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O que os pais precisam de saber sobre comportamentos aditivos
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Na sessão subordinada à Prevenção dos Comportamentos Aditivos que decorreu em Loulé, no dia 8 de novembro de 2019, Margarida Pinto, psicóloga clínica, alertou para a necessidade de os pais «estarem mais informados acerca dos comportamentos aditivos para que melhor possam ajudar os filhos também nessa prevenção».
 
Para esta especialista, «a prevenção é a chave e, para isso, temos de investir mais na informação dos nossos jovens para que saibam proteger-se dos perigos que o consumo de drogas acarreta».
 
Para Margarida Pinto, «a prevenção começa na infância quando os pais conversam e brincam com os filhos e os vão alertando para os comportamentos indevidos, quando marcam a sua autoridade e explicam claramente aos filhos as razões pelas quais se deve fazer isto ou aquilo». A base tem de ser dada desde a tenra idade, para que, um dia mais tarde, o jovem saiba como dizer “não” aos seus amigos, sublinha a mesma especialista.
 
Para esta oradora que marcou presença no Ciclo de Conversas “Semear Hoje… Colher o Amanhã”, realizada pela autarquia de Loulé, «temos de assumir todas as drogas como nocivas para a saúde, o álcool, o tabaco, a cannabis, a heroína, o haxixe, a cocaína, a marijuana, o crack e todas as drogas sintéticas que existem no mercado e que cada vez estão mais acessíveis aos jovens até pela Internet. «Todas são  drogas, todas causam dependência e, se iniciadas em idades muito precoces, como é o caso da adolescência, ainda mais perigos acarretam, já que facilitam o desenvolvimento de problemas psiquiátricos que, de outra forma poderiam não se desenvolver, ou pelo menos numa fase mais tardia de vida.»
 
Temos de dizer claramente aos nossos filhos que «as drogas arruínam a saúde física e mental, destroem a qualidade de vida do próprio e da família, além de prejudicarem o seu comportamento na sociedade». Alguém que entra neste mundo, «terá muitas dificuldades em sair, isto é essencial reforçar a todas as crianças e jovens», evidenciou Margarida Pinto na sua exposição para as muitas famílias e jovens presentes na sessão.
 
Não há drogas duras, nem leves, «há drogas e o seu consumo é muito nefasto para a saúde e qualidade de vida de todos». Os jovens precisam de saber isto, os pais precisam de ter isto bem presente quando pensam na educação dos seus filhos. «Eu não tenho dúvidas de que qualquer pai e mãe, quer o melhor para o seu filho, quer que ele tenha um percurso escolar positivo, quer que ele se faça um homem, uma mulher, um bom cidadão, um estudante e um futuro bom profissional com valor.  Para isso, é preciso alertá-los para aquilo que os pode impedir de alcançar esses objetivos e, o consumo de drogas é, sem dúvida um impedimento para que tal se concretize», reforçou a técnica.
 
Licenciada em Psicologia Clínica, exerce funções na Divisão de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências, Margarida Pinto é responsável pela Equipa Técnica Especializada de Prevenção e Assessora da carreira Técnica Superior de Saúde. 
 
Na mesma sessão trouxe a público a sua experiência e o resultado de muitos estudos que têm sido levados a cabo nesse sentido, um deles, e talvez o mais importante, «o facto de apesar de os amigos terem um papel muito ativo na adolescência, a maioria dos jovens inquiridos revela que, para si, o mais importante são os pais, colocando os amigos em segundo lugar».
 
Para esta especialista isso traduz que «os pais devem suportar-se desse seu poder sobre os filhos, marcar presença, ouvi-los, aconselha-los e pedir ajuda quando necessário para poderem também melhor acompanhar os filhos, seja antes ou depois do primeiro contacto com drogas». Partindo da base de que os pais são «o principal pilar dos jovens, é essencial que os progenitores se assumam como tal e que façam valer essa importância e valor na vida dos filhos, pelo que o afeto e a compreensão são a chave do processo».
 
Ao mesmo tempo, pais bem informados, «mais facilmente alertam os filhos para os perigos do consumo de qualquer tipo de substância, mais facilmente têm argumentos para explicar aos jovens o quanto é perigoso entrar nesse mundo e aceitar um desafio de um colega ou amigo». Ensinar os filhos a dizer “não” e a rejeitarem todo e qualquer tipo de consumo que lhes seja incentivado por alguém «é um imperativo dos pais», no entanto, Margarida Pinto considera que, «os pais devem manter a calma e saber conversar com os filhos, devem saber escolher o melhor momento para o fazer e pensar muito bem naquilo que vão dizer». Se o filho chega a casa alcoolizado pela primeira vez, «não é nesse momento que vamos conversar com ele. Esperamos pelo dia seguinte, e permitimos que ele nos conte o que aconteceu e qual a razão que o levou a chegar a casa dessa forma». Isso permite que os pais mantenham a sua autoridade e, ao mesmo tempo que o filho tome consciência do que fez. «Naquele momento, ele não vai ouvir nada, é tempo perdido, mas no dia seguinte, não podemos deixar passar em branco o que aconteceu. Temos de conversar com ele e alerta-lo para o perigo do que está a fazer à sua saúde e aos outros, pois o álcool modifica o comportamento social também, reforçou.
 
