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Os pais têm de ser uma referência de autoridade para os filhos
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É com regularidade que ouço os pais se queixarem que não sabem o que fazer aos filhos que, cada vez mais cedo, se assumem com comportamentos irreverentes, com muitos palavrões à mistura, excessivamente ligados aos ecrãs e com muito pouca capacidade de acatar o que os pais dizem.
 
Também sou mãe e, é nessa qualidade que respondo que, os tempos mudam, mas os pais têm de ser uma referência de autoridade. Os pais não podem demitir-se dessa tarefa de educar e depois se queixarem de que os filhos não lhes ligam e não cumprem as suas obrigações. Tudo tem de ser ensinado e os pais que educam desde o berço sabem muito bem o que quero dizer: assumiram a sua responsabilidade desde sempre e tudo é mais fácil.
 
Os pais têm de compreender que, a escola não educa, as instituições em que as crianças e jovens participam pouco mais fazem do que lhes passar os conhecimentos técnicos da atividade em que estão inseridas, pelo que, a educação; as regras, as leis da nossa sociedade e os valores estão quase que exclusivamente a cargo dos pais. Nesse sentido, os pais têm de recuar aos seus valores de origem, muitos deles baseados no autoritarismo e não na autoridade, e pensar que precisam de reformular algo de muito importante. Por um lado, não vamos hoje agredir como se fazia noutros tempos, mas temos de encontrar uma forma de nos darmos ao respeito e de respeitarmos os nossos filhos. Por outro, se os pais não ensinam, quem é que fará essa tarefa? Não é por acaso que, quando os jovens atingem a maioridade acabam, muitas vezes por entrar em caminhos desviantes e em problemas com as autoridades. É por que lhes faltou essa autoridade em casa que lhes transmitisse os valores, que lhes ensinasse o que está certo e o que não se pode fazer.
 
De facto, as crianças e jovens de hoje são diferentes do que eram no passado, os pais também o são, pelo que é natural. As crianças de hoje têm novos estímulos, têm os pais mais ocupados nas suas vidas e com menos vergonha do comportamento social dos filhos, por isso, arrastam-se maus comportamentos e todos se descartam da tarefa que é difícil, mas quem acaba por sofrer mais tarde são os jovens e os pais que não educaram no tempo devido.
 
Reparo que há um excesso de entrega dos filhos aos cuidados dos avós que, muitas vezes sem forças, acabam por ter de gerir as suas vidas e por transmitir aquilo que não sabem, por permitir aquilo que desconhecem porque não existia no seu tempo. Em meu entender, esse é mais um descarte fácil de pais que não querem amadurecer e ver a realidade. Os filhos precisam dos pais para lhes ensinarem as regras e para lhes darem afeto. Essa não é uma tarefa dos avós. Os mais velhos deveriam somente visitar os netos de vez em quando e, esta fuga de responsabilidades está a custar-nos cada vez mais cara e, sobretudo ao nível da saúde mental, em que nunca se ouviu falar de tantos problemas emocionais.
 
As crianças e jovens têm de ter mais maturidade que os pais, pois têm de aceitar que passam muitas horas sem os seus progenitores, têm de ocupar os seus dias e as suas mentes sem qualquer afeto, sem compreensão, sem ninguém com quem conversar, pois na escola brincam. Chegam a casa, os pais não têm tempo nem paciência para ouvir os seus problemas e desabafos e, é também notada a falta de tempo para os desabafos infantis que contêm as suas experiências, dúvidas e medos. Também não falam com os avós porque sabem que a diferença de idade é grande e que os mais velhos não estão à altura desses assuntos, então falam com quem? Não fala, não dizem, não corrigem pensamentos, sofrem e fingem que não existe.
 
Costumo dizer que, por muito que nos custe dar um puxão de orelhas aos 8 anos de idade, muito mais nos vai custar ter um filho preso na idade adulta, ter um elemento que não é capaz de respeitar os adultos e a nós próprios. Ser pai e mãe é uma tarefa exigente, ninguém diz o contrário, mas podemos evitar muitas situações antecipando-as. Se eu não ensinar as regras e os valores aos meus filhos, se não lhes exigir o que devem fazer em cada fase de vida, como posso esperar que sejam inteligentes, educados, cumpridores das regras, responsáveis, trabalhadores e maduros? Não posso ficar à espera daquilo que não cultivei. Isso seria o mesmo que ter um terreno onde só cresce erva daninha, pois se eu não o cuido e não planto nada, a natureza só me dá erva que é o que nasce mesmo sem plantação. É o que se passa com a educação. Se eu não cultivar bons exemplos, se não fornecer bons valores, se não exigir, certamente que os meus filhos vão focar em estado bruto. Dá trabalho, é verdade. Tira-nos algum tempo dos ecrãs e de coisas de que os pais também gostam, mas tem as suas recompensas, acredite. Não há melhor riqueza para um pai e uma mãe que ter o amor partilhado com um filho, que ter o respeito, a consideração e até a gratidão quando precisamos.
 
