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“Por que é que a minha mãe não gosta de mim?”
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Esta é a pergunta que muitos filhos colocam quando chegam a uma consulta de psicologia. Comparam-se aos colegas e amigos e vêem as diferenças de tratamento perguntando-se o que é que fizeram ou fazem para que as suas mães não gostem deles.
 
Na realidade, temos de colocar os tabus de parte e assumir que, efetivamente há mães que não gostam dos filhos e, a partir daí, preparar os mais novos para uma nova forma de pensar e de viver.
 
Na posição dos psicólogos, essa é uma das questões mais difíceis de aceitar e a que requer mais trabalho por parte do paciente. Em primeiro lugar, é preciso assumir o que se sente e ser capaz de verbalizar que se cresceu com a sensação de que a mãe não gosta de si. A partir daí, cabe ao psicoterapeuta experiente conduzir as sessões da melhor forma para permitir que o paciente se liberte do medo de pensar na sua realidade, de a comparar com outras e de aprender a viver a sua vida com uma nova forma de pensar.
 
É preciso entender que, muitas mães chegaram ao caminho da maternidade por imposição social, pelos valores da sua época, por uma gravidez indesejada, pela crença familiar ou na tentativa de salvar uma relação já perdida.
 
Estas mulheres não fizeram qualquer plano de vida para o filho e acabaram por se ver com um bebé nos braços. É como se de um estranho se tratasse e acabam por não desenvolver aquilo que se pretende de uma mãe porque passam a vida a rejeitar aquele ser que quase lhes chegou à vida sem que soubessem como.
 
É duro ver as coisas desta forma, mas é fundamental compreender o que está na base de muitas mães tóxicas. Na maior parte das vezes, é somente pelo facto de não se terem preparado para serem mães, de não terem esses planos nos seus ideais de vida, por também serem demasiado jovens para assumir essa responsabilidade. Sabemos hoje que, os filhos não têm culpa disso e que merecem ser tratados com dignidade. Se as mães não são capazes de o fazer, devem pelo menos ter a humildade de entregarem os filhos a quem o é. Não podemos permitir que, uma gravidez indesejada prejudique o desenvolvimento sadio de um novo ser, razão pela qual a sociedade tem de estar mais atenta e a família ser chamada a intervir pelo pleno direito à vida dessa criança.
 
Pelo caminho, também se encontram mães que, apesar de não terem decidido o momento ou se queriam ter um filho, acabaram por aceitar, por se envolver e cuidar dos seus descendentes da melhor forma possível, mas essa não é a realidade em todos os casos. Vejamos que, ainda hoje não é assim tão simples assumir que não se quer ter filhos. Nas culturas mais evoluídas, a maternidade já é uma decisão consciente e responsável, mas noutras ainda é um marco para o casal e para a fertilidade; para a continuidade da família. Claro que, o casal deve tomar essa decisão de forma responsável e consciente, mas há que ajudar as vítimas de mães tóxicas que não conseguiram ultrapassar a barreira de si mesmas para dar qualidade de vida aos filhos.
 
Importa compreender as características das progenitoras tóxicas para poder ajudar os filhos a se libertarem de um peso que não lhes pertence.
 
Na maioria dos casos, são mulheres muito narcisistas ou infantilizadas, que nunca assumiram o papel de mãe e que continuam a filtrar o mundo a partir da sua necessidade e do seu desejo.
 
Outras são mulheres amarguradas, cuja vida não se parece em nada com o que esperavam, profundamente infelizes, que usam as suas filhas como “bode expiatório”, projetando-lhes o foco da sua insatisfação.
 
Há diferentes formas de mães tóxicas, mas todas incluem a culpa, a manipulação, a crítica cruel, a humilhação, a falta de empatia, o egocentrismo puro. São mães que fazem com que as suas filhas não se sintam à altura do que se espera delas, invejam os seus êxitos, desconfiam da sua necessidade de independência, rivalizam com elas num patológico palco vital no qual a vítima nem sabe que o é.
 
