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O que precisa de saber sobre a gestão das emoções
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As emoções fazem parte de nós e comandam as nossas vidas pelo que, quando não as conseguimos gerir da melhor forma, o segredo é pedir ajuda especializada, neste caso, o psicólogo é quem melhor pode ajudar nessa tarefa.
 
Para facilitar a compreensão das emoções e melhor as gerir e ajustar no nosso quotidiano, recorremos à Oficina da Psicologia com vista a obter mais informações sobre uma questão tão entusiasmante e delicada ao mesmo tempo.
 
A Oficina da Psicologia explica que, dicotomizamos as emoções em dois tipos: as agradáveis (como a alegria, o entusiasmo, o amor) e as desagradáveis (como a tristeza, a zanga, o medo, a vergonha). As primeiras são, regra geral, socialmente aceites e incentivadas, pelo contrário, as segundas são desagradáveis e temidas. As emoções desagradáveis erradamente têm sido encaradas como algo a esconder, algo que se deve fazer de conta que não existe para que sejamos socialmente aceites. Esta posição não pode estar mais incorreta, uma vez que, mesmo as emoções mais desagradáveis «nos fazem falta para aprendermos» mais de nós mesmos e do mundo, para «nos protegermos» e para adquirirmos «mais resiliência».
 
As emoções «não são boas nem más», positivas ou negativas; podem ser umas mais agradáveis e outras mais desagradáveis, «mas são todas fundamentalmente adaptativa», o que significa que nos orientam para a sobrevivência.
 
A Oficina da Psicologia também alerta para a função reguladora das emoções, «monitorizando o ambiente para situações de relevância adaptativa e alertando a nossa consciência para essas situações».
 
Apesar de terem funções distintas, «todas as emoções nos orientam para a sobrevivência, razão pela qual se torna tão importante conhecê-las e controlá-las».
 
No que se refere às emoções desagradáveis, é preciso assumir que estas nos protegem do perigo e orientam para objectivos e para acções específicos. No caso das emoções agradáveis, é preciso reter que, estas nos motivam para explorar o mundo que nos rodeia de forma proativa e restituem o equilíbrio depois de experiências emocionais desagradáveis.
 
É de anotar que, a  zanga e o medo nos alertam para o perigo, a compaixão permite-nos responder à dor dos outros, enquanto a tristeza e o amor nos aproximam das outras pessoas.
 
A vergonha e a culpa avisam-nos para a possibilidade de exclusão do grupo e, a alegria engrandece a vida e promove a procura da felicidade.
 
A Oficina da psicologia chama ainda a atenção para o facto de as emoções serem «extremamente ricas» e de percorrerem três componentes: a
informativa/auto-reguladora, uma componente comunicacional, e uma componente motivacional e de acção.
 
No que se refere à primeira, é preciso saber que as emoções informam-nos dos nossos estados internos e motivam-nos para responder às nossas necessidades no momento.
 
A componente comunicacional permite informar os outros de como nos sentimos e levam a que as outras pessoas reajam em função daquilo que pressentem em nós.
 
A componente motivacional e de ação ilustra que, as emoções estabelecem objetivos prioritários e organizam-nos para acções específicas.
 
Como exemplos podemos reter que, ao sentirmos medo, apercebemo-nos da existência de um perigo e naturalmente nos colocamos em fuga.
 
Quando a zanga sinaliza um perigo à nossa dignidade/ao crescimento pessoal, ou uma injustiça, estabelece o objectivo de ultrapassar obstáculos, corrigir a situação ou prevenir que se repita, «e orienta-nos para o ataque».
 
 A alegria, por sua vez, orienta-nos para nos abrirmos ao exterior e aproximarmo-nos dos outros.
 
Ao mesmo tempo, é preciso ter em conta que, «as emoções determinam a nossa interpretação dos acontecimentos», de certa forma precedem a razão: a emoção sinaliza o perigo, a razão dá sentido à experiência; a emoção estabelece os objectivos, a razão ajuda a atingi-los, «mas ambas estão profundamente interligadas: sem a emoção a nossa razão não sabe sobre o que atuar, sem a razão a nossa emoção fica perdida ou descontrolada, não sabe como atuar».
 
Perante tudo isto, a Oficina da Psicologia alerta para a vivência problemática das emoções e, nesse sentido é preciso ter em conta que, as mesmas estão presentes nas nossas vidas desde muito cedo, «antes mesmo de conseguirmos pensar/raciocinar» pelo que, «têm um papel muito importante na nossa aprendizagem e uma influência profunda na nossa experiência, no nosso comportamento e na forma como interagimos com os outros». Ao longo do nosso desenvolvimento, vamos sendo expostos a situações que desencadeiam determinadas emoções. O registo destas nossas experiências subjectivas, repletas de carga afectiva, «constitui os nossos esquemas emocionais – a forma como nos vemos a nós próprios, ao mundo e aos outros, e as nossas tendências de acção». Por sua vez, os nossos esquemas emocionais influenciam de forma automática o significado que atribuímos às situações com que nos deparamos no presente e determinam «as nossas respostas emocionais e cognitivas conscientes».
 
A regulação das emoções tem dois componentes: por um lado é importante regular a experiência emocional, por outro regular a expressão emocional. E é importante, de facto, distingui-los: «experienciar uma emoção não implica necessariamente agi-la, e mesmo expressá-la não tem de ser feito de uma forma dura e inapropriada».
 
Ainda neste contexto, a Oficina da psicologia evidencia que, na regulação da experiência emocional, «é importante permitirmo-nos aceder às nossas emoções», entrarmos em contacto com elas, «para as podermos simbolizar (dar-lhes um significado coerente) e integrá-las na nossa visão de nós próprios (reconhecermos que elas fazem parte de nós)».
 
No que toca a expressar aos outros as nossas emoções, «é importante gerir» quando, nem sempre os outros estão disponíveis ou eu estou preparado, e gerir «com quanto controlo da minha parte»: se me controlo demasiado e não expresso de todo o que sinto, fico com as minhas emoções entaladas e não dou a possibilidade ao outro de vir ao encontro das minhas necessidades; se não controlo de todo a expressão das minhas emoções, dificilmente reparo nos sinais do outro de que não está no momento disponível «e corro o risco de o sobrecarregar e afastá-lo».
 
Os psicólogos alertam que, «frequentemente este trabalho não é fácil sozinho», poder inicialmente experienciar e expressar as suas emoções mais dolorosas «no seio de um ambiente seguro e aceitante, poderá facilitar muito este processo».
 
Esta é uma das competências da psicologia; ajudar o sujeito no seu autoconhecimento, na sua gestão emocional e, naturalmente facilitar a sua relação com os outros. Para tal, os psicólogos ajudam os indivíduos nessa tarefa que passa muito pelo autoconhecimento e pela consciência de si mesmos.
 
Fátima Fernandes
 
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