes era uma manifestação de carinho. Felizmente os tempos mudaram e todos sabem que essas não são formas de tratar quem quer que seja, muito menos uma pessoa que divide a vida connosco ou com quem estabelecemos qualquer tipo de relação.
 
Também é do domínio público que, pais que agridem os filhos não gostam deles, tal como um marido que humilha a mulher jamais a poderá amar e respeitar como se comprometeu no ato do casamento. Temos de mudar estas crenças que só nos levam ao sofrimento e alimentam a fúria dos agressores. Qualquer pessoa de bom senso sabe que o amor não contempla nenhuma forma de violência, logo tem de se proteger de qualquer tipo de agressão.
 
Os pais devem dar o exemplo entre si e para com os filhos para evitarem que eles sejam as vítimas ou os agressores no futuro. Ao mesmo tempo, também a escola e demais instituições que as crianças e jovens frequentem têm por obrigação dar esse exemplo. A base é que se perceba que ninguém tem o direito de agredir nem física nem verbalmente ninguém. Aqueles pequenos nomes que se chamam a brincar aos mais novos, são um péssimo exemplo para os jovens e adultos que vão ser no futuro, uma vez que vão considerar normal ofender as suas namoradas e, essa passará a ser a forma como vão atuar como maridos, no caso dos rapazes e esposas, no caso das raparigas. Numa sociedade moderna, não podemos permitir que tal aconteça e cabe a todos essa responsabilidade de educar para prevenir.
 
Ao mesmo tempo, é importante que as crianças e jovens não considerem normal aquelas brincadeiras mais violentas que se vivem nos namoricos, pois mais tarde as mesmas vão subindo de tom. Muitos pais culpabilizam a TV e os jogos de computador pelos atos agressivos dos filhos, mas os estudos demonstram que as tecnologias não estão a tornar os jovens mais violentos, mas sim mais insensíveis á dor do que no passado. Quer isso dizer que, a agressividade que se vive no espaço familiar e social resulta dos maus exemplos de casa; daquilo a que os jovens assistem entre os seus pais e que reproduzem nas suas relações entre pares.
 
O mesmo se passa com o alcoolismo. Um pai alcoólico não consegue evitar que os filhos não bebam em demasia na idade juvenil e adulta. Pode acontecer que os filhos recebam boas influências do exterior, mas muitas vezes acabam por imitar aquilo que aprenderam em casa.
 
É por isso que digo inúmeras vezes nestes apontamentos que, devemos ser um bom exemplo para nós próprios e para os nossos filhos. Somos um modelo de referência para o bem e para o mal. Se queremos ter filhos bem educados e ajustados socialmente, temos de fazer um esforço adulto, maduro e responsável de promover bons exemplos aos mais novos, pois é de casa que parte tudo, quanto melhor qualidade tiver a educação, melhores cidadãos teremos no futuro.
 
Sublinho este ponto porque assisto muitas vezes a lamentações de pais que quase parecem não ter mostrado nada aos filhos para se queixarem tanto deles. Dizem coisas medonhas dos filhos, mas não se apercebem do mau exemplo que lhes deram. Isto não pode ser, cada um de nós tem de se responsabilizar pelo que diz e faz para que tenhamos uma sociedade melhor. É verdade que, muitos dos pais e avós de hoje não tiveram acesso a muito do conhecimento que hoje se tem ao dispor, mas os meios de comunicação social alertam diariamente para um conjunto de problemas que podem ser evitados com uma atitude diferente, pelo que, cada vez temos menos desculpa para cometer determinados atos e promover certos exemplos. Um pai que agride verbal ou fisicamente a mãe não pode esperar que o filho respeite a sua mulher no futuro. Uma mulher que ofenda o marido e que o maltrate, está a passar esse péssimo exemplo para os filhos. Temos de entender a importância do exemplo para que possamos viver melhor, sermos mais felizes e, naturalmente, não aceitar “declarações de amor” agressivas.
 
Fátima Fernandes
 
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