Família

O que os jovens procuram nos pais

A arte de lidar bem com um adolescente é conciliar sempre a razão com a emoção.
A arte de lidar bem com um adolescente é conciliar sempre a razão com a emoção.  
Foto: (Freepik)
O primeiro ponto a reter nesta reflexão é que os pais precisam de mudar quando os filhos chegam à adolescência.

É necessário compreender que, muito mais do que impor regras, os pais têm de tentar entender os filhos, conversar abertamente com eles, ter tempo e disponibilidade e, acima de tudo, dar-lhes afeto.
 
É verdade que, os adolescentes precisam de uma orientação, de pais capazes de os guiarem, de os aconselharem e de lhes fornecerem regras e obrigações para que sejam mais responsáveis, mas ao mesmo tempo, necessitam de amor, já que são os sentimentos que os vão ajudar a ultrapassar as inseguranças e medos próprios da idade.
 
É muito importante que um jovem saiba que, quando chega a casa, recebe o carinho e o conforto dos pais, que estes têm interesse nos seus assuntos, que estão abertos a conversar sobre qualquer tema e que o amam.
 
É evidente que os pais chegam a casa cansados depois de um dia de trabalho e, nem sempre reúnem as forças e a paciência para ouvirem um jovem confuso, que não sabe muito bem o que quer, que nem sempre se sabe expressar e explicar bem, que tem os sentimentos ao rubro, mas é crucial que os pais entendam que, essa é mais uma fase do desenvolvimento dos filhos e que terão de marcar uma presença forte para que o processo decorra pelo melhor possível.
 
Assim, é imperioso que se desliguem os ecrãs durante a conversa, que se minimize a novela e as redes sociais e que se ouça o filho, sob pena de o mesmo se isolar e fechar dentro de si mesmo e de pouco ou nada conversar com os pais, pois não sente apoio e disponibilidade da parte dos adultos.
 
A arte de lidar bem com um adolescente é conciliar sempre a razão com a emoção. Quer isto dizer que, devemos ouvi-lo e acarinhá-lo e, ao mesmo tempo, saber dizer-lhe o que é importante, sem impor, sem julgar e sem criticar. Por vezes, é difícil conseguir ter este talento porque os jovens sofrem muitas variações de humor, mas quanto mais os pais os entenderem e perceberem que é mesmo assim nesta fase, melhor conseguirão desempenhar o seu papel.
 
Depois, é também essencial que os adultos não se queiram passar por perfeitos, como se nunca tivessem cometido erros, como se tivessem sido jovens exemplares, sem problemas, sem medos, sem inseguranças, porque isso afasta os jovens que, ao se sentirem perdidos, não veem nos pais um apoio.
 
O jovem precisa de sentir que os pais o respeitam, que aceitam a sua opinião e escolha, mesmo que tenham uma posição distinta. Pais e filhos não têm de pensar da mesma maneira, nem ser iguais, mas em conjunto podem trocar impressões e aprender. Para isso, é fundamental que se aposte muito no diálogo em que ambas as partes se escutam com interesse e respeito.
 
Os pais não têm de impor as suas preferências e obrigações aos filhos, mas sim ouvir os seus pontos de vista para que possam chegar a um entendimento. É com esta base que os jovens seguem mais facilmente as orientações dos adultos.
 
É também imperioso que os pais saibam assumir falhas e erros, que reconheçam que não sabem tudo e que são pessoas, apesar de estarem todos em posições diferentes. Devem aceitar que se fale sobre um qualquer assunto e estar disponíveis para encontrar outras formas de encarar a mesma realidade. Desse modo, os jovens vão sentir-se amados, acarinhados e compreendidos e mais facilmente vão seguir as instruções dos pais.
 
Os progenitores também devem entender que, em alguns momentos, os filhos lhes respondem com alguma agressividade porque necessitam de se desvincular um pouco deles. O jovem começa a sentir-se muito ligado aos pais e a necessitar de criar uma margem de manobra que lhe permita crescer e deixar de ser criança. Os pais devem, no entanto, explicar-lhe que o respeito é fundamental em todas as relações e colocar-lhe alguns limites, nomeadamente na forma como se dirigem aos adultos.
 
Ainda neste ponto, é de registar que o adolescente sente necessidade de ter o controle sobre a sua vida e quer sentir-se capaz de o fazer, por isso, é natural que queira afastar os pais, mas que, ao mesmo tempo, necessite do amor e compreensão destes. Os bons pais tentam compreender esta dualidade com afeto, mas também com rigor e respeito.
 
Por fim, nunca se deve dizer a um filho e, ainda menos a um adolescente que, se ele não fizer isto ou aquilo que será colocado fora de casa ou utilizar outro tipo de ameaças que deixam marcas profundas nos mais novos. É interessante que os pais saibam usar recursos apropriados, nomeadamente mostrar compreensão e afeto para que os jovens se sintam motivados para realizarem o que pretendem.
 
Frases destrutivas e ofensivas só vão agravar a relação e dar lugar a afastamentos entre pais e filhos, por isso, procure compreender na globalidade o que é a adolescência, qual a melhor postura a adotar e o que pode desenvolver para conseguir uma base positiva com o seu filho.
 
Fátima Fernandes