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O que precisa de saber sobre a adolescência
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A adolescência é um período intermédio entre a criança e a idade adulta.
 
É entendida como a fase em que os mais jovens desenvolvem um conjunto de mecanismos para poderem entrar na vida adulta em pleno. É uma fase em que os pais precisam de ter mais paciência, dedicação e compreensão, uma vez que, com os pais por perto, tudo se torna mais fácil e eficiente.
 
Contrariamente ao que muitos pais podem pensar, é fundamental a sua presença nos momentos certos. São os progenitores que marcam a autoridade, mas também o carinho, o encorajamento para o melhor caminho a seguir.
 
Os jovens precisam de contar com os pais nesta fase em que a vida social ganha mais expressão e em que se sentem muitas transformações físicas e psicológicas a decorrerem ao mesmo tempo.
 
Se os pais têm de ser vigilantes, também têm de saber dar o espaço necessário para que os filhos façam as suas aprendizagens e conquistas. Vão ocorrer muitas mudanças no jovem que se prepara para ser adulto, mas é importante validar esse suporte familiar para evitar a entrada em caminhos mais difíceis. Costumo dizer que, é nesta fase que os pais mostram o que realmente sentem pelos filhos, já que é uma prova de resistência que implica muita compreensão e respeito de parte a parte.
 
Será preciso repetir muitas vezes aquilo que se pretende com um “não”, tal como a paciência pelo “sim” será uma realidade para a qual temos de estar preparados, sem nunca deixar de exigir, mas saber como fazê-lo. O respeito é fundamental para alguém que se está a preparar para ser adulto, tal como é imperioso que os pais percebam o sentido da palavra “preparar”, logo não está preparado e precisa de apoio para o conseguir.
 
É também nesta fase que os filhos estão a dar consistência ao que sentem pelos pais. Se tudo correr bem, serão próximos e unidos até ao final das suas vidas, se pelo contrário, esta etapa for marcada por muitos conflitos sem solução, raramente a relação suporta tanto afastamento. É caso para se dizer sem medo que, “temos de agarrar o touro pelos chifres!” para passarmos por mais uma etapa do desenvolvimento dos nossos filhos e que implica também nós aprendermos algo novo com eles.
 
Se nos colocarmos no lugar deles, tudo se torna mais facilitado. Eles sentem essa compreensão e proximidade e respeitam as nossas orientações. Se começamos a humilhar e a mandar sem motivo, facilmente entramos em descrédito. Costumo dizer que, para tudo é preciso meio-termo e equilíbrio entre os pontos positivos e os negativos. No fundo, é compreender o que se está a passar para poder agir. O jovem está a aplicar aquilo que aprendeu na etapa anterior e  a perceber que isso não lhe chega para seguir em frente. Recorre aos amigos e aos grupos de pertença para ir buscar mais informação. Naturalmente que, muito do que aprende, entra em choque com as ideias dos pais. Se estes tentarem compreender e evoluir com os filhos, a relação flui com muita normalidade, se começam a entrar em choque permanente desencadeia-se um conjunto de conflitos em que ninguém se entende. O ideal é que os pais se assumam e marquem a sua autoridade dando espaço para que os filhos aprendam ao seu ritmo.
 
Não podemos estar sempre a comparar o passado com o presente, já que, a maioria dos pais de hoje, nem soube muito bem o que era a adolescência e a importância que assume para a vida futura. Havia muito menos esclarecimento disponível e o autoritarismo parecia responder a todas as dúvidas dos adolescentes. Nos dias de hoje, qualquer pai ou mãe agarra num bom livro e encontra uma série de bons conselhos para se ajudar e para manter a sua firmeza na relação com os jovens.
 
Note-se que, quanto maior for a compreensão dos pais neste período, mais o jovem acatará o que lhe é dito e evitará cometer erros porque começa a pensar nas consequências dos seus atos e, isso tem mesmo de suceder nesta fase de aprendizagem. O jovem tem de compreender que se está a tornar responsável pelos seus comportamentos e que, apesar de os pais o ajudarem, vai estar sozinho a enfrentar os novos desafios.
 
De um modo geral, o objetivo cultural da adolescência é preparar a pessoa para assumir o papel de adulto. Do ponto de vista clássico, prolonga-se entre os 12 e os 22-25 anos de idade.
 
Do ponto de vista biológico, a adolescência é marcada pelo início da puberdade e o fim do crescimento físico, com alterações ao nível dos órgãos sexuais e de características como a altura, o peso e a massa muscular. É também um período de grandes alterações ao nível do crescimento e maturação do cérebro.
 
Do ponto de vista cognitivo, a adolescência é caracterizada por um aumento da capacidade de pensamento abstrato, de conhecimento e de raciocínio lógico.
 
Do ponto de vista social, a adolescência é um período de preparação para os papéis sociais culturalmente adequados dos adultos, como o de trabalhador ou parceiro amoroso. Trata-se de uma fase com "mudanças" tão dramáticas que tem recebido descrições do tipo “crise de identidade”, “é normal ser anormal” ou “psicose normativa”, etc.
 
O jovem também deve ler acerca dessas transformações que estão a decorrer para saber mais sobre si mesmo e como interpretar o que está a sentir.
 
Conversar é um hábito que se deve cultivar ao longo de toda a vida e, o jovem deve sentir que os pais o ouvem e que lhe dão o melhor conselho no momento certo.
 
Os pais explicam os perigos e, em vez de estarem sempre preocupados com a sexualidade dos filhos, optam por lhes explicar como é que se pode proteger de doenças e de uma gravidez indesejada. A educação sexual é fundamental neste período de grandes alterações e convém que o jovem seja responsável pelos seus atos.
 
Os pais não se podem demitir nesta fase, muito menos ao longo da vida, pois uma vez assumida a parentalidade, é para a vida, pelo que devem ver que o seu filho está a crescer e a preparar-se para a vida adulta bem sucedida, pelo que se devem assumir como pais maduros, adultos e responsáveis também nesta fase de vida.
 
Fátima Fernandes
 
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