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Os opostos não se atraem
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Longe vão os tempos em que se acreditava que a felicidade conjugal residia nos opostos.
 
Defendia-se que a oposição alimentava as relações pelas muitas diferenças entre os parceiros e que isso levava ao alimento do interesse pela permanente luta que se instalava para ver quem tinha razão e “somava pontos”.
 
Os especialistas na área emocional não têm dúvidas de que essas teorias se afastam da realidade atual já que estão presas a ideias do passado, tais como “a guerra de sexos” e outras que colocavam os casais num ambiente permanente de luta e de competição. O trabalho era pouco gratificante e exigente, pelo que, o alimento da intelectualidade processava-se entre os cônjuges. A parceria amorosa tinha de andar “sempre em alerta” porque o outro o poderia trair, porque o provocava com amigos, porque parecia ter sempre “algo escondido” e isso parecia alimentar o interesse e a curiosidade pelo outro. Há uns anos atrás, um almoço de família era um verdadeiro palco de guerra, onde se mediam forças, se marcava o território e se via quem tinha mais argumentos para discutir banalidades. Hoje não se perde tempo e energia com isso. Se a conversa não é interessante, acabamos o almoço mais depressa ou focamo-nos nos ecrãs para procurar algo novo!
 
 A vida é exigente e está cheia de estímulos, a ponto de termos uma maior necessidade de encontrar “a paz” e o entendimento em casa. É nas quatro paredes que se ganha força para enfrentar uma competição que nos chega de fora e para a qual é necessário um casal forte e uma relação sólida para lidar com os novos desafios.
 
Dedicamos tempo de qualidade ao outro, procuramos acrescentar os nossos planos de vida com os pontos em comum que evidenciamos no outro e não ao contrário.
 
Hoje sabe-se que, para manter uma relação estável, não precisamos de um ambiente tenso, muito pelo contrário, quando tal acontece, tendemos a procurar mais atividades fora de casa para nos afastarmos daquilo que nos incomoda. Os ecrãs também são um refúgio para quem quer evitar o confronto com o outro, por isso, o segredo é ter menos motivos para confrontar, é conversar abertamente sobre tudo para podermos estar mais descontraídos no lar como se pretende.
 
Os papéis também mudaram. O homem não paga todas as contas, muito menos a mulher está em casa a passar a ferro e a cuidar dos filhos. Os tempos mudaram e é para a igualdade de oportunidades que caminhamos. Cada vez se defende mais a igualdade de direitos e homens e mulheres procuram apoio, conforto, amor e compreensão no seio do casal. É também este o ambiente que se pretende para ter filhos, já que se assume a importância de um ambiente familiar estável e saudável para que uma criança se desenvolva normalmente.
 
Percebe-se hoje que, o homem participa tanto na educação dos filhos como na vida doméstica e, a mulher está mais disponível para enfrentar os desafios da sociedade, pelo que, ambos precisam de partilhar e de recuperar forças e sentimentos em conjunto. Hoje procura-se uma relação que nos satisfaça, que nos preencha, que nos estimule e onde possamos encontrar o nosso acrescento, para isso, é preciso entendimento, diálogo e compreensão. É preciso tempo de qualidade e uma clara noção dos pontos em comum para que deles se possa tirar partido.
 
Assim, nem nas amizades os opostos são escolhidos para conviver, pois isso dá lugar a muitos conflitos e “ninguém está com paciência” para passar o seu tempo livre a discutir diferenças de opinião ou formas opostas de estar na vida. Não nos aproximamos de pessoas que têm pontos de vista muito diferentes sobre as mesmas coisas, antes preferimos estar com os outros por prazer, para dar umas boas gargalhadas, para aprender algo novo, para partilhar algo que sabemos.
 
O formato das relações mudou muito e cada um terá de se assumir tal como é e, a partir daí, procurar um grupo com o qual se identifique, na certeza de que um ambientalista não vai conseguir conviver bem com um mineiro! Este é apenas um exemplo entre muitos que nos ajudam a compreender o valor e a importância da cumplicidade entre as pessoas. Facilmente somos capazes de respeitar toda a gente pelo seu estilo de vida, profissão e preferências, mas isso não quer dizer que consigamos conviver muito tempo com essas pessoas, já que nos aproximamos por afinidades e não para “competir” sobre o que quer que seja no nosso tempo livre. A competição acaba por ser vivida em termos profissionais, pelo que, fora desse mundo, torna-se um imperativo encontrar o prazer, a liberdade e o bem-estar. Precisamos de “baixar as nossas defesas” para podermos descontrair e aproveitar melhor os momentos em que estamos fora do trabalho. No tempo livre apetece-nos valorizar as coisas belas da vida, a cultura, a música, a natureza, entre outras opções libertadoras de stress e de tensão.
 
No passado bastava por exemplo ter dinheiro para frequentar os mesmos lugares e travar conversa com outra pessoa. Hoje isso não chega, é preciso muito mais, é preciso ter mais pontos em comum, temas de conversa, interesses comuns, frequentar os mesmos locais por afinidade para conseguir alimentar uma relação duradoura.
 
Os tempos mudaram e, quanto mais consciência tivermos das novas exigências melhor nos adaptaremos a elas. Desde crianças começamos logo a valorizar a empatia, os gostos em comum, as emoções, as crenças e daí por diante, pelo que, quando nos tornamos adultos, já temos um leque variado de escolhas podendo ou não desenvolver todas, já que isso vai depender das oportunidades e dos interesses de cada um. Há quem viaje sozinho porque se sente bem assim, tal como há quem o faça em família ou em grupo. Isso faz toda a diferença: saber aquilo de que gostamos para melhor podermos torar partido das nossas preferências.
 
Talvez o ditado “Mais vale só do que mal acompanhado”, faça cada vez mais sentido na sociedade atual, pois são cada vez mais as pessoas que preferem estar com menos gente á sua volta a terem de manter relações pouco interessantes e que pouco as acrescentam. Tal também acontece porque temos muito menos tempo para o lazer, pelo que somos muito mais exigentes com as nossas companhias quando fazemos um plano para um passeio, uma ida ao cinema ou ao restaurante. Não faz sentido desgastar-nos numa conversa que em nada nos enriquece, mas vale estar com uma boa companhia, pois até a refeição nos sabe melhor com alguém que nos compreende, que fala a mesma linguagem e que não está connosco para discutir, mas sim para aproveitar um agradável momento a dois. Este é cada vez mais o modelo de namoro, de casamento e de amizade que se procura: em paz, interessante, em sintonia e em salutar convívio.
 
Perante tudo isto, em vez de procurarmos as nossas oposições, devemos empenhar-nos em identificar e assumir os nossos pontos em comum com os outros, uma vez que é isso que nos facilita e permite a convivência. E isto está a tornar-se tão usual que, nas redes sociais e nos sites de relacionamentos virtuais, nos damos ao luxo de escolher tudo aquilo que queremos no outro. Isso mostra bem o quanto não estamos virados para os opostos, mas sim para o encontro harmonioso, a conversa agradável e o prazer de estar. Se pensarmos bem, é tão fácil alimentar o oposto como a cumplicidade, é tudo uma questão de sabermos aquilo que queremos alimentar e desenvolver em nós mesmos.
 
Fátima Fernandes
 
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