A mãe que não ama despeja a sua toxicidade de diferentes formas. Há mães que invejam as suas filhas e tentam anulá-las, mães que super protegem e absorvem excessivamente, na tentativa de evitar o sentimento de culpa por não ter querido ter esse filho, mães voltadas unicamente para a “fachada”, que exigem que as suas filhas se encaixem num molde que elas mesmas criaram para se exibir, mães que usam a doença e a vitimização como principal estratégia de manipulação, mães dependentes que invertem os papéis e fazem com que sejam as suas filhas a se encarreguem do seu bem-estar físico e emocional. Há mães que possuem todas estas vertentes e fazem da vida dos filhos um autêntico filme de terror. As filhas são o principal alvo, mas acabam por maltratar também os rapazes, ainda que de forma diferente. A mulher é a rival, a mulher que tem oportunidade de ser o que ela queria, mas nunca foi, por isso, é o lado mais fraco e o mais convidativo para poder abater. Estas mães colocam todas as suas frustrações sobre as filhas, até para chamar a atenção do marido. Usam as filhas como alvo das suas críticas para se protegerem, retiram-lhes dinheiro e poder e, em muitos casos, entram em competição com os genros. Fazem de tudo para que as filhas não tenham sucesso na vida e, pelo contrário, são elas que se colocam no lugar das filhas.
 
No que se refere aos rapazes, justificam que a mãe não pode ter uma ligação afetiva para evitar relações desviantes, acabam por usar os filhos para se protegerem, por arrastarem os problemas com o marido e por fazerem constantes chamadas de atenção ao filho.
 
Arrasam os relacionamentos dos filhos para terem a sua atenção e, muitas vezes, vêem-se como as esposas ideais para eles, criticando as noras a todo o custo. Querem ter a supremacia sobre a vida dos filhos vivendo com eles uma estranha relação de dependência. Usam o filho para provocar ciúmes no marido e chegam a desejar que o filho goze com as namoradas para que as mesmas se sintam mal com ele. Quanto mais o filho for rejeitado pelas mulheres, mais frágil e próximo de si ficará, é o entendimento destas mães tóxicas.
 
As filhas criadas por estas mães, apresentam muitos problemas de insegurança, falta de autoestima, necessidade de aprovação, níveis elevados de autoexigência, dificuldade para uma plena intimidade emocional e um profundo vazio que deriva da falta de amor primário. Para uma pessoa, aceitar que, a sua própria mãe não a quis e não gosta dela é um dos processos psicológicos e emocionais mais difíceis de superar e tem consequências devastadoras em todos os aspetos da vida.
 
As mulheres criadas por mães tóxicas chegam a duvidar até da sua própria saúde mental porque foram vítimas de maus-tratos durante muitos anos e acabam por não saber realmente quem são. Felizmente, os estudos levados a cabo nesse sentido, demonstram progressos em tratamentos de vária ordem, sendo que a psicoterapia é uma importante aliada para ajudar a mudar a forma de pensar e a encontrar um caminho mais positivo de vida.
 
Sem essa ajuda, naturalmente que as marcas são evidentes e, conhecem-se bastantes casos de homens e mulheres que se sentiram abandonados pela mãe e que, apesar de terem alcançado o êxito profissional, acabam por ter sempre evidentes as carências de uma infância repleta de maus-tratos de vária ordem. Esta realidade mostra muito bem a importância de intervir de forma direcionada e eficaz nas feridas e aprender a encontrar soluções para a sua vida. Há trabalhos de investigação que demonstram que, uma vida satisfatória em adulto, com um casamento estável, permite que estas vítimas recuperem essas sensações destrutivas e encontrem formas de felicidade com qualidade.
 
Por norma, estes homens e mulheres conseguem assumir a parentalidade de forma construtiva, apesar de estarem sempre atentos para não repetirem aos filhos o que lhes fizeram, mas de um modo geral, é possível sentir bons momentos de felicidade em família e cortar com uma boa parte dos traumas passados. Para tal, não há idade para pedir ajuda, é preciso é que se sinta essa necessidade, que se esteja disponível para ser ajudado e que se queira encarar a vida num sentido mais alargado e feliz e, o caminho passa pelas alternativas, pelo apoio da pessoa que se encontrou para ser nossa parceira de vida e pelos planos que se fazem em conjunto que se afastam da toxicidade da infância.
 
Fátima Fernandes
 
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