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Ouça a “voz” da sua consciência
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Numa sociedade cada vez mais agitada e sem tempo para parar, é natural que se pergunte, “o que é isso da voz da consciência?”.
 
Chegamos a um ponto em que, em vez de nos ouvirmos a nós mesmos, passamos a procurar ocupações para evitar escutar o nosso “eu”.
 
Se repararmos, passamos grande parte do nosso dia com a mente tão ocupada e preenchida que, tudo o que nos faça parar, até é mal interpretado. Ficamos com uma enorme sensação de vazio e, imediatamente tentamos procurar algo para o preencher e, de facto, não faltam interesses com um mundo cheio de estímulos como os telemóveis, a televisão, a internet e daí por diante.
 
O descanso acabou por se tornar como algo que nos impede de estarmos ligados ao mundo, sendo que, muitas pessoas quase que não dormem para poderem alimentar tudo o que querem fazer num dia…
 
Naturalmente que estamos em sentido inverso em relação à nossa própria natureza. Claro que precisamos de ter tudo um pouco, mas também temos necessidade de reservar um tempo diário para ouvir o nosso “Eu”, aquela voz que, quando está saudável, nos indica boas alternativas para esse estado de agitação em que vivemos. Essa voz que nos conforta e nos dá boas ideias para o dia seguinte. A voz a quem recorremos para perguntar como é que podemos surpreender alguém que amamos, ou como é que podemos resolver um conflito da melhor forma.
 
Mediante as crenças de cada um, essa voz pode ter outros nomes, eu como não sou crente e me suporto do conhecimento científico para explicar os fenómenos, não atribuo essa voz a nenhum ser divino, mas sim ao nosso cérebro e à nossa mente. Atribuo essa voz à necessidade e à capacidade de reorganização que o nosso sistema tem depois de um dia cheio de estímulos. Se repararmos, acordamos com o toque do despertador, quando seria mais agradável acordar naturalmente, tomamos banho e um pequeno-almoço a correr. Enfrentamos filas no trânsito. Quando chegamos ao trabalho, já temos uma boa parte da nossa energia consumida. Comemos uns doces e bebemos café para “arrebitar”. Depois, mais ou menos concentrados, cumprimos as nossas funções para irmos para o trânsito e para um final de dia igual a tantos outros. Onde é que temos tempo para pensar em nós mesmos neste entra e sai de atividades?
 
Depois, antes, durante ou depois do jantar, vamos para o computador ou smartphone à procura de novidades quando já temos a mente cheia de informação! Naturalmente que o sono parece que é um incómodo que impede que o dia tenha mais horas para fazermos o que queremos.
 
Claro que a minha sugestão não é lamentar que o dia não chegue para fazer tudo, mas sim precisar de menos!
 
Se ouvirmos o nosso “eu” interior, percebemos que não precisamos de saber tanto acerca dos outros nas redes sociais, percebemos que, uns minutos de Tv para distrair e para acompanhar as notícias bastam e que é muito bom conversar à mesa com a Tv desligada e sem telemóveis.
 
Sabemos que é maravilhoso cozinhar em família só ouvindo os intervenientes, tal como sabemos que, durante uns minutos, se pode fazer um pouco de silêncio para relaxar. Experimente colocar o filho que toma banho sozinho na banheira e deixá-lo relaxar com a água… ao mesmo tempo, fique em silêncio noutra divisão da casa… é muito bom estar nesse vazio rico em sensações interiores. Experimente!
 
Tranquilizar a mente no final do dia, é prepararmo-nos para dormir bem, para ter um sono reparador e para acordar com mais energia e uma nova forma de encarar o mundo no dia seguinte.
 
Experimente ficar em silêncio uns cinco minutos por dia. Deixe a sua mente fluir sem cortar nada que a impeça de seguir o seu curso natural e, verá que, afinal a vida é muito mais colorida e maravilhosa com os nossos valores e menos alicerçada nas orientações sociais que nos invadem por todos os lados.
 
É nesse momento de paz interior que irá encontrar a sua verdade pessoal, aquilo de que realmente gosta e que queria fazer sem as pressões consumistas. Pela sua beleza, muitos crentes designam por Deus, outros chamam-lhe anjos ou pessoas que já faleceram e que se mantêm vivas no nosso pensamento. Não é relevante o nome, mas sim o propósito e o efeito que nos produz.
 
Experimente fazer este exercício diariamente e incentive a sua família a experimentar esse tempo de vazio; sem máquinas ou quaisquer estímulos. Faz bem ter a casa em silêncio para ouvir o nosso “Eu” interior.
 
Quando se regressa à normalidade, certamente que se encara a realidade com uma nova forma de estar e de pensar. A refeição é mais apreciada, o sono reparador e daí por diante.
 
Não custa tentar e, terá melhores resultados a cada dia que passa e que, reserva cinco minutos para si! Aos poucos, terá um novo estilo de vida e uma nova forma de pensar, é preciso é deixar libertar esse “Eu” sedento de uma nova maneira de encarar a vida.
 
Fátima Fernandes
 
 
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