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O que leva as pessoas a se vingarem umas das outras?
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A vingança é por si só um sentimento negativo, no entanto, pode ganhar novos contornos quando associadoa à melhoria da auto-estima e à diminuição de sentimentos de inferioridade.
 
As pessoas sentem necessidade de se vingarem umas das outras devido a um profundo sentimento de frustração e de inferioridade, o que em casos extremos, conduz a ódios e a sentimentos tão destrutivos para o outro como para si mesmas.
 
Os entendidos em psicologia afirmam que, “só nos vingamos de pessoas por estarem em pé de igualdade enquanto seres humanos. Pela nossa cabeça não nos passa vingarmo-nos de uma força da natureza que nos prejudicou numa determinada situação, mas sim de alguém que por algum motivo nos fez desencadear um sentimento de dor ou sofrimento”.
 
Nesta dimensão, “é um sentimento de inferioridade que move seres humanos para a vingança. Quando tal não existe, somos capazes de desenvolver a compaixão e de perceber ou tentar aceitar algo de negativo que nos tenha sucedido”.
 
É muito comum existir este sentimento entre colegas de trabalho, membros da família ou outras pessoas que se situam numa relação de proximidade, pelo que, “ou nos colocamos numa posição de desenvolvimento da nossa auto-estima e procuramos saber mais para poder fazer face a um novo desafio, ou acabamos por desenvolver um sentimento destrutivo que pode ganhar elevadas proporções e tentamos vingar-nos do outro”.
 
Idealmente “cada indivíduo deveria tentar superar-se a si mesmo ao invés de se perder com sentimentos desta ordem. É sempre preferível melhorar os conhecimentos e sentirmo-nos melhor, afastarmo-nos de quem nos leva a ter maus pensamentos e sentimentos, no entanto, há quem, pelas mais variadas razões psiquiátricas, não consiga esta serenidade, resiliência e aceitação da realidade e acabe por querer fazer ‘justiça’ com meios nem sempre aceitáveis”.
 
Os psicólogos defendem que, “atenuando os sentimentos de inferioridade, podemos concentrar a vingança num objetivo positivo, como sendo, tentando produzir algo, mudar de direção e, ás vezes até de profissão. Podemos tirar um novo curso, desenvolver algo novo quando percebemos que aquela forma já não nos satisfaz e nos conduz a muitas frustrações. Podemos sempre ler mais e procurar encontrar outras explicações para o que nos aconteceu, razão pela qual a vingança pode ser transformada numa conquista de algo melhor para nós mesmos”.
 
Perante um sentimento de dor, existe um tempo para sentir, outro para analisar e por último reagir. Nesta fase de ação, podemos sempre optar por encontrar novos desafios para os nossos talentos e energias, já que “é a forma mais sadia de lidar com o sofrimento. É encontrar outras formas de preenchimento e de realização. Muitas pessoas iniciam aprendizagens em áreas que lhes pareciam inacessíveis, enquanto que outras aprofundam conhecimentos e idealizam uma promoção profissional. Na família, há quem alimente a vingança devido aos laços de proximidade e, “quem se afaste mesmo com esses laços. Nessa ausência surgem novos conhecimentos e um distanciamento face ao que estava instituído. A vingança termina mesmo ignorando e seguindo em frente através da crianção de novas metas e objetivos pessoais”.
 
Os entendidos reforçam que, “mesmo no seio familiar, a única solução saudável é virar a página e seguir em frente, pois é precisamente neste meio que deveria ser de afetos, que ocorrem os maiores sentimentos destrutivos e de competição, pelo que devemos ultrapassar essa linha e encontrar alternativas mais felizes fora dessa célula que tende a fechar-se e a criar situações muito complexas”.
 
Evitar a vingança é mesmo encontrar compensações quando se sente algo negativo, é evitar o foco numa determinada pessoa ou situação, é alargar horizontes, é procurar saber mais e viver novas conquistas, “daí a importância do conhecimento. Quanto mais eu souber, mais sou capaz de perdoar. Não nos esquecemos do que aconteceu, mas distanciamo-nos dessa dimensão e concentramo-nos noutras, pois o que se pretende é que sejamos felizes e de bem com a vida” – sustentam os mesmos especialistas.
 
Fátima Fernandes
 
 
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