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O que está a tornar o nosso mundo tão acelerado?
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A pressa para chegar ao conhecimento, ao topo da carreira, ao investir muita da nossa saúde por dinheiro e depois gastá-lo para recuperar a saúde, a necessidade de estar na moda, de adquirir a ultima tecnologia que, apesar de ser parecida à anterior, nos dá a ilusão de que estamos atualizados, o excesso de oferta que nos coloca numa permanente sensação de incerteza e de necessidade de estar alinhados com os outros, sem que, muitas vezes tenhamos dinheiro para fazer face a esses gastos, são apenas a ponta do iceberg que está a tornar as nossas vidas aceleradas e que nos deve fazer pensar até que ponto vale a pena viver assim.
 
Na realidade, todos nascemos para nos tornarmos cada vez mais humanos, para mantermos relações saudáveis uns com os outros e para tirarmos mais partido do que somos e temos. Somos a civilização que mais recursos tem ao seu dispor, mas provavelmente a mais triste e infeliz de sempre. Todos recordamos o melhor que já fizemos nas etapas anteriores e encontramos momentos em família, com amigos, ao ar livre, em contacto com a natureza e, percebemos que éramos muito mais felizes com a simplicidade da vida do que com tanta exigência superficial e digital que temos hoje ao nosso dispor, mas não sabemos como travar esta aceleração.
 
Se é verdade que se trata de um sistema, também é um facto que cada um de nós pode optar pelo seu estilo de vida, pela forma como encontra a sua paz interior e a felicidade dentro da sua célula familiar. Todos podemos optar por fazer um uso inteligente dos recursos que temos ao nosso dispor, basta que, para isso, sejamos conscientes das nossas vontades, prioridades, valores e estilo de vida.
 
Não temos de seguir todos essa linha acelerada de ter tudo a qualquer preço, podemos utilizar as tecnologias para o nosso trabalho, para encurtar distâncias com quem está longe, mas recusar o vício de estar sempre ligado, de comprometer o nosso descanso e momentos em família. Não temos de imitar quem está a comunicar por mensagens estando no quarto ao lado do nosso. Podemos e devemos afirmar a nossa posição negando aquilo que não queremos. Não temos de mudar de carro de dois em dois anos quando até gostamos dele e não temos dinheiro para outro.
 
É importante que tenhamos em conta que, apesar de tudo estar em constante mudança e aceleração, cabe a cada um de nós encontrar o seu ponto de equilíbrio, decidir onde e como quer gastar o seu dinheiro e que pode imitar exemplos que melhor se encaixam na sua forma de vida.
 
É verdade que o marketing nos dá a ilusão de que “toda a gente vive assim”, mas trata-se de uma franja da sociedade. A maioria das pessoas não muda de computador e de smartphone todos os anos, muito menos faz assim as suas trocas de carro! Temos de perceber que, há quem siga a ultima tendência e há quem opte por se manter fiel aos seus princípios, pelo que tudo depende do rumo que queremos seguir, se estamos dispostos a abdicar da nossa qualidade de vida em prol do consumismo descartável ou se preferimos manter-nos como somos e, isso é um direito que nos assiste e que será tão respeitado quanto o soubermos afirmar para nós próprios.
 
Optar por um estilo de vida mais saudável, implica que cada um saiba muito bem aquilo que lhe dá prazer e que siga esse caminho sem se preocupar com as generalizações que não são mais do que um grupo de pessoas que gosta e, com todo o respeito também pela sua opção, de estar na linha da frente. Há pessoas que podem efetivamente seguir essas tendências e que gostam de viver assim, enquanto que há outras que nem podem, nem são mais felizes por viverem nessa corrida contra o tempo.
 
Já parou para pensar que todos queremos viver mais e apostamos nisso todos os dias, mas que não zelamos pela nossa saúde física, mental e emocional? Se queremos viver mais, que tenhamos mais qualidade de vida, mais momentos de prazer, menos obrigações e imposições tecnológicas. É importante que sejamos capazes de nos afirmar e de dizer a nós próprios que mantemos o nosso estilo de vida, as nossas prioridades e aquilo que nos faz bem. É fundamental que renovemos o nosso propósito no mundo, que sejamos importantes para nós próprios, para o nosso cônjuge, para os nossos filhos, que saibamos escolher as pessoas com quem gostamos de conviver porque nos acrescentam algo de novo e nos fazem bem.
 
Basicamente todos temos uma responsabilidade sobre as nossas escolhas e, é delas que depende viver de uma forma mais ou menos acelerada, mais ou menos descartável, mais ou menos livre e feliz.
 
Fátima Fernandes
 
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