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O que está a fazer para combater a solidão?
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A solidão é um problema real do estilo de vida atual em que as pessoas passam grande parte do seu tempo no trabalho e em deslocações para cumprir as suas obrigações profissionais, é o resultado de uma massificação humana nos grandes centros urbanos e muitas famílias desmembradas devido à necessidade de procurar mais qualidade de vida e emprego e, naturalmente, as famílias acabaram por ficar muito mais reduzidas e com um aumento de responsabilidades. Tudo junto deu lugar a novos problemas, novos desafios e a um aumento da solidão.
 
As pessoas passaram a preocupar-se mais consigo e menos com os outros, a competitividade aumentou e muito entre os colegas de trabalho e até no seio das famílias, sem esquecer que, o novo estilo de vida não promove as relações mais profundas pela falta de tempo e pelo corte dos laços que se viviam no passado quando as famílias moravam relativamente perto e sempre prontas a se auxiliarem mutuamente.
 
Esta necessidade de sobreviver em condições mais exigentes, não tem permitido que as pessoas se entreguem muito a relações. Uma vez perdida a relação com a família originária, muitas pessoas procuram as amizades como compensação, mas ainda não se conseguiu muito bem definir o que se procura nos amigos. Ao mesmo tempo, chegaram as tecnologias e as redes sociais que roubam muito do nosso tempo e nos mostram que o modelo de amizade atual é virtual. Estamos acompanhados em rede, mas sozinhos quando nos cruzamos com essas pessoas na rua…
 
É mesmo entre humanos que as coisas se complicam, pois somos seres gregários, estamos ligados em rede, mas à distância, o que nos torna cada vez mais sós. Podemos até estar no meio de uma multidão, mas sentirmo-nos sozinhos na mesma, pois não estamos a partilhar nada em conjunto, não estamos a sentir o outro, a viver uma experiência comum com outro humano que esteja disponível para nós numa relação cúmplice. Não estamos preocupados com o que o outro possa sentir, apenas queremos salvaguardar os nossos interesses e dar resposta às nossas obrigações e responsabilidades. Estamos sós e não conseguimos captar outras pessoas porque nos falta tempo, energia, entusiasmo e, por vezes, até consciência de que precisamos de alguém.
 
No seu livro “Do Medo à Esperança, lançado em 2016, Raquel Varela alertou o país para o facto de os portugueses estarem mais solitários. “É um problema que se tem vindo a agravar sobretudo devido às mudanças profundas a que assistimos”. A autora refere duas grandes mudanças: a transição de uma sociedade rural para uma sociedade urbana, o que significa também a passagem de núcleos familiares maiores para núcleos muito pequenos; e relações competitivas nos locais de trabalho, já que as pessoas cada vez mais trabalham em competição umas com as outras. Estes fatores são determinantes da solidão, que tem um papel muito importante no alastramento da depressão.
 
Para além da depressão, Raquel Varela evidencia que “toda a solidão é má”. Estar só e ter momentos para si deve ser valorizado. “Mas a solidão tem um carácter patológico. Provoca um mal-estar social”. Em declarações à comunicação social, esta autora realça que,  “numa sociedade mais gregária a cooperativa, as pessoas cansam-se menos, porque dividem mais as tarefas”. Caso tal não exista, “também há consequências no Serviço Nacional de Saúde, nas taxas de adoecimento”.
 
A mesma autora não tem dúvidas de que os animais fazem muita companhia, mas “uma coisa é companhia, outra são relações”. As relações com animais são de poder, não são relações entre iguais. Os animais são alimentados por nós, existe uma relação de dependência. Os casais amam-se de igual para igual. Precisamos de cuidar e de ser cuidados. Isso cria uma enorme força anímica, um enorme bem-estar, sustentou.
 
No que se refere às redes sociais, Raquel Varela diz que, “apesar de estarmos cada vez mais ligados ao mundo, estamos cada vez mais sós. É o modo de produção capitalista, em que as pessoas vivem como abelhas, com muito pouco tempo livre, com avaliação de desempenho e competição no trabalho”. As pessoas estão cada vez mais sozinhas, apesar de muito conectadas através de máquinas, frisou.
 
Nas mesmas declarações, a autora não tem dúvidas de que, as máquinas roubem tempo às relações humanas, pois “estamos num processo regressivo histórico de aumento de horário de trabalho e intensificação do mesmo, em que as pessoas até podem ter tempo para comunicar por WhatsApp ou Facebook, mas não têm tempo para fazer amor. Chegam a casa exaustas, sós”.
 
Para contrariar esta tendência devemos em primeiro lugar assumir que precisamos de nos relacionar com pessoas, depois procurá-las em grupos do nosso interesse. Reduzir o tempo de ligação à rede, optar sempre por relações presenciais quando possível. Colocar a comunicação à distância apenas quando não é possível estar com a pessoa, sair de casa, fazer atividades ao ar livre que permitam estar pelo menos em contacto com outras pessoas, nem que seja través de um cumprimento. Ser menos exigente com os outros, aproveitar os momentos com alegria e bem-estar.  (Re)descubra o prazer de estar com outras pessoas e incuta os mesmos valores nos mais novos com os seus gestos diários. Uma mãe ou pai que acarinham diariamente os seus filhos, estão a mostrar-lhes o valor do calor humano para que se tornem mais pessoas e capazes de partilhar afetos. O exemplo deve sempre partir dos mais velhos, por isso, não tenha medo de dizer aos seus filhos o quanto os ama, este é um ponto a favor no combate à solidão.
 
Fátima Fernandes
 
 
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