Encontrar uma obra no lugar onde acontece, permite descobrir o seu processo e conversar com quem a cria, e esse continua a ser o cerne do projeto.
A abertura acontece na quinta-feira, dia 8, às 17h00, com a inauguração de “Esta Rua, Outra Rua”, uma instalação fotográfica de Vasco Célio, na Rua Ferreira Neto. O programa prolonga-se até domingo.
No sábado e domingo, entre as 10h00 e as 13h00 e as 14h00 e as 18h00, os estúdios abrem gratuitamente ao público, com possibilidade de integrar visitas guiadas.
Na sexta-feira, prossegue com a inauguração de “O Jardim que Não Vemos”, de Annegret Kellner, às 17h00, na Gama Rama. A exposição propõe um olhar sobre aquilo que permanece fora do campo imediato da perceção, acrescentando ao programa uma nova dimensão de descoberta e atenção.
Ao longo dos quatro dias, esta relação entre criação, cidade e participação ganha diferentes formas. No Ginásio Clube Naval de Faro, o artista plástico Ângelo Gonçalves dinamiza “Pintar À Vela”, uma experiência de pintura colaborativa para famílias. Depois de intervencionadas, as velas serão içadas em embarcações que vão navegar pela Ria Formosa.
A criação coletiva está também no centro de “Crochet Fora do Comum”, de Rita Kroh, que escolheu a poesia de António Ramos Rosa para transformar o crochet numa ferramenta de encontro e participação.
Entre os destaques está ainda “Nimbus”, de Berndnaut Smilde, que fará surgir uma das suas célebres nuvens no interior da Torre da Horta dos Cães, numa obra tão efémera quanto inesperada. Na Ermida de Santo António do Alto, Mateus Verde vai explorar o som como matéria artística em “Diálogo”, uma proposta de arte sonora que cruza espaço, escuta e paisagem sonora.
Nuno Filipe Martins apresenta “DATA”, instalação tipográfica interativa e imersiva, no recém-criado Interface - Laboratório de Tradução Digital do CIAC/Universidade do Algarve, espaço dedicado à experimentação e produção digital. Já Teresa Horta Conceição e Luisa Duarte desenvolvem uma residência artística a partir da técnica tradicional de Arraiolos, aproximando práticas artísticas contemporâneas e saberes artesanais.
A programação inclui ainda “Superfície Viva”, de Márcia Sousa e Margarida Mendes, uma colagem ao vivo numa fachada que explora o papel da arte na reativação simbólica de um bairro marcado pelo desgaste urbano, e Faro Road Map, criação comunitária orientada por Halina Magdalena Ekberg.
O processo criativo ganha ainda mais destaque nesta edição. No sábado e domingo, visitas especiais às reservas do Museu Municipal de Faro e ao gabinete de restauro, orientadas pela restauradora-conservadora Susana Paté, dão acesso a espaços habitualmente fora do circuito de visita.
No domingo, esta ideia prolonga-se na conversa “O Processo É Obra”, às 16h00, na Galeria Municipal Trem, com Ana André, Edgar Massul, Gustavo Jesus, João Serrão e Vasco Célio, e moderação de Patrícia Dourado. Em discussão estará aquilo que existe antes, e para além, da obra terminada: experiências, escolhas, materiais, desvios, erros e tempo.
«Entrar num atelier, conversar com um artista, acompanhar o processo, participar na construção de uma obra ou encontrar arte num lugar inesperado são diferentes formas de diminuir a distância entre criação e público. No OSF, a arte não é apenas algo que se observa: é algo que se procura, se encontra e se vive», afirma Daniela Garcia.
O encerramento acontece no domingo, às 19h00, na Sociedade Recreativa Artística Farense (S.R.A.F. - “Os Artistas”), espaço emblemático da vida cultural e associativa da cidade, fechado durante vários anos para obras de reabilitação e que agora volta a abrir portas.
O OSF 2026 com produção e curadoria da Na Mouche - Associação Cultural - Daniela Garcia, Miguel Neto e Toma Svazaite tem os apoios do Município de Faro e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR Algarve).