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Os filhos são a nossa "versão" melhorada
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Longe vão os tempos em que os filhos eram uma mera reprodução dos pais e em que se faziam tentativas para que a imitação dos guiões dos pais fosse uma realidade.
 
Também é longínquo o conceito de encarar negativamente o facto de os filhos serem melhores que os pais, pois cada criança nasce num tempo diferente da história e começa a desenvolver-se no seu próprio contexto.
 
Tendo em conta estas constatações, temos a melhor geração de pais de sempre, isto porque os progenitores entram numa viagem evolutiva com os seus filhos, querem transmitir-lhes valores, regras e conhecimento e desejam que os mais novos sejam sempre o passo seguinte do anterior, daí a ‘versão melhorada’ defendida por muitos especialistas.
 
Os filhos recebem o incentivo dos pais para saberem mais e, ao mesmo tempo, motivam os pais para que os acompanhem nessa caminhada para a vida.
 
Os pais são capazes de recuperar o seu tempo de infância para descerem ao mesmo nível dos filhos e se fazerem compreender, ao mesmo tempo em que estimulam os mais novos para que respeitem as suas orientações.
 
É nesta base de partilha de saberes em que se consegue estabelecer a empatia e permitir o desenvolvimento das emoções, que os pais modernos educam e se revêm nos seus filhos.
 
Efetivamente não se pode fugir da evolução dos tempos e, os pais têm um papel muito importante em todo o processo. É um facto que os mais pequenos aprendem com uma facilidade incrível na escola, que sabem muito mais entre pares e que são muito diferentes das crianças de outros tempos, já que nascem com novos despertares, ainda assim, não há nada que faça uma criança mais feliz que ser bem aceite e respeitada pelos seus pais. Essa é uma razão pela qual os progenitores têm mesmo de evoluir e de se posicionar no tempo dos filhos para melhor os poderem compreender.
 
Mesmo com tantos desafios ao seu dispor, o que faz uma criança feliz é o reconhecimento do seu valor e capacidades por parte dos pais. Todas as crianças adoram ser elogiadas e incentivadas, o que as motiva para serem mais e melhores.
 
Partindo desse pressuposto, é fácil levá-las ao que se pretende: serem bem educadas, inteligentes, trabalhadores, responsáveis, disciplinadas e com um grau de maturidade compatível com a sua idade.
 
É tudo uma questão de diálogo. Explicar aos mais novos o que se pretende com a educação e jamais cair no erro de as tentar manipular ou fazer que não se percebe o que fazem ou dizem. Note-se que, pais que se esforçam por entender as crianças e por se fazerem entender, têm a garantia de que os seus filhos farão o mesmo exercício nas diferentes etapas de vida, pois essa é a base.
 
Aproveitar para conversar, para ouvir as suas dúvidas e medos é o primeiro passo para que aprendam a escutar também as orientações dos pais. Depois, é preciso saber o que se pretende transmitir. A mensagem deve ser clara e coordenada com a exigência. Se a criança souber que terá uma gratificação dos pais por ser organizada e arrumada, terá muito mais vontade de cumprir as suas tarefas.
 
Guardar aquilo que a criança gosta como recompensa pelo que cumpre é sempre um ponto positivo e uma forma harmoniosa de educar. A criança terá direito a uma refeição ‘fast food’ se durante a semana cumprir naturalmente aquilo que lhe foi pedido e, terá de aguardar por esse momento se não cumprir.
 
As regras devem ser claras e a criança deve compreender aquilo que se pretende com elas. “Vais arrumar o teu quarto todos os dias para aprenderes a ser organizado como o pai”. “Levantas a mesa quando terminas a refeição para que tenhamos a nossa casa arrumada”.
 
Ao mesmo tempo, essas regras devem ser ajustadas à idade, sabendo que, se queremos a nossa ‘versão melhorada’, temos de saber exatamente o que queremos com as nossas orientações e explicar à criança qual é o produto final.
 
Não inventemos desculpas de que os miúdos não entendem porque, quando lhes é explicado com clareza e tranquilidade, uma boa parte da informação é retida, especialmente porque, por norma, os filhos admiram muito os pais que os tratam bem e que percebem que são amados.
 
Naturalmente que uma educação ofensiva e agressiva, não produz estes efeitos, pois como já referimos, primeiro temos de saber aquilo que se pretende transmitir para que o possamos fazer com mais eficácia.
 
Temos de respeitar a criança e exigir esse respeito, sob pena de se entrar numa ‘guerra’ permanente. Pais e filhos entendem-se quando estão juntos no mesmo processo, quando existe harmonia dentro de casa e quando se sabe o papel de cada um. Isto aplica-se a todas as idades. Se explicarmos aos jovens a razão pela qual não devem ter o seu quarto desarrumado e com a porta sempre fechada, naturalmente que eles não o vão fazer. O problema é o ambiente hostil que muitas vezes se gera de pais que querem mandar nos filhos e estes que não aceitam essa forma de educação.
 
Devemos pensar muito bem naquilo que queremos para poder dar o exemplo e exigir. Tentar não ir de frente com as nossas motivações pessoais e mostrar que sabemos muito bem o que pretendemos com as nossas exigências, é um passo importante.
 
Claro que é exigente a tarefa de ser pai e mãe! Por isso é que se deve pensar muito bem nas nossas capacidades antes de iniciar todo o processo, mas fica tudo mais fácil quando educamos com razão e com o coração. Se estimularmos o plano emocional nos nossos filhos, será essa a base que terão para nos agradar também. Os pais colhem aquilo que plantam na mente e no coração dos seus filhos, logo devem pensar muito bem nas consequências dos seus atos para o futuro.
 
Ninguém nasce ensinado e nem sempre sabemos quais são as melhores estratégias para educar, sobretudo porque o passado não nos ajuda muito a construir este novo presente, pelo que é bom saber que existem especialistas à altura de ajudar nessa tarefa. Em média, os psicólogos tratam as crianças problemáticas intervindo essencialmente nos pais, o que reforça o significado deste apontamento. Na maioria das vezes, o problema são os pais e não os filhos. Os mais novos recebem aquilo que lhes é dado e exigido. Cabe aos mais velhos saber aquilo que pretendem e, isto aplica-se a tudo na nossa vida. Saber as razões e ponderar os riscos e as consequências dos nossos atos, acredite que é sempre possível melhorar e ser melhor consigo mesmo e com os seus filhos!
 
Uma criança não é “um mar de tormentos” e “alguém difícil de manipular”. Trata-se de um indivíduo que merece respeito em troca dele. É um ser que quer aprender e ser feliz como qualquer outro, pelo que merece as suas oportunidades, dedicação dos pais, empenho, entrega e afeto. Uma criança não pode ser entendida como um objeto que ganha e perde valor em função do humor dos pais. Tem de ser encarada como alguém que está a desenvolver-se em função daquilo que aprende e será um adulto amanhã que saberá apreciar os pais que tem em pé de igualdade, razão pela qual um adulto não pode fazer a uma criança aquilo que não gostou que lhe fizessem.
 
Fátima Fernandes
 
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