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Não são “os outros” que decidem a nossa vida
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Crescemos num ambiente familiar que nos dá uma forma para a nossa personalidade.
 
A partir daí e, seguindo as diversas etapas do desenvolvimento, vamos compreendendo mais acerca do mundo, das pessoas e das situações. Vamos tomando consciência de quem somos e dando sentido à nossa personalidade e identidade. É um processo que decorre ao longo de toda a vida, uma vez que, não utilizamos todas as nossas áreas cerebrais, simplesmente vamos tendo acesso a mais conhecimentos à medida em que estamos preparados para fazê-lo.
 
É nesse sentido que se diz que aprendemos ao longo de toda a vida e que vamos tomando consciência de quem somos à medida em que temos esses despertares e essas oportunidades.
 
Uma criança que tem o hábito da leitura desde pequena, certamente que estará muito mais apetrechada para pensar acerca de si mesma e do mundo que a rodeia que uma que não tem esse despertar. O mesmo se passa com a música e com as diversas atividades em que participa.
 
O processo de autonomia vai ocorrendo à medida em que se desenvolvem essas estruturas cerebrais, à medida em que a criança ganha mais conhecimentos e também beneficia da liberdade dos pais e demais familiares para o fazer.
 
Já muitas vezes disse que, não podemos fazer pelos nossos filhos aquilo que eles devem fazer sozinhos, devemos sim ajudá-los a realizarem o maior número de tarefas de forma independente, nesse sentido, estamos a preparar os mais novos para se conhecerem melhor, para ganharem poder de decisão, opinião e liberdade de escolha.
 
Este processo ocorre tanto melhor quanto os pais o entendam e respeitem. Dos pais espera-se que tenham a sua vida com outro adulto, que se entendam e que suportem a criança de afeto e incentivos para que se desenvolva em liberdade. É isso que faz com que se desenvolva a capacidade de decisão, a liberdade de escolha e de expressão das suas ideias, pensamentos e decisões mais tarde.
 
Uma criança que é alvo das vontades dos pais e demais familiares, terá muitas mais dificuldades em se encontrar a si mesma e em se responsabilizar pelos seus atos, já que facilmente empurra as responsabilidades para os adultos em seu redor. Como não é isso que se pretende, tempos nós adultos que dar o exemplo.
 
Não podemos usar os nossos filhos para a satisfação das nossas necessidades egóicas: quando nos apetece ter companhia, recorremos aos nossos filhos, quando estamos bem com o nosso casamento, danos-lhes liberdade. Este jogo custa-nos muito caro na idade adulta dos nossos filhos, já que terão muita dificuldade em se responsabilizarem e assumirem os seus atos.
 
Ao mesmo tempo, o adulto que faz este tipo de pressão, deve fazer uma paragem e perceber a razão pela qual o seu casamento não está bem e precisa desse conforto dos filhos quando se sente carente. Não é esse o papel dos filhos na vida dos pais. Pretende-se que, os dois adultos se entendam e incentivem o filho ou a filha a se desenvolverem para que sejam adultos, responsáveis, inteligentes e trabalhadores. Para que sejam o orgulho dos pais e não um “objeto” que se utiliza quando nos dá jeito.
 
Bons pais, bons avós, bons tios e demais familiares, estão com a criança dando-lhe espaço e liberdade para que faça as suas descobertas, ao mesmo tempo em que lhe transmitem os valores de boa convivência social para que se respeitem e sejam capazes de respeitar os outros, mas não interferem nas suas escolhas e opiniões, orientam em vez de assumir uma postura autoritária.
 
Explicam em vez de “passarem a mão pela cabeça em tudo” e incentivam a que a criança pense e analise os seus atos.
 
Fazem-no com dedicação, respeito e carinho, pois é de um membro da sua família que se trata, mas não o fazem de forma sufocante e dependente. A criança e o jovem têm de crescer e seguir o seu percurso. Os adultos têm de deixar crescer e seguir também o seu percurso. O encontro dos resultados daí obtidos é maravilhoso porque existe um laço afetivo e um enorme respeito de parte a parte.
 
Quando dizemos que não são os outros que decidem por nós, todos temos de ter consciência das nossas responsabilidades, do nosso papel e da nossa função enquanto pais, educadores e adultos para podermos dar o exemplo e, ao mesmo tempo, não termos de nos desculpabilizar pelo que não fazemos. Pensamos, analisamos e corrigimos aquilo em que estamos a falhar.
 
Se percebemos que não estamos no caminho certo para ir ao encontro daquilo que pretendemos, temos de pensar naquilo que pretendemos, pois é isso que se espera de pessoas adultas: que sejam capazes de resolver os seus problemas e dar um sentido às suas vidas.
 
Não podemos passar a nossa vida a colocar as culpas nos outros, temos de ter essa capacidade de perceber quando estamos errados para poder inverter o rumo das situações.
 
Esta responsabilização estende-se a tudo na nossa vida; na educação dos filhos, nos nossos atos de cidadania, no emprego e na nossa vida afetiva. Os adultos devem assumir adultos comportamentos para poderem respeitar os outros e as crianças com os seus comportamentos infantis.
 
Não podemos cair no ridículo de dizer “não sei o que fazer”, quando temos a obrigação de procurar o conhecimento. Quando nos chega uma carta das finanças e não entendemos o que está lá escrito, temos de pedir ajuda nos serviços, quando temos um problema de saúde, recorremos ao médico, quando não sabemos como educar os nossos filhos, recorremos a um bom livro, falamos com o médico de família ou procuramos um psicólogo que nos encaminhe nessa tarefa, agora não podemos é sistematicamente encolher os ombros e fazer de conta que nada se passa quando muito pode ser alterado.
 
Com este apontamento quero dizer que, temos de nos responsabilizar pelos nossos atos e procurar o máximo de informação para que o façamos bem. Não sabemos, pedimos ajuda, mas temos de fazer alguma coisa em prol da melhoria da nossa qualidade de vida.
 
Fátima Fernandes
 
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