O órgão partidário regional do PCP destacou que a entrada em funcionamento das composições elétricas, no domingo, foi feita com material circulante reconvertido, lembrando que o projeto de eletrificação da Linha do Algarve se prolongou por mais de 20 anos e defendendo que é necessário continuar a investir.
“[…] O início da circulação de comboios elétricos nesta linha, embora com muitos anos de atraso, é um dado positivo, que no entanto, não anula o muito que falta de planeamento e investimento, para garantir um serviço ferroviário que sirva inteiramente as populações e a região”, declarou a DORAL num comunicado.
A eletrificação total da Linha do Algarve “arrastou-se” por mais de 20 anos, sofreu “atrasos significativos” ao longo deste período e “neste momento ainda estão a decorrer trabalhos”, embora sem impedir que as composições elétricas tenham sucedido às de ‘diesel’ desde domingo, argumentou o PCP.
“Eletrificada a linha e com o ‘novo’ (neste caso reconvertido) material circulante, é necessário realizar um sério trabalho de requalificação das estações e apeadeiros, quer no que respeita ao edificado, quer no que respeita aos sistemas de informação, aos serviços que prestam e às ligações rodoviárias que garantem”, propôs.
Os trabalhadores também “são parte essencial” para garantir o “regular funcionamento” do serviço regional de comboios no Algarve e deve ser dotado com o “número adequado” de trabalhadores nas estações e apeadeiros, nas oficinas de manutenção ou nos restantes serviços existentes, acrescentou.
Para a estrutura regional do PCP, apesar de “circularem mais comboios, a resposta está longe de ser a necessária”, porque o serviço Inter-Regional, “para ser mais rápido, deixa de fora 13 localidades das 30 paragens da Linha do Algarve” e, no serviço noturno, não foi assegurado nenhum horário além dos já existentes.
O PCP considerou também que, “sem melhoria significativa, pois só se alteram horários, ficaram as ligações a Lisboa, com os serviços Alfa Pendular e Intercidades, a continuarem a sair apenas de Faro” e a ser necessário apanhar depois um comboio regional para chegar a Lagos, para oeste (barlavento), ou a Vila Real de Santo António, para leste (sotavento).
“Para a DORAL, apesar desta nova realidade, importa ter presente o muito que ainda falta para solidificar no Algarve para uma resposta ferroviária de qualidade. Há todo um investimento que é urgente planear, calendarizar, garantir fundos e sobretudo concretizar”, posicionou-se a estrutura regional do PCP.
Entre os projetos que carecem desse investimento estão também, segundo o PCP, “a ligação ao Aeroporto e à Universidade do Algarve” ou o “estudo e planeamento da ligação de alta velocidade a Espanha”.