Carlos Brito, deputado à Assembleia Constituinte e antigo líder parlamentar do PCP, faleceu no passado dia 07, em Alcoutim, no Algarve, aos 93 anos. Após a leitura do voto, ao qual assistiram os familiares de Carlos Brito, todas as bancadas aplaudiram, exceção feita à bancada do Chega.
“A Assembleia da República (…) manifesta pesar pela morte de Carlos Brito e endereça condolências à sua família e amigos. Presta tributo ao seu legado de combate político e reconhece um contributo ímpar no percurso democrático do país”, lê-se no voto apresentado por José Pedro Aguiar-Branco.
No voto, refere-se que Carlos Brito, que nasceu em Lourenço Marques, mas viveu desde a infância no Algarve, “aderiu cedo aos movimentos oposicionistas” contra o regime do Estado Novo, tendo integrado o Movimento de Unidade Democrática e, depois, o PCP.
“Suportou, em razão da sua militância, perseguição política, prisão e tortura. Foi encarcerado no Aljube, em Peniche e em Caxias, cujos corredores comparou às sombrias galerias de uma mina. Passado à clandestinidade, tornou-se num importante dirigente operacional do partido”, frisa-se.
Depois, realça-se que, após o 25 de Abril de 1974, Carlos Brito foi deputado constituinte e integrou a bancada do PCP entre 1976 e 1991, “em décadas decisivas de transição democrática e transformação nacional”.
“Dirigiu o Avante! e foi, em 1980, candidato à Presidência da República, tendo desistido a favor do general [Ramalho] Eanes. Em tensão ideológica com o seu partido de origem, fundou, na viragem do milénio, a associação política Renovação Comunista, defendendo a convergência das esquerdas”, assinala-se ainda na parte relativa ao percurso político do antigo líder parlamentar do PCP.
O voto de José Pedro Aguiar-Branco também destaca a atividade de Carlos Brito como escritor.
“Pai de duas filhas, deixou-nos mais de uma dezena de livros, entre obras políticas, memorialísticas e poéticas. Recebeu a Ordem do Infante D. Henrique e a Ordem da Liberdade”. A seguir, acrescenta-se:
“Viveu vencendo o medo e encarnando os versos que um dia escreveu: crescer à altura de uma ideia/até à morte/e fazê-la vencer”.