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Os outros não são responsáveis pelos nossos problemas
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É importante ter em conta o princípio da responsabilidade pessoal, uma vez que, é esse ponto que nos torna seres autónomos, confiantes e capazes de resolver os nossos problemas.
 
É também essencial reter que ninguém escolhe os problemas, a própria vida dá consequências pelos nossos atos, pelas participações que fazemos nas situações e pela forma como nos encaramos a nós próprios. Se é verdade que todos gostariam de viver com o mínimo de problemas possível, também é certo que cabe a cada um de nós tomar as melhores decisões seja para evitar conflitos, seja para os resolver quando nos surgem. Neste sentido, é imperioso ter em conta que, quanto mais arrastarmos os problemas, mais eles ganham expressão e dimensão, pelo que se recomenda que, no final de cada dia cada pessoa faça um balanço do que lhe aconteceu e procure encontrar alternativas ao que se passou, sob pena de andar a culpabilizar os outros por tudo o que lhe acontece.
 
Há problemas inevitáveis, mas para tudo existe uma solução, nem que seja a melhor opção a tomar num determinado momento.
 
Se não podemos mudar o trânsito caótico das grandes cidades, podemos escolher os melhores horários para nos deslocarmos sem ser na hora de ponta, tal como podemos escolher a melhor companhia para almoçar, o local mais descontraído para tomar café e daí por diante.
 
Também podemos escolher as pessoas com quem nos relacionamos e a forma como melhor podemos tirar partido das relações com os outros. É tudo uma questão de ver a vida de uma forma mais alargada e positiva. É substituir os problemas por soluções, é encontrar novas formas de fazer as mesmas coisas para obtermos melhores resultados e, quando parece que não há solução, há sempre uma ideia mais evoluída, um comentário, uma boa leitura que nos permite mudar de nível. Isto é o que se pretende para que sejamos mais felizes e menos conflituosos; é não considerar normal “disparatar” por tudo e por nada, mas sim tentar compreender a razão pela qual temos essa necessidade de o fazer. O segredo é parar e pensar um pouco todos os dias e, tratar-nos com mais carinho.
 
Existem dois tipos de pessoas no mundo: aquelas que culpabilizam os outros por tudo o que lhes acontece e aquelas que, responsavelmente resolvem os seus problemas, que sinalizam os seus pontos fortes e fracos e que procuram saber mais. Qualquer um de nós sabe em que lado se posiciona, mas isso não quer dizer que consiga sempre dar resposta a tudo. Se não fizermos uma paragem introspetiva diária e, se não encontrarmos uma forma de descomprimir e de nos encontrarmos no nosso próprio mundo, em pouco tempo vamos acabar por apontar o dedo ao outro, depois aos outros, ao mundo e assim sucessivamente. É importante parar esse circuito enquanto é tempo e aprender a dar uma resposta atempada e responsável aos nossos problemas.
 
Se entendermos que, por detrás de um problema está sempre um desafio para aprendermos algo novo, não só vamos retirar a carga negativa dos problemas, como vamos estar muito mais predispostos para os resolver.
 
Faça um exercício pessoal e procure averiguar até que ponto assume os seus problemas e procura as soluções ou, pelo contrário, entrega-os nas mãos de alguém ou atribui as culpas a outras pessoas. Se necessário escreva o que sente e o que pensa e verá que é muito mais fácil e interessante assumir um erro, tentar corrigi-lo, por muito que isso lhe possa parecer humilhante e difícil, mas é preferível travar o problema em fase inicial a deixa-lo avançar e ganhar proporções.
 
Acima de tudo, o leitor está a lutar pelo seu bem-estar e felicidade. Tudo o que queremos é libertar-nos de pesos e do desconforto que nos causa alimentar um problema, uma sensação negativa ou algo que pensamos estar errado, mas que continuamos a fazer por não pensar cuidadosamente em nós próprios.
 
Fátima Fernandes
 
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