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O que fazer quando as pessoas não se entendem?
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Somos todos diferentes uns dos outros e, apesar de querermos agrupar-nos, nem sempre encontramos à primeira, à segunda ou à terceira tentativa, uma pessoa com quem construir um projeto de vida em comum.
 
São inúmeras as razões para que tal aconteça, de tal ordem que nem vale a pena dedicar muito tempo a tentar compreender esses motivos. Devemos confiar mais nos nossos sentimentos e colocar a razão a funcionar para tomar a decisão mais acertada em cada momento.
 
Nos dias de hoje, estamos “cheios” de teorias e tentativas para reconciliar as pessoas que não se entendem e, como resultado disso, temos uma sociedade mais ansiosa e menos capaz de procurar aquilo que o nosso cérebro realmente necessita: a tranquilidade.
 
Um dos grandes geradores da felicidade humana é aquele momento em que estamos em paz connosco próprios e com quem nos devolve boas energias e sensações. Não podemos fugir disto apesar de querermos “agarrar este mundo e o outro”. Todos queremos estar bem e ser felizes ou ter cada vez mais momentos de felicidade, nesse sentido, temos de procurar as melhores soluções para os nossos problemas e, a razão aliada à emoção são uma importante ajuda.
 
Não nascemos para andar em conflito uns com os outros. Nascemos para encontrar soluções para os nossos problemas e, quando alguém nos provoca mau-estar, tendemos a afastar-nos para nos sentirmos mais livres e longe dessa energia negativa.
 
Desde sempre que nos habituamos a proteger dos perigos e, cada vez mais sabemos que, “nem todas as batalhas se vencem lutando”. Há situações em que temos de nos distanciar para conseguirmos pensar e reformular. É nesse contexto que defendo que, devemos dar tempo e espaço a nós mesmos e aos outros pois a sobrecarga de tensões, nem sempre colhe bons resultados. Somos capazes de prever as situações em que vamos ficar mais inquietos e desconfortáveis, por isso, temos a obrigação de as evitar até que lhes retiremos essa importância.
 
Viver num mundo mais pacífico implica saber bem que o nosso cérebro quer paz e tranquilidade para ser feliz. Perante essa constatação, que sentido faz lidar com pessoas num ambiente de tensão e luta permanente? Estaremos certamente a lutar contra a nossa própria natureza e a adoecer.
 
Sou muito pragmática nesse sentido. Quando duas pessoas não se entendem, de nada serve a discussão para tentar mudar alguém. O diálogo é importante para encontrar os pontos em comum, quando este não é possível, mais vale “deixar ir”, que é como quem diz, procurar outro sentido para a nossa vida e permitir que a outra pessoa também o faça. Isso é respeito por nós próprios e pelos outros.
 
Naturalmente que me refiro a todas as relações em “beco sem saída”, sejam elas entre parceiros, amigos ou familiares. Não vale a pena arrastar problemas cuja solução apenas passa pelo distanciamento.
 
Neste contexto social, andamos todos muito mais empenhados em conseguir alcançar os nossos objetivos e os tais momentos de felicidade, pelo que vale a pena dedicar o nosso valioso tempo a quem nos faz felizes, ou com quem nos sentimos bem. Não percamos tempo e energia com “causas perdidas”. Acredito que esta será a melhor forma de evitar discussões e demais formas de violência, pois percebe-se que não vale a pena investir e desiste-se.
 
Não é vergonha alguma assumir que não se consegue um entendimento com algumas pessoas. 
 
“Vergonha” é saber disso e insistir tornando as relações cada vez mais insustentáveis.
 
As crenças levaram a arrastar relações sem futuro porque fomos habituados a insistir, a perdoar e a dar sucessivas oportunidades, mas qual é o resultado disso? 
 
Todos sabemos que só muda quem quer mudar e que, quando ocorre uma perda desse alimento tenso, se torna mais fácil analisar e tomar as decisões mais acertadas. Nesse sentido, afastemo-nos, pensemos e depois logo decidimos se vale ou não a pena reatar o relacionamento. Na maioria das situações esse afastamento possibilita uma tomada de consciência do erro e da necessidade de seguir outro caminho, por isso, treine as relações, melhore-se e verá que, afinal nem tudo tinha a importância que julgava à partida. Em nome do bem-estar e da tranquilidade que desejamos, vale a pena abdicar daquilo que nos causa sofrimento e ansiedade.
 
Precisamos de relações mais positivas entre as pessoas, tal como é necessário valorizarmos mais quem nos trata bem. Só conseguimos isso libertando-nos de quem nos alimenta as memórias negativas e as situações que queremos ultrapassar em nós mesmos.
 
As discussões são quase sempre baseadas nos nossos medos e nos problemas que temos para resolver dentro de nós, por isso, vale a pena resolver aquilo que nos inquieta e depois, aproveitar melhor as sensações positivas da vida. Ter tempo e liberdade para estar em contacto com a natureza, para namorar com quem amamos e nos ama, dar afetos aos nossos filhos, trabalhar com mais alegria e determinação e daí por diante. É tempo de dar um novo sentido à sua vida, acredite e cultive essa ideia, pois aos poucos, ela vai dar os seus frutos.
 
Fátima Fernandes
 
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