Política

PCP defende Barragem da Foupana e critica modelo da dessalinizadora

Foto - PCP Algarve
Foto - PCP Algarve  
A direção da organização regional do Algarve do PCP (DORAL) entende que a situação de escassez de água no Algarve, que nos últimos anos assumiu particular gravidade, "não pode ser desligada de décadas de políticas contrárias ao planeamento e investimento na gestão pública dos recursos hídricos da região".

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Num comunicado, o PCP defende que, por se tratar de um bem público, a gestão da água deve permanecer na esfera pública, "ao serviço das populações e do seu desenvolvimento". Avança que qualquer solução, como a da construção de uma dessalinizadora, "deve ser avaliada com rigor e enquadrada numa política mais ampla, que assegure o acesso universal, a sustentabilidade dos recursos e a soberania sobre a sua gestão".

Apesar de o atual ano hidrológico ter sido favorável, com precipitações elevadas, os comunistas dizem que os modelos de previsão climática apontam para uma tendência de maior frequência e intensidade de períodos de seca, exigindo respostas estruturais.

Apontam que a instalação de uma dessalinizadora no Algarve é uma solução que não deve ser rejeitada à partida, "mas é um investimento que levanta questões sérias, pelos elevados custos de investimento e exploração, pelo significativo consumo energético, pelo reduzido contributo que poderá dar face às necessidades globais de abastecimento e pelos receios e dúvidas, já demonstrados pela população, pescadores e associações ambientais, sobre os impactos ambientais associados".

O PCP acrescenta que o modelo de gestão já apontado para a infraestrutura, assente numa parceria público-privada, "marca do governo PSD/CDS (e muito apoiada por outras forças políticas como a IL e o CH, mas também PS), levanta fundadas preocupações quanto à transferência de recursos públicos e ao controlo de um bem essencial para interesses privados", critica.

O partido não aceita que, sob o "pretexto da necessidade e urgência", se abra caminho à privatização da água, "neste caso da sua produção", defendendo uma "estratégia integrada" que enfrente as fragilidades estruturais existentes, nomeadamente o aumento da capacidade de armazenamento (construção da barragem da Foupana) e a plena utilização dos seus volumes, a interligação entre bacias hidrológicas, o apoio à pequena e média agricultura, a construção de uma rede de pequenos açudes e barragens, assim como a construção de mais Estações de Tratamento de Águas Residuais, com um maior aproveitamento das águas tratadas.

Outra medida passa pelo "combate efetivo" às perdas nas redes de abastecimento, a modernização e expansão do sistema das redes e condutas de abastecimento público e a implementação de uma política que regule os usos intensivos da água, garantindo prioridade ao consumo humano, à pequena e média agricultura e à preservação dos ecossistemas, lê-se no documento.