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O que se esconde por trás do consumismo excessivo

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A psicologia alerta que, por trás de uma necessidade quase incontrolável de comprar, escondem-se vários problemas que devem ser analisados.

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Segundo a leitura dos especialistas a que o Algarve Primeiro teve acesso, o consumismo excessivo funciona muitas vezes como uma fuga emocional e acarreta graves impactos na saúde mental e financeira, colocando a própria pessoa e a família em situações muito complexas.

Relativamente aos riscos psicológicos e emocionais, os especialistas destacam:

• Alívio temporário e ciclo de culpa: O ato de comprar liberta dopamina (hormona do prazer), gerando uma sensação imediata de bem-estar. Logo depois, surge frequentemente a frustração, a ansiedade, a vergonha ou o arrependimento.

• Regulação emocional disfuncional: Muitas pessoas usam o consumo para anestesiar ou compensar sentimentos de tristeza, tédio, cansaço, angústia ou frustrações quotidianas.

• Comparação social e pressão por estatuto: As redes sociais e a publicidade estimulam a necessidade de pertença e de parecer "suficiente", empurrando os jovens e as famílias para um padrão de vida inatingível.

• Compulsão e endividamento: O que começa como um impulso transforma-se num ciclo vicioso de gastos descontrolados, gerando lares ansiosos, endividados e sentimentos de insatisfação.

Um artigo sobre a psicologia do consumo e o impacto invisível nas finanças pessoais na Forbes Portugal vai mais longe e aponta que «o maior risco está na ausência de intenção e consciência ao consumir».

Paralelamente, existe na nossa sociedade o hábito de sugerir a quem está aborrecido ou com algum problema “uma ida às compras para distrair”, “uma saída com amigos para um centro comercial para aliviar o tédio” e daí por diante. O que parecem afirmações capazes de confortar quem está triste tem ajudado a criar a ideia de que, quando estamos mais abatidos, entediados ou insatisfeitos com algo, devemos ir às compras.

Se no passado isso implicava uma saída de casa e já acarretava riscos significativos quando se perdia a noção dos gastos nessas compras, atualmente os riscos aumentam com a facilidade com que qualquer consumidor pode adquirir os seus produtos a partir de um telemóvel ou de um computador, alertam os psicólogos, realçando que se torna ainda mais urgente consciencializar as pessoas para as compras responsáveis e encaminhá-las para um tratamento antecipado antes que a situação suba de tom e acarrete ainda mais prejuízos.

Uma outra questão que também tem de ser colocada é a necessidade de identificar o que é o excesso de consumo e como prevenir essa condição. Nesse sentido, a psicologia deixa os seguintes alertas:

• Questionar a necessidade real: Parar antes de comprar e perguntar se o produto resolve uma necessidade genuína ou apenas uma emoção passageira.

• Pausa e planeamento: Utilizar métodos como a regra de reflexão (esperar 24 horas ou 30 dias antes de compras maiores) e definir um planeamento de gastos com antecedência.

• Procurar ajuda profissional: Quando a compra deixa de ser um ato racional e passa a ser compulsivo, o acompanhamento com um psicólogo ajuda a identificar os gatilhos emocionais e a desenvolver alternativas saudáveis.

Torna-se então essencial que a pessoa compreenda e admita as razões que a levam a consumir para que possa distinguir a compra necessária da supérflua e, ao mesmo tempo, que faça um exercício de reflexão de modo a avaliar o que se pode esconder atrás desses atos, identificar carências que possam estar a ser colmatadas, uma necessidade de afirmação, a procura de um momento de descompressão e daí por diante, para que possa tratar e ultrapassar a causa e dar lugar a um novo modelo de vida, recomendam os entendidos nesta matéria.