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O que queremos, acontece!
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É comum ouvirmos dizer que “querer é poder”, ou que “algo que se quer muito, acaba por acontecer”, mas que veracidade apresentam estas afirmações?
 
Na posição do psicoterapeuta Pedro Brás, da Clínica da Mente, “se dissermos à nossa mente o que nos dá prazer, partindo do princípio que todos os processos mentais têm como objetivo aproximar-nos do prazer, fugindo à dor, a mente fará com que todos os pensamentos e comportamentos nos levem em direção do prazer que são os nossos sonhos e objetivos”.
 
Neste sentido, quando projetamos algo, ou “sonhamos” alcançar um determinado objetivo, naturalmente que a nossa mente nos encaminhará nesse sentido, mesmo que, nem sempre tenhamos consciência disso.
 
“Na maior parte das vezes, tudo o que já conseguimos, conseguimos porque de uma forma inconsciente as nossas escolhas nos levaram lá”.
 
O mesmo especialista acrescenta que, “as nossas decisões e escolhas baseiam-se na análise das nossas crenças, naquilo que acreditamos ser melhor para nós, decidimos sempre ter prazer e sentirmo-nos bem, fugindo à dor e ao desconforto. Tudo o que fazemos, até os pequenos gestos que temos, são resultado das nossas decisões, decidimos até coçar ou não coçar o nariz”.
 
A nossa vida está repleta de estímulos que nos obrigam a escolhas e decisões, e, por isso, “não temos tempo para pensar em todas elas. Ao longo do tempo, a nossa mente, com o processo de aprendizagem, vai adquirindo estratégias automáticas de decisão, de escolhas e ação”.
 
Na prática, pode dizer-se que, as ações repetidas ou automáticas, “aliviam esse esforço do nosso cérebro”, na medida em que, sabemos à priori o que vamos fazer, após termos aprendido e reproduzido determinadas tarefas. Um exemplo disso pode ser a leitura e a escrita, em que a partir do conhecimento dos caracteres e das sílabas, nos tornamos capazes de descodificar palavras e de as escrever sem pensar demasiadamente na letra que vamos escolher. É o conhecimento adquirido que se mostra através da escrita, o mesmo se passa com a condução, cuja prática nos leva a não precisar de pensar qual é o pedal que trava ou acelera o carro.
 
Pedro Brás clarifica: “todas as ações que temos produzem os nossos resultados, mesmo as ações inconscientes. Os resultados são aquilo que resulta da nossa ação, que obtemos após termos agido de determinada forma. Os resultados obtidos através das ações conscientes são os resultados que esperamos, mas não esperamos os resultados das ações inconscientes, mas obtemo-los de igual forma”.
 
No mesmo apontamento, o psicoterapeuta assinala que, “todos os dias nos esforçamos para pensarmos nas melhores ações para atingirmos os resultados que queremos, como ganhar mais dinheiro, trabalhar melhor, educar melhor os filhos, e, pelo pensamento, pela análise das experiências, controlamos os resultados, mas não controlamos os outros resultados obtidos por decisões inconscientes”.
 
Nesse sentido, “como podemos ter bons resultados, mesmo nas ações que não controlamos”?
 
Tal como conduzir um carro, para atingirmos os nossos objetivos de chegar a um qualquer destino devemos, em primeiro lugar, aprender. “A aprendizagem é o processo mental em que adquirimos competências, em que automatizamos os processos que nos vão ajudar a atingir objetivos. Devemos procurar aprender da melhor forma, copiando pessoas que fazem bem as ações que queremos reproduzir, sendo que o melhor processo de aprendizagem é a avaliação dos nossos resultados e a provocação da sua variação com a mudança das nossas ações”.
 
Para Pedro Brás, “a aprendizagem é importante para se atingir resultados, mas mais importante ainda é saber para onde se quer ir. Só quem sabe onde quer chegar é que lá chega”.
 
Assim, “para que a nossa mente tome as decisões inconscientes que nos ajudem a atingir resultados prazerosos de bem-estar, é preciso que lhe digamos onde queremos ir”.
 
O psicoterapeuta explica que tudo funciona “através do processo de introspeção, em que definimos, para nós mesmos o que queremos, o que amamos, porque vale a pena viver a vida, porque vale a pena nos esforçarmos e vivermos experiências dolorosas”.
 
Partindo do pressuposto de que, a nossa mente sabe onde está o prazer, naturalmente que nos vai orientar nesse sentido e “tudo fará para o atingir, com ações conscientes e inconscientes. Quando lá chegarmos, demore o tempo que demorar, olharemos para o caminho percorrido e perceberemos que o que nos ajudou a atingir os resultados que sonhamos foi …. a sorte. Mas… a sorte de ter programado a nossa mente para aproveitar todas as oportunidades que nos surgiram, por mais escondidas que estivessem”.
 
Usamos vulgarmente o termo “sorte” para definir o que de melhor nos acontece, mas é preciso não esquecer que, ‘sorte’ é ter sentido “uma motivação feroz para continuar o caminho, mesmo quando pensamos que não sabíamos por onde ir ou quando sentimos que falhamos”.
 
Para Pedro Brás, essa é a mesma sorte que, “tivemos quando os nossos olhos e ouvidos nos fizeram prestar atenção a assuntos que não pareciam importantes, mas que deles acabamos por retirar ensinamentos”.
 
É também “sorte” ter decidido caminhar por caminhos mais árduos…. “A sorte de saber o que queríamos num determinado momento”.
 
Podemos então afirmar que, projetar os sonhos dá-nos sorte”! E já agora, que, “querer é realmente ter a liberdade de decidir e poder alcançar o que se deseja!
 
Fátima Fernandes
 
 
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