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Não alimente amizades baseadas na fofoca
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“Ter um amigo é ter um tesouro”, já diz o velho ditado, mas é preciso saber ser amigo e exigir esse compromisso do outro. Não basta dizermos que temos muitos amigos, que temos muitas fontes de informação, que temos pessoas para isto e para aquilo. Ser amigo envolve sentimentos, envolve um compromisso com os nossos valores e respeito pelas diferenças.
 
Não é qualquer pessoa a quem se pode chamar amigo, uma vez que, esta relação se diferencia de todas as outras. Um amigo é muito mais que um colega, que um familiar, que um conhecido. É aquela pessoa com quem se vive uma relação verdadeira, um ponto de encontro e até um refúgio para muitos dos nossos pensamentos. O amigo ou amiga pode muito bem ser o nosso cônjuge que, no fundo é a pessoa com quem temos mais intimidade, tal como, em moldes diferentes, pode ser aquela pessoa que se conhece há muito tempo e com quem se desenvolveu um conjunto de sentimentos e de afinidades. Um amigo é uma pessoa em quem podemos confiar dando também provas da nossa lealdade. Um amigo é um porto-seguro, um confidente, alguém com quem se passa bons momentos.
 
Perante esta breve descrição facilmente se percebe que designamos erradamente a palavra “amigo”, a começar pelas redes sociais que, de certa forma deturparam esse sentido, um dos mais bonitos que podemos viver logo a seguir ao amor. Nas redes sociais usa-se a palavra amigo para aproximar pessoas que não se conhecem de lado nenhum ou para manter laços com quem se conhece muito bem; tudo na mesma rede, na mesma página sem uma distinção, um propósito, pelo que cabe a cada um de nós recuperar a essência da palavra e perceber até que ponto temos tantas centenas ou milhares de amigos na vida real e, se isso alguma vez seria possível.
 
Ao mesmo tempo, o amigo é aquela pessoa que ajuda a pensar quando estamos com menos capacidades, isto porque é alguém que nos conhece e que sabe como ativar determinados pontos em nós. Jamais recorremos a um amigo para falar de futilidades, para fazer fofocas de qualquer espécie, para alimentar a curiosidade alheia de saber mais acerca desta ou daquela pessoa.
 
As pessoas a quem recorremos para as fofocas são meramente conhecidas ou mesmo desconhecidas que se intrometem numa conversa. Jamais uma amizade se baseia num encontro fútil para falar mal do nosso marido, dos nossos filhos, de outros amigos ou de colegas. Tem-se confundido o sentido da palavra amizade com muitas vulgaridades virtuais, mas de vez em quando, faz bem colocar os pontos nos ‘is’ para que sejamos capazes de valorizar quem realmente é nosso amigo e não se pode perder na era digital.
 
É verdade que os tempos mudaram, mas os sentimentos têm-se aperfeiçoado. Fala-se muito mais de sentimentos do que se falava há 40 anos, por exemplo. Pensa-se muito mais do que quando se agia meramente na luta pela sobrevivência, o que quer dizer que estamos a evoluir e a pensar de forma cada vez mais orientada para a essência humana. Facilmente somos capazes de identificar os bons valores e qualidades de alguém e de querermos desenvolver algo com essa pessoa.
 
Com a mesma facilidade, somos capazes de perceber quem lida connosco por interesse e quem jamais pode ser considerado um amigo. Estamos mais exigentes, mais afinados em termos de emoções e assim devemos seguir o nosso percurso. Jamais podemos permitir que uma rede onde todas as pessoas se juntam e se tratam por igual, seja o exemplo de amizades, afetos ou relações duradouras.
 
As relações harmoniosas e bonitas ocorrem em presença, limitam o que se diz porque não se quer magoar o outro, mesmo que não seja amigo, é uma pessoa. Já imaginou muitas pessoas das redes sociais dizerem em presença ao outro aquilo que ali escrevem? Mas é esse exercício que temos de fazer antes de publicarmos vulgarmente o que nos passa pela cabeça. Temos de imaginar como é que o outro se vai sentir quando ler determinada mensagem, pois é isso que nos torna humanos, é isso que nos permite afirmar que temos amigos, que temos capacidade para amar e ser amados.
 
É essa capacidade de nos colocarmos no lugar do outro que nos trava os maus pensamentos e os comportamentos menos corretos. É da empatia que resulta precisamente a capacidade de não ofender, de não expressar levianamente uma opinião porque sabemos que vai ferir o outro. Dentro e fora das redes, temos de preservar os nossos valores, os nossos sentimentos, a nossa postura e, ainda mais numa rede global, temos de zelar pela nossa imagem.
 
Perante tudo isto já sabe, não alimente relações baseadas na fofoca, pois quem lhe fala de alguém hoje, estará a falar mal de si no dia seguinte e, isso não é amizade, isso é fofoca e leviandade.
 
Use a sua inteligência amorosa para escolher as pessoas que realmente podem entrar na sua vida. Ouça a voz do seu inconsciente que, certamente o irá alertar para o positivo e o negativo de cada pessoa. Defina se tem capacidade para aceitar os pontos menos positivos e se os restantes são suficientes para manter uma relação e, a partir daí, vá com calma analisando cada momento com a outra pessoa.
 
Esta é a mesma base utilizada para o amor: sentimos um conjunto de emoções positivas e no mesmo sentido, depois ouvimos os nossos alertas e tentamos responder a essas perguntas que o nosso inconsciente nos coloca: já reparaste que este amigo nunca paga a conta? Sempre que saíres com ele, tem de ser tu a pagar. Já reparaste que fala muito e que ouve pouco o outro? Estes são exemplos daquilo que ouvimos dentro de nós na presença de algumas pessoas, por isso devemos estar atentos e não deixar avançar quando temos muitos pontos contra.
 
Quando ouve qualquer coisa do tipo, “é muito parecida a ti neste ou naquele ponto”, “olha eu também faço isso” “eu também gosto daquilo”, são pontos de partida importantes para dar o segundo passo cauteloso.
 
Não arrisque em relações em que sente logo à partida que não vai dar certo. Use o seu tempo e energia em relações positivas e onde se sinta bem.
 
Fátima Fernandes
 
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