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O que mudou na educação nos últimos anos?
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É comum dizermos que a educação mudou muito e que “nada hoje é como era”, mas muitas vezes, não se integram as mudanças, muito menos se respeita aquilo que se alterou.
 
Em primeiro lugar, é preciso ter em conta que, o regime político mudou muito e, com ele, as mentalidades tiveram de acompanhar um novo percurso e processo.
 
Ao mesmo tempo, existe muito mais conhecimento, existe liberdade de expressão e cada indivíduo tem acesso aos meios que existem, seja através dos livros, seja através da internet que, ao sabor de um clique, nos fornece pistas de orientação e de análise sobre qualquer assunto. Depois, temos muito mais escolaridade, muitas mais partilhas entre gerações, pelo que se pode afirmar que, basta querer, todos podem aceder ao conhecimento.
 
Um dos pontos que mudou e muito na educação foi a extinção do autoritarismo, seja em casa, seja na escola.
 
A autoridade passou a ser o termo aplicado e acabou com as imposições fáceis que se viveram noutros tempos.
 
Na mesma sequência, existe uma maior consciência na nossa sociedade, de que o indivíduo tem de ser respeitado e para isso, tem de se dar ao respeito.
 
Contrariamente ao passado, os pais acompanham o processo de desenvolvimento dos filhos. Mesmo com menos tempo porque homens e mulheres trabalham, os pais de hoje são muito mais empenhados e interessados no percurso escolar dos filhos, mantêm uma relação de maior proximidade com a escola e com as demais atividades em que as crianças participam.
 
O diálogo é livre e é fácil compreender e respeitar o ponto de vista dos mais novos, enquanto que, no passado, as crianças nem tinham opinião sobre si mesmas, sobre os pais e sobre o mundo.
 
Fala-se muito mais de sentimentos hoje, quando no passado era uma vergonha chorar ou desabafar. As crianças falam naturalmente dos seus problemas, dizem o que sentem e identificam os seus sentimentos relativamente aos outros e às situações.
 
Apesar de, no passado se conquistar a responsabilidade muito cedo, hoje as crianças desenvolvem a autonomia mais cedo, pelo que, apesar das diferenças, os mais novos são muito mais capazes hoje de realizarem determinadas tarefas do que eram há poucas décadas, isto porque existe uma preocupação com a maturidade.
 
No passado, era a idade que determinava essa responsabilidade, presentemente é a autonomia e a capacidade de resolver os seus problemas que determina o desenvolvimento dos mais novos.
 
Percebeu-se que um jovem atinge a maioridade aos 18 anos, mas que isso não traduz necessariamente maturidade, pelo que, os pais não o podem obrigar a conseguir ser adulto, a trabalhar e a sustentar-se, quando no passado, a idade determinava até o casamento mesmo que o jovem não estivesse preparado para isso.
 
O mesmo se passa com a parentalidade. Hoje sabe-se que, para ser pai ou mãe é preciso ter essa maturidade e sentido de responsabilidade, quando no passado, era uma imposição social, sendo que, muitos pais ainda hoje não sabem como é que passaram por esse processo.
 
A sociedade atual exige cada vez mais responsabilidades apesar de se dizer facilmente que estamos numa crise de valores. Claro que estamos numa crise de valores, estamos a alterar as formas de agir e de pensar, estamos a encontrar um novo rumo para uma democracia que ainda é muito jovem e que preserva muitos traços da ditadura através dos mais velhos que são uma larga percentagem no nosso país.
 
Naturalmente que, só nas próximas gerações é que se vão encontrar resultados sobre o trabalho que se está a desenvolver agora, até porque, o nosso país tem um número de nascimentos muito abaixo da média desejada para a renovação das gerações, enquanto que a esperança média de vida tem aumentado significativamente.
 
Quer isto dizer que, apesar de termos um país muito envelhecido, o problema são as mentalidades que insistem em manter os mesmos traços quando os mais novos que estão em minoria, precisam de dar um salto em frente e agarrar outras vivências.
 
Com o acesso à informação que temos hoje, naturalmente que é muito mais fácil compreender o que se passa no mundo, estar atento e conseguir estar à altura dos novos desafios, pelo que atualmente ninguém pode argumentar que não sabe, quando isso serviu de resposta muitas vezes no passado.
 
Quem quer estar informado, procura os locais certos e específicos para saber mais. Ao mesmo tempo, existe formação ao longo da vida, pelo que, não temos de ter um país envelhecido e ignorante. Temos sim de dotar as pessoas de conhecimento e de oferta para que encontrem esse conhecimento, pois hoje também se sabe que é no saber que está a virtude e, quem não acompanha os mais novos, acaba por não os conseguir manter por perto.
 
Os jovens gostam de ver os mais velhos interessados pelas novas tecnologias e, se se interessam pelas suas histórias, também exigem que os pais e avós os acompanhem nas suas ideias e atitudes, pelo que é fácil compreender o que mudou na educação no nosso país; a igualdade de tratamento. Estamos cada vez mais a cumprir o tipo de relação horizontal defendida por Paulo Freire (de igual para igual), pelo que, se ensinamos os nossos filhos a pescar, em vez de lhes darmos o peixe, também eles nos vão mostrar uma cana mais sofisticada quando a descobrirem!
 
Fátima Fernandes
 
 
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