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Ninguém consegue resolver tudo sozinho
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Todos sabemos que, a partir do momento em que nascemos, estamos em frente ao mundo e com o intuito de nos prepararmos para sermos responsáveis, adultos, maduros, inteligentes e trabalhadores, tal como sabemos que somos nós quem sentimos a alegria e a tristeza proveniente das nossas escolhas, mas não nos podemos esquecer de que, os outros ajudam-nos a sermos mais felizes ou que, pelo contrário, há pessoas que nos fazem infelizes e das quais temos de nos proteger.
 
Quer isto dizer que, desde muito cedo, aprendemos a fazer escolhas e, se precisamos de tudo quando nascemos, vamos criando a nossa autonomia à medida em que o tempo vai passando e em que vamos adquirindo novas experiências e competências pessoais.
 
Na realidade, somos seres únicos e especiais, mas precisamos de nos relacionar com outros humanos para que conheçamos e possamos desenvolver as nossas características, interesses, habilidades e competências. Acima de tudo, somos seres emocionais e precisamos desse alimento para nos mantermos vivos e saudáveis.
 
Não importa quem é que nos alimenta emocionalmente, sabemos simplesmente que precisamos de afeto, de amor, de carinho e de atenção e, quanto mais assumirmos esta realidade, mais felizes seremos.
 
Se repararmos, por muito que uma pessoa opte por não se casar ou manter um relacionamento com alguém, terá de encontrar essa compensação nas amizades que, não sendo a mesma coisa, acabam por num determinado momento preencher uma necessidade emocional e, é isto que nos acontece ao longo da vida.
 
Se não temos pais presentes, acabamos por procurar amigos desde muito cedo. Se temos menos amigos, acabamos por recorrer a familiares e daí por diante. Percebemos que não estamos preparados para vivermos sozinhos apesar de termos de ser únicos e especiais; dotados de tudo para nos protegermos, afirmarmos e para fazermos parte deste mundo, mas em termos afetivos, não dispomos de recursos que nos permitam um isolamento social e uma opção por um estilo de vida solitário.
 
Adoecemos quando nos isolamos, quando não temos alguém com quem partilhar as nossas emoções. Perante esta realidade, é caso para perguntar que sentido faz uma mãe cuidar de um filho sozinha?
 
Que lógica existe num pai que se separa da companheira e que fica sozinho com o filho? Na realidade, a criança precisa dos dois adultos e, o pai ou a mãe precisam de ter um adulto ao seu lado para serem melhores pais. A criança terá de fazer também o seu processo, as suas amizades entre pares e as suas descobertas, não pode estar adstrita ao pai que se isolou do mundo e que a vê como o seu centro, pois isso não faz bem nem ao adulto, nem à criança.
 
Não quero dizer com isto que, quando as pessoas não se entendem que tenham de ficar juntas, quero simplesmente alertar para a necessidade de um homem ou de uma mulher refazerem a sua vida com outra pessoa.
 
Não é por um relacionamento não ter “dado certo” que o mesmo volta a acontecer com outro, tudo depende do que aprendemos na experiência anterior e que queremos melhorar.
 
Acima de tudo é essencial que percebamos que não conseguimos viver sem emoções e, isso faz com que tenhamos uma maior responsabilidade no que se refere ao que sentimos, pois não podemos ignorar o desejo, a necessidade de prazer, os sentimentos que os outros nos provocam e daí por diante.
 
Concordo com o facto de que, há pessoas que nos fazem mal e que muitas vezes se encontram no seio familiar. É verdade que nem todos temos a sorte de nascer numa família amiga, mas isso não quer dizer que não procuremos constituir a nossa família noutros moldes e com outros valores.
 
O facto de assumirmos que a nossa família é tóxica, deve dar-nos forças para nos afastarmos o mais possível de quem nos provoca esse mau-estar e libertar-nos para constituirmos uma família com uma base nova e positiva.
 
Muitas vezes, o facto de termos uma família original pouco positiva dá-nos força para contrariar essa tendência e para fazermos algo melhor e muito diferente. Claro que, como não conseguimos fazer tudo sozinhos, por vezes precisamos de ajuda para o fazer, mas o importante é que sejamos capazes de pedir essa ajuda e superar.
 
Falar com outras pessoas ajuda muito a tomar consciência daquilo que nos acontece e que queremos modificar, mas nem todos temos amigos capazes de nos orientar. Acontece que, pela idade, muitos dos nossos amigos não reúnem conhecimentos suficientes para nos dar um conselho à altura do que precisamos, por isso, podemos recorrer a um médico de família, ou a um psicólogo para nos orientar.
 
Não é vergonha pedir ajuda. Muito pior é não pedir, não saber fazer e andar em “becos sem saída”, sem conseguir encontrar soluções para os nossos problemas por falta de conhecimento ou de maturidade. Uma ida ao psicólogo é tão banal como uma outra consulta qualquer. O psicólogo intervém em áreas psicológicas para nos ajudar a encarar a vida de outra forma e a aproveitarmos melhor os nossos recursos pessoais, por isso é um importante aliado no que diz respeito à qualidade de vida e ao bem-estar.
 
Para quem tem a sorte de ter bons pais, pode aproveitar para pedir um conselho, uma opinião, uma orientação num momento difícil, o mesmo se passa com os amigos mais experientes que nos podem dar uma “mãozinha” importante num determinado momento, mas jamais guarde apenas para si algo que não está a conseguir superar.
 
É interessante quando conseguimos abrir o nosso coração com a pessoa com quem vivemos, por isso, tente que os seus relacionamentos se aproximem desse desejo: ter alguém com quem possa conversar e dividir os seus problemas e inquietações. Lembre-se de que, só amamos alguém com quem temos muitos pontos em comum, alguém com quem desfrutemos de um conjunto de prazeres, entre outros, o diálogo, sob pena de continuarmos a viver sozinhos com a frustração de que temos alguém ao nosso lado.
 
Fátima Fernandes
 
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