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Não faça ao seu filho o que não gostou que lhe fizessem
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Os novos tempos trazem outras formas de encarar a parentalidade que, em muito contrastam com o passado.
 
Naturalmente que é sempre a partir do que conhecemos que iniciamos a nossa prestação no mundo, mas com a informação que temos ao nosso dispor e os maiores níveis de escolaridade que possuímos, temos o dever de procurar algo melhor para a nossa vida e, no caso concreto da parentalidade, dar o melhor que sabemos aos nossos filhos.
 
Um ponto a ter sempre em conta é procurar não reproduzir nos outros aquilo que não gostamos e, nesse sentido, temos de ir fazendo alguns exercícios para criticar aquilo de que não gostamos na educação que os nossos pais nos deram, para que não façamos o mesmo aos nossos filhos.
 
Vou listar um conjunto de exemplos que muitos pais identificaram como erráticos na sua educação para que o leitor possa ver os que melhor se enquadram naquilo que não quer fazer aos seus filhos.
 
Era habitual o tipo de educação autoritária que não permitia o afastamento das regras, sem que muitas vezes, se percebesse a razão de não poder fazer isto ou aquilo. Poucos eram os pais que explicavam em vez de somente corrigir e, hoje sabemos a importância de fazer esse duplo trabalho na educação dos nossos rebentos.
 
Não menos raros eram os maus-tratos físicos que pareciam corrigir e resolver tudo. Com uma vassourada ou um pontapé, os filhos sabiam que não podiam ir tocar à campainha da vizinha ou que tinham de chegar a casa a horas, limpar o quarto e daí por diante. Hoje sabemos que é muito mais simples explicar a razão pela qual não se pode fazer isto ou aquilo e que, os nossos filhos entendem perfeitamente o que lhes dizemos, tal como sabem se o fazemos com interesse em que eles aprendam.
 
Os nossos filhos sabem muito bem a importância do diálogo e da brincadeira que eram escassos ou inexistentes no passado porque se temia que os filhos gostassem dos pais, quando isso hoje é uma prioridade. Todos os pais querem amar e ser amados pelos filhos e pelos seus companheiros, mas hoje sabemos a importância das emoções na vida do ser humano, no passado, estas eram condenadas e quase punidas. O simples ato de chorar era alvo de mais pancada ou de um rótulo de “fraco”.
 
E no que a rótulos diz respeito, muitos de nós temos bem presentes os nomes que se chamavam aos filhos… Para além da agressão física, também as ofensas pareciam ser a única solução encontrada por muitos pais para dizerem aos filhos o que não podiam fazer. Claro que, a destruição da autoestima era uma realidade e, como consequência, os filhos pouco faziam para além de serem humilhados. Por isso se diz que os jovens do passado eram mais “sossegadinhos”!
 
É impensável que um pai ou uma mãe entre no quarto do filho e lhe vasculhe as coisas como se de inspetores se tratassem. Isso aconteceu muito no passado, mas hoje os pais sabem quais são as melhores estratégias para levarem os filhos a lhes mostrarem o que consultam nas redes sociais, nomeadamente fazerem-no em conjunto e falando abertamente do assunto aos pais que lhes fornecem as dicas necessárias para que não corram riscos.
 
Os pais sabem que os filhos têm direito à sua privacidade. Desde que lhes tenham fornecido as regras e a noção dos perigos, os pais devem orientar os filhos e não controlá-los. Note-se que, no passado havia menos perigos e muito mais fiscalização. Hoje temos muitos mais perigos e menos supervisão e interesse em saber o que os nossos filhos fazem durante as muitas horas em que estão sozinhos. Temos sempre uma boa alternativa: conversar em vez de interrogar. Dialogar e explicar em vez de punir por si só. Fazer mais atividades em família para que os jovens se envolvam mais com os pais e daí por diante.
 
Os pais de hoje sabem que não podem chamar nomes aos filhos e que estes se sentem muito mal perante qualquer tipo de ofensas. Por essa razão, existe respeito de parte a parte, há um tempo diário; nem que sejam 15 minutos essenciais para conversarem sobre o dia e os pais falarem de si também aos filhos, já que essa é a melhor forma de os preparar para a vida.
 
São cada vez mais os pais que se organizam no sentido de terem horários mais compatíveis com os dos filhos para poderem estar mais tempo em família. Todos sabem o valor desse tempo e dessas emoções e experiências em conjunto.
 
Os pais de hoje não trocam atenção por prendas porque sabem que os filhos precisam é de amor e carinho, por isso, é cada vez mais comum que as famílias aproveitem o tempo que estão juntas para conversarem e para os filhos esclarecerem as suas dúvidas e falarem acerca dos seus comportamentos.
 
Os pais de hoje conhecem bem a importância de observar o que os filhos já sabem fazer e valorizam muito mais o que lhes dizem. Pais e filhos sabem falar de sentimentos, o que aproxima as pessoas, nos torna mais humanos e, sobretudo, pessoas e bons cidadãos.
 
Naturalmente que já me está a dizer que, em muitas famílias isso ainda não acontece como deveria, mas temos de pegar nos melhores exemplos para levar os outros a seguirem aquilo que, neste tempo, é capaz de ser uma alternativa ao passado.
 
Bem sabemos que, há muitos pais e muitas mães que ainda perseguem os filhos e os obrigam a fazer somente o que eles querem, o que leva a que muitos jovens se sintam tão sufocados que só optem por comportamentos desviantes, tal como estamos conscientes de que, uma mãe que cuida do seu bebé, vai ter de se adaptar às diferentes fases de desenvolvimento da criança, do jovem e do adulto e que, sendo a educação uma tarefa exigente, tem de ser colocada em causa para que melhore. Temos de nos suportar do conhecimento de quem estudou os assuntos para que possamos extrair truques e dicas para fazermos melhor, tal como temos de pensar precisamente naquilo que não gostamos que nos fizessem, para que possamos fazer melhor aos nossos filhos.
 
O desafio é grande, mas interessante e capaz de mudar mentalidades. Ouse fazer este exercício e permita-se criticar o que os seus pais lhe fizeram, pois só dessa forma poderá fazer mais e melhor.
 
Fátima Fernandes
 
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