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Não faça pelo seu filho aquilo que ele é capaz de fazer
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Estamos na era do indivíduo e de criar o máximo de oportunidades aos sujeitos desde a tenra idade.
 
Com este avanço significativo nas mentalidades, é preciso compreender que os mais novos precisam de experimentar para conhecer, precisam de viver para se proteger e, acima de tudo, preciso de participar para se conhecerem a si mesmos.
 
Os pais são facilitadores desse conhecimento que resulta das experiências e das vivências, pelo que a sua tarefa consiste em dar espaço a que os mais novos experimentem e testem os seus limites. Neste sentido, os pais devem permitir que os seus filhos façam tudo o que forem capazes de fazer na sua idade.
 
Esta postura ajuda muito no desenvolvimento dos mais novos, ao mesmo tempo que alivia os pais de sobrecargas de responsabilidades, já que delegam muitas tarefas nos filhos que, desde pequenos, começam a posicionar-se no mundo de uma forma mais estável e confiante.
 
Como as crianças adoram brincar, as tarefas são para eles, uma forma organizada pelos pais de os ensinar a brincar com outros objetos e de outra forma, o que melhora significativamente o comportamento e a concentração dos mais novos.
 
Em vez de realizar as tarefas pelos seus filhos e de arranjar desculpas com a idade, prepare-se para perceber o que eles são capazes de fazer. Apenas precisa de tempo e de lhe dar espaço. Ajustando à sua idade, vai reparar que, afinal as crianças são capazes de realizar mais tarefas em casa do que poderia imaginar. Repare na fantástica progressão de dia para dia. Isso revela o seu empenho e curiosidade, a par da vontade de superar os seus limites, o que é muito positivo para a autoestima e autoconfiança.
 
Como não sabemos à partida o que a criança é capaz de realizar, o ideal é desafiá-la a fazer e ensinar o que ela não sabe. É comum que, para evitar tempo, muitos pais optem por assegurar a maior parte das funções em casa. Esse ponto acaba por não permitir a autonomia e a aprendizagem dos filhos que precisam, aos poucos de se situar nas suas tarefas.
 
Comece pelas tarefas mais simples como fazer a cama ou arrumar o quarto. Não há uma idade ideal para começar esta tarefa, mas com cinco anos, qualquer criança é capaz de ajudar os pais nesse trabalho elementar. Vai reparar o quanto ela se torna arrumada desde cedo, pois gosta de ver o seu quarto limpo e organizado e tentará mantê-lo.
 
Esta é uma forma de incutir um conjunto de responsabilidades a brincar e desde muito cedo. Facilita a arrumação e o sentido de ordem e de limpeza dos espaços.
 
Colocar a mesa, no início poderá ter de dar uma ajuda, mas em pouco tempo, a criança será capaz de realizar esta tarefa com distinção e ajudar a colocar os pratos para lavar depois da refeição.
 
Libertá-la para que tome banho sozinha e para que se vista, é outro hábito a incutir desde cedo. Mesmo que não cumpra a tarefa na sua totalidade, aos poucos vai melhorando o seu desempenho. Depois, será capaz de arrumar a casa de banho, de limpar os sanitários e daí por diante.
 
É importante construir este conhecimento ao mesmo tempo em que entra na escola, para que perceba o trabalho que dá manter uma casa limpa e organizada para toda a família.
 
Lavar o carro e aspirar, são mais duas tarefas que os miúdos adoram, por isso, não perca a oportunidade de os mobilizar para algo que é importante para toda a família.
 
Com estas simples, mas importantes noções, a criança cresce a compreender como funciona o mundo à sua volta e aprende noções que lhe vão ser úteis nas fases seguintes.
 
Com este desafio, retiram-se as crianças e jovens da frente dos ecrãs por bons momentos e acabam todos por ter mais tempo em família e de qualidade.
 
Experimente chamar as crianças para ajudar na cozinha e repare que pode estar a despertá-las para mais uma tarefa importante. Comece por dar-lhes as tarefas mais simples e repare como, em pouco tempo, terá aliados em quase tudo o que não comprometa a sua segurança, é uma questão de lhes dar aquilo que está ao seu alcance.
 
Com esta noção de que é um membro da família com a mesma importância dos mais crescidos, estará a desenvolver nos mais novos o seu sentido de responsabilidade, o que é essencial para toda a vida. A criança vai fazendo perguntas para se conhecer melhor e para lidar com os novos desafios e cresce de forma integral. Um dia saberá fazer tudo em casa, terá a necessária autonomia para arrumar o seu quarto, para manter os seus trabalhos de casa em ordem, bem como os materiais escolares nos devidos lugares.
 
Saberá colocar a roupa suja no local apropriado, bem como vestir-se e fazer as suas escolhas.
 
Muitas vezes os pais temem perder o seu papel com a autonomia dos filhos, mas é importante que percebam que perdem uns e, ganham outros. Resta muito mais tempo para os afetos, para as importantes conversas sobre o dia de escola, sobra mais tempo para estarem juntos que, no fundo, é tão ou mais importante que nos preocuparmos com o papel “A” ou “B”.
 
Se os pais tiverem um papel de mais vigilância e de menos realização no que se refere aos filhos, isso acaba por ser muito positivo para todos, pois estão todos valorizados pelo que sabem e concretizam. Ao mesmo tempo, começam a desenvolver outras competências essenciais como o diálogo, a necessidade e a curiosidade em aprender mais.
 
Não se esqueça que, para ter um filho bem sucedido na vida, é preciso incutir a curiosidade em aprender e liberdade para aplicar esses conhecimentos. Ao fazer as tarefas domésticas, os pais estão a criar-lhe regras e normas de bom funcionamento que ele irá utilizar em cada momento da sua vida com um sentido de responsabilidade muito próprio.
 
Um auxiliar importante pode ser fazer uma lista de tarefas numa folha de papel e, à medida em que a criança as supera positivamente, colocar uma bola verde. Optar pela bola amarela quando ainda não está bem, costuma resultar, pois a criança fará a sua própria avaliação e terá curiosidade em melhorar e em ver como é que os pais fazem para poder imitar. Aceite este desafio e, surpreenda-se!
 
Fátima Fernandes
 
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