Para esta psicóloga, «muitos pais andam preocupados com o consumo de drogas, mas esquecem-se de que o álcool também é uma droga e que acarreta os mesmos riscos de dependência, razão pela qual as bebidas alcoólicas não podem ser vendidas a menores de 18 anos».
 
Para esta especialista na matéria, «o exemplo dos pais é muito importante, pelo que, se estes também tiverem comportamentos disciplinados, será mais fácil que os filhos evitem entrar nesse mundo». Se os pais beberem um copo de vinho numa festa, se desfrutarem desse prazer regrado nesse momento, «são capazes de mostrar aos filhos em que ocasiões o álcool é permitido e, através do seu exemplo, eles não vão beber numa discoteca até entrarem em coma e irem para o hospital, como vem acontecendo».
 
Temos de encarar os problemas de frente, evidenciou esta especialista. Dar os melhores exemplos, falar abertamente sobre os assuntos, saber mais acerca do tema e evidenciar os perigos, é fundamental, «mas isso tem de ser feito de forma consciente e oportuna, para evitar despertar ainda mais a curiosidade». Aproveitar um mau exemplo de um colega ou um amigo, «é sempre uma boa oportunidade para dizer: Já viste o que dá beber muito?»
 
Não podemos dizer a um jovem «que o álcool não promove uma sensação de prazer, mas acrescentar que, «se ingerido em excesso, acaba por prejudicar a saúde, por nos colocar no hospital, por provocar acidentes de automóvel e daí por diante». O essencial é ensinar a usar o que temos e a perceber a razão pela qual nem devemos experimentar «aquilo que é perigoso e que nos faz mal à saúde». Apesar de o tabaco ser mais acessível, «é uma droga e causa dependência. Não podemos incentivar os nossos filhos a fumar cigarro, só para não fumarem algo mais pesado». É de drogas que se trata e ponto final, sublinhou Margarida Pinto.
 
O filho experimentou uma vez numa festa ou num determinado momento, «é importante que ele se sinta à vontade para conversar com os pais, que lhe conte o que aconteceu e, para isso, os pais têm de mostrar compreensão, mas reagir de seguida». Ouvimos os nossos filhos, «mas em conjunto temos de encontrar uma solução para evitar o mesmo ato, sob pena de se poder entrar num ciclo vicioso, é importante os pais terem noção disto; encarar a primeira experiência como um acidente e depois ajudar o filho a prevenir um novo contacto com essas substâncias».
 
Margarida Pinto não tem dúvidas de que, «se falarmos abertamente nos assuntos, os nossos filhos vão ver-nos como ‘pais amigos’ que os compreendem, a quem podem recorrer quando têm algum problema e de onde vão buscar os melhores exemplos». Não quero dizer com isto que, «se esqueça a autoridade, mas sim que se evidencie esta em vez do autoritarismo». Compreender os filhos não é aceitar e permitir que o erro continue, mas sim que eles falam connosco e que, «juntos vamos resolver o problema antes que ele ganhe mais proporções».
 
Ainda neste contexto, Margarida Pinto realçou a importância de os pais manterem «uma referência de autoridade que é muito importante para corrigir os erros, para prevenir problemas e para dizer um ‘não’ no momento certo».
 
Na mesma sessão na Biblioteca Municipal de Loulé, esta psicóloga promoveu o debate com as famílias e falou na necessidade de «se apostar muito mais na informação a pais e filhos, pois apesar de algum trabalho que tem sido feito nesse sentido, ainda há muito por fazer». Temos de encarar os comportamentos aditivos «como um problema de todos e, para isso, temos de falar no assunto, temos de alertar, de explicar, de marcar os perigos para podermos afastar os mais novos desse caminho». Temos de ensinar os nossos jovens a viver sem recurso a este tipo de consumos, promover hábitos de vida mais saudáveis, mostrar outras realidades, apostar outras atividades que promovam o bem-estar e a qualidade de vida.  Dando como exemplo outras dependências mais atuais como a da Internet, Margarida Pinto afirmou «que temos de fazer um trabalho nesse sentido, disciplinar o uso da Internet, colocar limites na sua utilização e no tempo em que uma criança ou jovem está ligada aos ecrãs, pois é de mais um vício que se trata».
 
Promover a atividade física, o salutar convívio, a participação em grupos específicos onde possam fazer atividades de vária índole, são as sugestões desta especialista «preocupada com o futuro das novas gerações. Não podemos falar em dependências sem referir mais um perigo que nos espreita a toda a hora e em todos os lugares pelo fácil acesso, a Internet, os jogos de computador, as ligações às redes sociais e daí por diante. Tudo o que excede o tempo normal, é prejudicial, por isso, temos de começar já esse trabalho de organização do tempo dos mais novos, dando-lhes alternativas mais ricas e saudáveis», concluiu a mesma especialista.
 
Fátima Fernandes
 
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