Cabe aos pais decidir quando é que preferem ter mais chatices, se na idade em que eles aprendem tudo facilmente e que é mais fácil repreender ou quando eles são adolescentes e adultos que têm cada vez mais de cuidar da sua vida… É tudo muito mais fácil em pequeno. Ao darmos uma boa base educativa nos primeiros anos de vida, o jovem saberá muito bem o que os pais permitem e o que não permitem, sabem muito bem quando os pais estão zangados e sabem muito bem as suas responsabilidades, pois se queremos gente trabalhadora e cumpridora, bons cidadãos, temos de ser capazes de responsabilizar os nossos filhos pelos seus atos. Fez algo incorreto, terá de corrigir essa ação e fazer melhor, sob pena de ficar a acreditar que está correto.
 
Ensinar o bem dá tanto trabalho como deixar fazer o mal, pelo que a escolha é de cada um, sabendo no entanto, que as consequências são muito diferentes. No passado, era normal que o pai fosse o autoritário e que a mãe chorasse com o que o filho fazia às escondidas para que o pai não soubesse e não lhe batesse. Hoje precisamos de uma mãe que enxugue as suas lágrimas e que se chegue à frente ao lado do marido e que juntos eduquem os filhos. Sejam capazes de os ver de fora e de avaliar o que está certo e o que está errado para poderem dizer ao filho que isso não se faz e porquê. Dessa forma estamos a dar responsabilidades a todos. O filho sabe as consequências de fazer algo que lhe foi proibido, a mãe sabe que terá de ser firme quando é preciso e o pai está ali para corrigir o que for necessário. Partilha-se carinho, afeto, atenção e amizade, mas exige-se quando é necessário, corrige-se e procura-se mais informação quando não se sabe o que fazer.
 
No meu caso, estou a perceber que os meus filhos andam a tentar saber se devem ou não dizer palavrões. Nunca os ouviram em casa, mas os colegas usam e abusam deles. Já lhes disse que não admito palavrões. Se os colegas dizem o problema é deles e dos seus pais, eu e o pai não permitimos essa forma de estar na vida nem esse vocabulário. O meu filho perguntou-me então a razão pela qual os jovens dizem tantos palavrões se é incorreto… Respondi-lhe que os pais deles acham normal essa forma de estar, mas nós não achamos. Respeitamos as diferenças, mas escolhemos o nosso caminho. Os meus filhos estão proibidos de dizer palavrões, de jogar mais do que uma hora por dia, de ver TV mais do que duas horas diárias. Em compensação têm de encontrar outras formas de distração. Vão à biblioteca buscar livros, têm brinquedos nos seus quartos, passeamos quando pudemos, pintam, desenham e têm os seus trabalhos de casa.
 
Nós pais, não dizemos palavrões, vamos buscar livros à biblioteca e lemo-los, só vemos uma hora de TV por dia e não jogamos. Desligamos o telefone após as 19h00 e não estamos para ninguém.
 
É natural que os nossos filhos comparem a vida deles com as dos colegas, mas esta é a nossa forma de estar, são os nossos valores e, um dia que tenham a sua casa e a sua família, eles decidirão como querem fazer. Cá em casa é assim e não há discussões. Trocamos pontos de vista, mas esta é a base dos pais que se mostra aos filhos. Esta é a nossa marca de autoridade para tudo. Damos o exemplo e exigimos. Podemos negociar, mas a base é esta, logo há coisas que não são negociáveis se não passamos da regra à exceção permanente. Um dia podem jogar mais meia hora, mas não têm autorização para dizer palavrões na mesma! Podem ver um pouco mais de TV, mas não me respondem mal, nem falam alto. Há regras inegociáveis e ponto final.
 
Fátima Fernandes
 
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